segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009
Conto que parece inacabado
Podia rechaçá-los com a facilidade com que, antes do cavalo, troianos rechaçaram “gregos” naquela factual, ou não, batalha do simultaneamente belo e brutal, como todos os outros, mundo clássico… Qual quê?!! Comparação impossível! Nem sequer se trataria de facilidade; facilidade requer esforço… algum. Seria tal a ausência de dificuldade, que o vocábulo fácil, ou qualquer outro da sua família, não acolhe a tradução do não esforço total necessário ao arremesso de.
Podia, mas não o fez! Fez, sim… é que d’ele se trata, não de mim. A mim, todo o esforço do mundo de nada serviria. Eles avançariam, eles irromperiam muralhas adentro como espada amolada em guerreiro sem armadura.
Teria sido tão fácil metê-los a todos na linha!... Um estalar de dedos… nem tanto… só um toque… menos, só um processo mental. Entanto, preferiu tocar piano. Eles perturbavam, mas ele tocava piano!
E é o que tem feito desde então; é o que já fazia; é o que fará. Toca piano. Umas vezes piano, outras forte.
Carlos Jesus Gil
sábado, 19 de Dezembro de 2009
Talvez em 2012...
Carlos Jesus Gil
quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009
Até sexta, Copenhaga... E depois?
Gostaria, para já, de desculpar-me por neste passado recente não vos ter visitado e por continuar assim por mais uns dias. O facto é que me encontro sem net, por diferendo com a poderosa operadora de quem tenho sido cliente... bom cliente, diga-se!
Aqui fica outro texto sobre a ordem destes dias:
ATÉ SEXTA, COPENHAGA… E DEPOIS?
São necessários, a curto/médio prazo, cerca de dez mil milhões de euros para ajudar os países pobres, aqueles que menos contribuíram para o efeito de estufa não-natural – o natural, esse é desejável que nunca sucumba, pois sem ele... ai de nós! -, a poderem adaptar-se aos efeitos directos e indirectos das alterações climáticas... Mas que adaptações?! Então?!... Entre um universo enorme de coisas, coisinhas e coisonas, refiramos a economia – uiii, tanta água que aqui desagua!: saúde, habitação, agricultura, silvicultura, pecuária, ecossistemas... Dinheiro, muito, que as mesmas inevitáveis adaptações, vão exigir. Ainda que em Copenhaga se consigam as ferramentas que permitam uma mitigação do problema, à necessidade das adaptações já ninguém se livra... Sim, sei, até porque a isso me liga a minha profissão, que ciclicamente o planeta assistiu a fenómenos semelhantes, só que agora a exasperação é maior, pois o homem meteu-se, eh pá e bem, desde que agora assuma!, ao barulho.
Em suma, Mitiguemos quanto possível, mas preparemo-nos para as impreteríveis adaptações... todos. Senhores governantes, que com o texto praticamente redigido chegam a Copenhaga para decidir, decidam o melhor possível, e abram as carteirinhas. Não há outra forma!
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009
Copenhaga
Bem, aqui num intervalito, apenas deixar a preocupação pelo k se passa em Copenhaga. Os grandões facilmente compreendem a razão... que não raro não têm; dificilmente a dão. Os países de África bem k se esforçam. Vamos lá a ver, agora k estão a chegar os verdadeiros mandões... quer dizer, pelo menos é o k eles nos fazem crer... que mandam, vamos lá a ver!
Carlos Jesus Gil
quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009
Vamos a isso!
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009
Regresso à Casa Branca
Volvidas quase três décadas, eis que regresso à Casa Branca. Já não pelo assombro da arquitectura do edifício; não pela sumptuosidade dos seus interiores; tão pouco pela renovada candura do branco! Regressei a onde nunca fui, porque me era imposto fazê-lo. Sim, incumbências de um missionário generalista. Em toda esta abrangência de procurações, filhas da minha entrega, confesso que cuido com maior desvelo da minha do meio: A Limpeza da Casa. Ei!, falar-vos-ei mais tarde, quiçá, dos meus outros desígnios/filhos. Tereis oportunidade de atestar que não são p’ra mim meros enteados. Só que há sempre aquele desvelozinho mais direccionado… Não sei se será pecado, se o for, mil vezes perdão!
Bem, voltei a onde nunca fui com o objectivo de mostrar ao temporário dono da majestosa mansão os mais eficazes - assim o creio, estudei-os aturadamente - detergentes e quejandos ao dispor no mercado para limpeza de casas... Ele disse-me que já sabia da sua existência, e eu disse-lhe que sabia que ele sabia, mas que queria que ele soubesse que eu sabia.
Não posso dizer que o anfitrião não tenha sido tão simpático como o fora o senhor Sarmento, não senhor, foi um verdadeiro gentleman, porém invadira-me ali um feeling… Naa! Vou esperar pr’a ver… Copenhaga, estarei atento!
Carlos Jesus Gil
sábado, 5 de Dezembro de 2009
A minha ida à casa branca
Um dia, já lá vão uns tempos, pois era ainda uma criancinha, fui com a minha família à casa branca.
A minha casa era, na altura, assim de um azul escuro - talvez mais escurecido que escuro mas fiquemo-nos com o escuro -, bem característico lá da área onde morava… o azul, esclareço, não o escuro, que isso de ter casas escurecidas era só para alguns. Eu gostava muito da minha casa, por dentro e por fora. Gostava dela toda. Pela cor também tinha grande apreço, porém não era este o elemento que nela mais me empolgava. Sempre me senti mais atraído pela candura do branco, facto a que não é de todo alheia esta minha mania pelo asseio exacerbado.
Bem, os meus pais eram amigos de um casal que vivia numa casa - coisa mais deslumbrante! - daquelas com uma arquitectura à não-engenheiro civil, e era branca. Nunca lá tinha ido, mas pelas fotos dava para ver que quando fosse grande era uma daquelas que eu queria ter. Estava verdadeiramente fascinado com o raio da casa. Nem era coisa p’rá minha idade, mas enfim…! Então certo dia, merendando juntos em minha casa, como não raro acontecia, o casal amigo convida os meus pais para irmos todos passar um fim-de-semana à casa branca. Moços, até arregalei os olhos quando ouvi tal proposta. Sim, foi mais uma proposta, mesmo ultimato, que um convite, pois os senhores diziam que só voltariam a minha casa se desta vez os meus pais aceitassem a viagem e a estada. E eu a ver que o meu pai ia dizer que não! Mas não, o meu progenitor respondera, finalmente!, que sim, “vamos sim senhor!”. E eu senti que tinha um Natal antecipado, melhor, que naquele ano iria ter dois Natais.
De maneira que, chegado o dia, lá embarcamos nós – e depois ainda há quem afirme que não se pode nadar em seco. Então? Se foi em seco que embarcámos… num automóvel! -, os meus pais, os meus irmãos e eu, no velhinho Ford Escort, e aí vamos rumo à casa branca. Cerca de oitenta quilómetros nos separavam da dita, mas não fizemos a coisa por menos de uma hora e três quartos. Assim, partidos por volta das nove e quinze, davam onze na torre da igreja quando destoávamos o velho Escort junto dos portões da casa branca. Por momentos simplesmente me alieno… A realidade reduzia-lhe a dimensão, mas não a majestade. Era a casa das fotos! Um funcionário, de tesoura corta-relva cerradíssima na mão direita, pergunta a meu pai o que desejávamos; segundos depois, os suficientes para ouvir do meu velho a razão de, o senhor passa a tesoura para a mão esquerda e abre o portão. Encontrava-se, evidentemente, ao corrente.
Já no jardim, fomos recebidos pelo casal Garcia que nos conduz ao hall de entrada da esplendorosa mansão, onde se encontravam, à nossa espera, os simpáticos patrões, o casal Sarmento.
Foi um fim-de-semana do caraças, aquele passado numa aldeiazinha, cujo nome já nem lembro, ali bem perto de Tondela… Que saudades!
Carlos Jesus Gil
quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009
Cuidado com os picos!
Ui, como o mar está bravo!... Carago, nem parece meu, este espanto. Eu, que nasci, cresci, brinquei e desbrinquei à beira-mar ainda me espanto com isto?! Genuinamente espantado me encontro com o meu espanto!! Então pois!... O mar tanto está bravo agora, como vai estar manso logo mais. É!, sempre assim foi; sempre assim será! E nada há de profético nesta palavras. Trata-se de pura lógica, facultada por uma revisita ao histórico, revisita esta muito bem acompanhada por um bom cozinhado de ingredientes diversos até mais não, mas que, cuidando o necessário das mexidelas e da intensidade do lume, redunda sempre em algo não só apetitosamente tragável, como nutritivamente imprescindível.
Caraças, mas o mar hoje está mesmo bravo!... Olha-me só prá quela onda!... Arre! Daqui a nada chega-me à varanda. Há muito que não via coisa assim. É, exasperação de mar não me rala… já de alguns dos seus picos de nervosismo não posso dizer o mesmo. É por isso que ás vezes há coisas. Devemos preparar-nos para os picos! Não, não é questão despicienda. Preparemo-nos!
…Mas… o mar fica lá para os lados da minha casa, e eu estou fora há tanto tempo! Mas c’a raio!
Carlos Jesus Gil
sábado, 28 de Novembro de 2009
Carta
Terra
25/11/2009
Desejada Laura:
Aqui o rapaz, já cheio de saudades de te sentir por inteiro, resolveu hoje, assim dum momento p’ró outro e a horas bem tardias e já bem entradito nos copitos, fazer aquilo que nunca fez: escrever uma carta de amor… ok, tá bem!, uma carta de desejo. Nunca o fiz a ti nem a qualquer outra. Nunca fui dado a essas coisas das cartas, até porque os bilhetes postais, ilustrados ou não, cumprem o mesmo dever com muito menos trabalho, admitamos… E depois as coisas são como são, não é, linda?, temos os telemóveis… e se a saudade... ok, o desejo, aperta mesmo, temos o pópó e fazemo-nos à estrada. Se ainda fosse naquele tempo dos aerogramas… Sim, é que os aerogramas encerravam qualquer coisa de mágico… às vezes de trágico! Olha, lê aquele livro do Lobo Antunes, aquele com um título assim todo p’ró intelectualoide, de capa dura, que andei a ler há uns tempos. Lembras-te? Houve uma vez, quando fomos acampar, que é como quem diz, pois ficámos num bungalow, p’ró Minho, e tu querias música mas eu preferi leitura. Lembras-te que me deste na cabeça com o livro que estava a ler, e que eu caí logo cama abaixo? Tu até que nem bateste com força, mas o livro é que era assim a modos que pesadote. Já estás a ver qual era o livro? Estiveste um tempão com ele na mão a praguejar contra a editora e a esconjurar o autor. Já te lembras? Pois, é esse. Morzito, a esse tipo de cartas eu até acho piada. A começar pelo papel; e depois pela razão… verdadeiramente válida!
Bem, mas hoje, ainda que seja a teclar e não a esferografar, estou a escrever uma carta… a ti, bela digna de tela! E faço-o pelo que supra se pode depreender, mas também porque não quero que, se as coisas um dia mudarem, pois, se os sentires de ambos tiverem um dia por destinatárias outras anatomias, não quero, dizia, que fiques sem algo documental bem guardado no forro de uma das gavetas da atávica cómoda que teimas em manter, algo aonde poderás dirigir-te de quando em quando, pode ser todos os dias, vá!, contemplar os bons velhos tempos e retemperar o ânimo. Daí que, ao perguntar-te como estás, se tens saudades minhas, como tem corrido a quinzena - considera formuladas as questões! -, te peça que, também em papel, à máquina, a computador, a lápis ou a esferográfica me respondas, tá? Eu pago o envelope de correio azul… De correio azul não, isso é muito moderno. Vou expedir esta em correio normal, e tu faz o mesmo por favor. É menos banal. Pago-te o envelope e o selo, tá? E ainda te levo a um aconchegozinho no meu colo no vaivém do balancé do parque infantil aí da terra, como tu tanto gostas. Sim, à hora em que há mais pessoal, sei… dá-te mais gozo!
Morzito, por hoje é tudo. Dá cumprimentos aí à malta, e de mim aquela ementa à Tromba Rija.
Resposta rápida e sentida, aguardo.
Bj oceânico do teu mais-que-tudo
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
Se calhar vou processá-los
Vinha eu, há bocado, descansadinho no meu carro a ouvir rádio, sim, à espera do relato de Porto/Chelsea, quando, após um curtíssimo separador musical, irrompe carro dentro um marzão de publicidade. Num dos anúncios, a uma daquelas multinacionais que no que a electrodomésticos e material electrónico diz respeito vendem de tudo um pouco, o locutor/actor apregoava que durante uns dias – bem, não era exactamente por estas palavras mas a essência está cá – a empresa devolve aos clientes, no acto do pagamento, o valor do IVA. E depois acrescenta o alegado comprador habitué, assim à guisa de vaidosão, que na primeira oportunidade aí vai ele… à dita cuja, pois, que parvo é que ele não é!
Então, mês senhores?! Eu acredito na bondade dos vossos preços e das vossas promoções, palavra!... Possivelmente até passarei a ser vosso cliente, não aceito é que dêem roda de parvo se o não for.
Eh pá, pessoal, se calhar vou processá-los… Ou não!
Carlos Jesus Gil
domingo, 22 de Novembro de 2009
Saramago e a Bíblia
Agora, que a poeira tombou:
Sou um indefectível de Saramago, proclamo! Não sou, porém, um submisso seguidor, um prosélito militante. Aprendi que os gurus também desiludem. Não é de agora, este meu saber. Daí a crítica prévia a tudo, venha d’onde vier.
Caro pensador – a vós ora me dirijo, enorme mestre -, mesmo fazendo da leitura do Grande livro, da Grande Colectânea uma interpretação directa, literal, não vi ainda em que parte dos Génesis se pode ler ou depreender que Deus descansou a partir do sétimo dia… Posso, disso me dei conta, ler e deduzir que o Supremo Arquitecto do Universo – era por esta designação que meu avô paterno sempre O invocava – descansou ao sétimo dia. Bem diferente, não?
O que fez Ele desde aí? Com precisão, não sei. Acredito que se ocupe da incomensurável tarefa que é a gestão da Obra. Claro, trata-se apenas e tão só de um acreditar!
Continuando a estimá-lo como a poucos, mestre Saramago, imploro-lhe reflexão ainda mais cuidada acerca do Tema.
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
A cabra
Dois amigos, hoje no café:
- Ontem apanhei uma cabra com mais de cinco litros.
- Litros?!
- Sim, litros.
- Desculpa, quilos!
- Não, desculpa tu! Litros!
- Ahhhhh, dessas!
Carlos Jesus Gil
sábado, 14 de Novembro de 2009
E do outro lado?
…
E para lá da cortina de chuva eu não via nada, eu não ouvia nada. Sabia, contudo, que para lá da cortina de chuva existia matéria calada e matéria falante.
Esta coisa da incerteza, do saber que mas não mais que, causa apreensão… Oh oh, se causa! Apreensão e da pura, não há lugar a hibridismos neste tipo de apreensão. Não, é aquilo e aquilo mesmo, nada de ambiguidades!; não é uma qualquer misturazinha de um medozito qualquer contraposto aqui e acolá com umas boas doses de adrenalina. Não, quando assim é até que as cenas assumem o estatuto de dignidades eventuais, de contingências desejadas… E a chuva que não passa!
Mas passou. Tão repentina quanto chegou, assim se foi. O intenso tempão psicológico a não mais que uns curtos minutitos absolutos correspondeu… Ainda existia água liquida no ar mas o Sol já brilhava… e acontecia o arco-íris.
Do lado de lá, o mesmo que do de cá! Me espanto.
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
A brecha desejada
Ouço martelos, picaretas, maquinaria pesada. Adivinho poeira no ar, no ar de todo o mundo.
Ouço algazarra intensa, e projecto o frenesim adequado.
É barulho d’obra, mas o Obra é outra. Noto-o, porque se nota. Não sei bem o quê, mas há qualquer coisa de diferente naquele som a picareta no betão. O que será?... Se é betão!; se é picareta!... De onde surge a diferença?... E depois o eco que não pára! Já lá vão vinte… anos, e ainda os ouço. Nem as obras aqui ao lado – com picaretas, iguais; com betão, igual – abafam ou confundem aquele barulho anarquicamente ritmado de picareta no betão.
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
Mas porquê?!
Fiquem bem, com ou sem pinturas... com ou sem máscaras!
sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
Solidariedade
Faz de conta que eu sou “ um “ Saramago ou “ um “ Philip Roth ou “ um “ Orhan Pamuk… ou “ dois “, vá lá, Paul Auster. Faz de conta, tá? Então, é nesse faz de, e vivendo-me em qualquer deles, que numa tarde qualquer, outonal de preferência, bebendo um café quentinho à mesa de um qualquer café, aquecido de muitos bafos, não das lareira e radiadores caloríficos ausentes, me exercito tentando meter-me na pele de mim próprio a esboçar um texto com cabeça, tronco e membros… ok: com um princípio, meio e fim que não sejam meramente contabilísticos. Vai daí, e como era o tal, optei mesmo por me dizer que rejeito a primeira designação da planificação e parto para a obra com a segunda no consciente. Menos prosaica…muito menos, embora o não possa parecer! Bem - no caso até mal e bem mal, ou melhor, mal e mal mal -, começo por me concentrar na escolha de um tema – pertinente, ousado, que acrescentasse… -, e eis que logo aí surge o primeiro empecilho, qual escolho impedindo o real barcão de continuar a navegação!: nada me merece a pena; tudo é vão, medonhamente vão! Depois, logo depois, dou conta de um segundo: mesmo que o mapa intelectual m’o tivesse revelado, revelei-me na condição de trolha, não de pedreiro. Frustradamente me defrontei com a demolidora realidade de não conseguir usar os tijolos… de - e voltando agora, porque passara a adequada, à primeira designação da planificação – não conseguir desenhar uma cabeça pegada a um tronco a membros pegado. Triste! Muito triste fiquei eu pelo outro… que sou eu! Triste, por notar que aquilo que a mim não exigiria esforço de monta, estava a exigir a mim uma força desusada… não contida. Triste porquanto o mais que eu poderia conseguir seria um tronco… e tosco, quando muito! O domínio da perfeita proporcionalidade que a mim me era tão natural, revelava-se a mim completamente impossível… só capaz de ser sonhado. As partículas do inefável, que por aí pululam à espera de quem as una, eu, por exemplo, teimam em não se me revelar. De modo que ficou, fiquei, ficámos…tristes!
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
Os representantes
OS REPRESENTANTES
… - E depois?
- E depois, o quê?
- Não vejo onde é que está o problema, é que não mesmo!
- Mas quem é que disse que havia um problema? Por acaso até nem há… não há um, são pelo menos quatro, os problemas.
- É pá, não te entendo… nem a ti, nem à puta da horda que representas!
- Puta?!, horda?!, olha o dicionário!... Deve haver aí, no teu raciocínio, uma inversão qualquer. Vai ver, consulta o dicionário!
Mas, continuando, não nos entendes?, ai não?!,ai não?!!! Então presta atenção! Os problemas residem – e olha que os vejo bem alojados, num conforto ímpar, inibidor de qualquer vontade de migrar – no modo de vida do teu patrão, no modo de vida dos filhos dele, no teu modo de vida e no mecanismo programado que vos abriga a todos no Inverno e vos areja no Verão…
Ainda não nos entendes, pá? Aprendemos nas mesmas escolas, estudámos pelos mesmos livros e até trocámos apontamentos… Teremos processado a informação, toda ela, de modo tão diverso?... Não me parece, até tínhamos notas similares!
São, agora, duas as doutrinas: a que segues, a que sigo; já não ouvimos as mesmas bandas. Apanhaste boleia, eu e a horda ainda andamos a pé.
Boa viagem!
Carlos Jesus Gil
domingo, 11 de Outubro de 2009
Muito me lisonjeiam ao exortarem-me a escrever. Eh pá, malta, é muito gratificante feedbackarem-me dessa forma. Pudera!... A conjuntura é k não é a mais favorável, de momento. Vou esforçar-me, contudo! E agora k, por uns tempos, me vejo livre do " bom povo, vocês bem sabem quem ... "- eheheheheh! -, agora que oficialmente encetamos um intervalo, até que se arranja um tempinho.
Hoje, uma Patetia:
DISTÂNCIA
Será que continuas linda?
Linda só?!, não,
um espanto;
o meu quebranto!,
que o foste em tempos
não passados
para mim.
Amados momentos que não esqueci
porque não pude!
As portas daquele edifício temporal
que coabitámos
ficaram escancaradas,
mas só enxergava num sentido.
Penso eu.
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Melhor o branco
Ok., Saramago mestre, eu compreendo-o… huuuuu, como o compreendo! E depois é aquela, o senhor é um mestre para muitos muitos, e eu sou um dos… De modo que hodiernamente até que é mister seguir-lhe as reveladas conjecturas. Agora isto…! Carago, moços; qual é a vossa, bom Povo? Como é que é possível este porfiar atávico, esta reiterada displicência de deixar nas mãos de uns quantos “tolinhos” o que deveria ser tarefa do universo hospicial?!... Então?!
Carlos Jesus Gil
terça-feira, 8 de Setembro de 2009
De volta
“ Há campanhas que podem ser em poesia, mas governar é em prosa. “
Olá pessoal! Um “ VIVA “ muito especial a todos! Esta é a minha rentrée bloguistica. Recomeço com uma citação… de citação… ou não.
Então: se, de facto, ouvi um inédito – se não o é, perdoem a ignorância… minha - da boca do nosso Primeiro, parabéns senhor engenheiro! Trata-se, tenho para mim, de um prodigioso axioma. No estádio em que em termos civilizacionais nos encontramos - todos nós, em todas as latitudes, longitudes e altitudes, em toda a ecúmena -, não existe género de governação senão em prosa. A hegemonia utilitarista do em vigor materialismo inelutável ( susceptível, porém, de a longo trecho perder o estatuto de tropa especial com colete à prova de obus), leva à inevitabilidade de um pragmatismo de processos em tudo impossível a uma aproximação empática à elevação usada por quem CANTA.
A Prosa, contudo, pode muito bem ser lavrada com alguma inefabilidade, ascender ao sublime. Não desesperemos, pois!
Bom, regressemos à regularidade da “síndrome do fim-de-semana”, pois a “síndrome do fim-de-férias”, essa por ora já era!
Bom trabalho!
Carlos Jesus Gil
quarta-feira, 22 de Julho de 2009
Tudo, ou quase, está escrito!
Mais música, menos escrita.
Bem, só para dizer que os dois primeiros textos do post d’hoje constituíram comentários meus a posts de duas amigas leitoras. Daí o estilo.
TUDO, OU QUASE, ESTÁ ESCRITO!
Tenho para mim k tudo está escrito... verdade k assim penso! Logo, o Grande Livro tem de tudo. As páginas são viráveis!
Tá, inclui-se neste meu acreditar a possibilidade de podermos saltar algumas páginas... e até de acrescentarmos outras, porém a VONTADE terá k ser himalaiana!
Mas até essa possibilidade, k fica ao nosso arbítrio, está escrita. Penso!
Acabei de comentar, noutro blog, que acredito k td está escrito... Sim, vamos representando o Livro da nossa Vida. Existe uma nuance, porém, k joga a favor de nós neste meu acreditar: podemos saltar algumas páginas e até acrescentar outras, nada de gigantescas alterações, mas ainda assim boas possibilidades de mudança para melhor. Para tanto "basta-nos" possuir Enorme VONTADE!
Na sequência do supra plasmado, o seguinte:
Dizia Platão: “ Ninguém pratica a maldade voluntariamente!”. Pergunto eu: estaria também Platão a admitir a existência de uma prévia Escrita?... Sim, mesmo sabendo que o grande pensador se referia a outras composições!
Existem, penso, mecanismos de regulação/compensação supervisionados por “Comandante Supremo”, Deus, por que não designá-lo assim?! O aludido mecanismo poderá ter lugar cá, neste Sistema, ou num outro cuja natureza será em absoluto bem diversa da que vivemos, o Além, ou nos dois. Tenho para mim que somente quem reza devotamente, reitero, devotamente, poderá conhecer cá o Regime a que me refiro. Conforme as acções levadas a cabo, assim a substância dos resultados: “castigos”, "tudo na mesma", “recompensas”… Nova reiteração: só a quem reza com devoção! Creio também que o que acabo de defender não se aplica a todos, só a quem o Livro contemplar. Mas sempre, sempre, aqui ou Acolá, o Mecanismo actuará… com todos. Experimentem!
Claro que tal nos leva à noção de destino que, a existir assim no sentido literal do termo, lavaria todo e qualquer pecado à mais vil das almas. É uma possibilidade que o Modelo teoricamente admite mas que a prática rejeita, creio, pela faculdade que acima aduzo de podermos saltar Páginas… e até de acrescentar Outras.
Vale a pena pensar nisto, até porque a Eternidade existe, pois o Universo sê-lo-á sempre, por mais cataclismos que observe. Se a vida vai para sempre acompanhar a continuidade infindável do tempo; se a acompanhará com intermitências, não o sei… sei lá se somos já uma intermitência!
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 16 de Julho de 2009
O mais do tempo... voo!
...
Com barbatanas nadei,
não muito, que não gostei.
Não é p,ra mim isso, eu sei.
Deram-me asas,
e voei, voei, voei…
Sem pausas sempre voei.
Porquê, Mãe Natureza?
(ocorre-me perguntar),
se nem o pássaro, que adeja,
vive constante no ar!
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Não basta ser...
Há rebuçados principescamente bem embrulhados, e outros que nem por isso. Os primeiros, esses, pelos menos num dos requisitos obedecem, sem mácula, às mais fundamentais regras sociais dos tempos que correm; os outros, nem por isso.
Até que nem me oponho ao adágio donde furtei o título, até que não!, todavia, devo aduzir que o ESTEIO reside, não somente mas hegemonicamente, na substância.
Carlos Jesus Gil
domingo, 5 de Julho de 2009
Os ós pelos ás
Isto deve ter acontecido por aí. Se os meus radares o captaram!... Mas isto o quê?, já perguntam, com razão mas também com elevada dose de tensão, os impacientitos leitores. Isto daquele rapaz de dezassete anos, aluno do 12º numa escola de referência na grande Lisboa, daquelas sempre cá em cima, rankinguescamente falando, neto de um guarda florestal que fez carreira ao balcão dos Serviços Administrativos da área à sua guarda, um perfeito amante da natureza, como sem esforço de monta se depreende destas inflacionadas palavras. É que há aqueles que têm a mania – será mania? – de falar pouco, e aqueles que falam pelos cotovelos, chegando mesmo a utilizar todo o antebraço. A verdadeira majestade da comunicação, o estádio em que aquela atingirá a perfeição, acontecerá, tenho para mim, a partir do momento em que o homem passar a casar todas as palavras, toda a fonética, em melodia. Claro, implica notas e figuras musicais! Eh pá, pessoal, aí será o Supremo. Nos casos de entendimento, tolerância, não há lugar a desafinanços, pois os acordes serão os adequados e a harmonia perfeita. Os outros…casos, esses tenderão à atomização, depressa cairão no esquecimento, tal não será a azucrinação que sofrerão ouvidos e cérebros!... Sim, depressa todos recorrerão à melodia inefável, à harmonia perfeita. Haverá problemas, claro!, de vez em quando uma palheta parte, um si desafina, mas… Que me lembre, os pássaros já fazem isso… e até outros animais, mas se vamos por aí nunca mais daqui saio. Bem, vocês entendem… um apelo em música; uma ordem em soprano… okey, em barítono… concordo! Bem, voltando à narrativa, dizia eu que o sr. guarda de balcão e secretária, com a natureza florestal só contactara mesmo durante o período do curso, e ainda assim… O homem não conhece o cheiro do mato, o cheiro à terra quando, depois de muito votada ao abandono da chuva esta volta a cair altruisticamente. Coisas que já experienciara, sim, mas das quais agora aos sessenta e três anos de idade já não fazia a mínima… Uma coisa é certa, aquele guarda florestal sempre se apresentara ao serviço conforme impõem as rígidas regras militares ou mesmo militarizadas. Farda devidamente engomada, gravata no sítio, sapatos engraxados, a velha pistola à cintura… Tudo no sítio, sempre! O senhor Vitorino Rosmaninho Palonço é de facto homem de respeito. Pode não distinguir um pinheiro duma acácia, mas é um respeitável guarda de florestas, com folha de serviço sem mácula. No bairro da capital de distrito onde morava, para todos era o sr. guarda. Até o edil lá do sítio o tratava com desusada deferência… Afinal autarca é autarca… por mais grande ou maior que seja um guarda florestal, a hierarquia beneficia o outro. Nunca compreendi todos aqueles paparicos, mas… Bem, acontece que os seus grandes feitos à secretária e ao balcão – não falámos deles aqui, nem acolá o faremos, descansem! - chegaram ao conhecimento das majestades do sector. Daí que o sr. director regional tenha convocado, sem carácter de urgência mas com interesse afirmado, o seu chefe de serviço com o fim de com ele travar conversa sobre uma possível transferência do guarda Vitorino para os Serviços Centrais, em Lisboa. Só uma demorada análise à figura do chefe, que nos faz chegar à conclusão que o dito é mesmo chefe… pois, se o é manda, não faz!..., nos permite compreender a paradoxal relação sentimental que demonstrou em relação ao subalterno. Pois se por um lado afirma ao director ser realmente aquele um guarda de competência pouco vista, o melhor dos elementos, que até merecia uma promoção, por outro roncava – como o canto seria tão melhor! -, denotando míngua de respeito pelo sr. director – cá para mim é daqueles que vê muito o “ Canal Parlamento”-, que não, que o homem sempre ali vivera; que ali se encontravam os filhos, os netos, quase toda a sua família e amigos… E depois quem é que meteria ele a picar os bois?!... A ausência de aspas na expressão obriga-me, a mim, que comparando os acervos de escrúpulos, meu e do chefe, fico a ganhar, a um clamado pedido de desculpas aos animais da repartição… que de homens se trata, não de bois!... Aqui ficam, pois, aquelas!... Pois, mas continuando: sim, mas o homem vai ganhar mais, returque o director, sabedor das invulgares capacidades do sr. Vitorino como guardador de florestas, embora em gabinete; conhecedor do zelo indizível, mesmo desvelo, que põe no seu serviço, ainda que da floresta só trabalhe mesmo com o subproduto papel. Roupa à civil, ausência de pistola, altos conhecimentos, continuava… Pereira, chame ao seu gabinete o guarda Vitorino e exponha-lhe o cenário! Certo?; pronto, senhor director, assim farei… E fez, e o aprumado Vitorino, depois de prestada toda a atenção à debitação do superior, responde que não, que não vai para Lisboa coisa nenhuma, isso seria ficar longe da família e dos amigos… e ainda por cima sem usar farda e pistola?! Não! Pode transmitir ao senhor director que aprecio muito a sua consideração por mim mas que não posso aceitar; eu bem que já adivinhava a tua resposta, Vitorino… e muito me alegra ela!... E vai daí, o neto dele, dele do guarda, espero que não se tenham esquecido do rapaz!, o filho do filho do meio, que apesar de ter um papá dono da maior e mais conceituada carpintaria da região não distingue uma serra dum serrote… bem, só cá pr’a mim, nem eu! Qual é a diferença?... Mas o que é que eu queria mesmo com isto?; do que falava eu?... Ah, do bem-vestido-à-marca, aluno do 12º ano de escolaridade, que resolvera cravar no placard de mensagens da sua nobilíssima escola o anúncio de que pr’a ele só uma rapariga muito bonita, muito inteligente e muito culta… E então?! E então que logo no intervalo a seguir dele se aproximou uma jovem moçoila, assim logo à partida com um dos requisitos muito bem preenchido, e lhe pergunta Zé-Zé, gostaria muito de ver um acaso contigo assim juntinhos à beira-mar!; um acaso?!; sim, um acaso… é tão romântico!...; deves querer dizer ocaso, não?... Ela, vermelha: sabes, troco muito os ós pelos ás, não faz mal pois não?; não! Se queres ir à praia comigo ver o pôr-do-sol, por que não? Essas trocas não têm importância nenhuma. Mas olha, se por acaso algo mais se pôr… em cima de… Depois não te queixes!... Com voz de soprano, em melodia que exige acordes maiores, ela pergunta?: queixar-me, eu… achas?!... aaaaachas?!
Carlos Jesus Gil
terça-feira, 30 de Junho de 2009
Como pode ela marrar, se ele é que possui os instrumentos?!
Trrim, trrim, trrim… As possibilidades do digital têm a capacidade de nos confundir com a maior das levezas: como poderia ele, num bolso que de tão exíguo ser até se mostra, convenhamos, desusado, transportar um daqueles vetustos calhamaços pretos, por cordão umbilical espiralado ligado a auscultador, também ele em absoluto nada fora da esfera do calhamaçado?! Como pode?!... O aparvalhamento logo terminou, como já adivinha o leitor. Heitor sacara do minúsculo multifunções que também dá para telefonar, e atendeu: sim, diz Heitor, amigo do amigo do primo de um amigo de um amigo meu, que foi quem mo contou, doutro modo não saberia eu que as coisas assim se passaram… ou quase, que também não me passa ao lado o conhecimento de que se ao conto cada um acrescentar o seu ponto… de vista… Mas, continuando, ouvira Heitor, de imediato, o seguinte: não tens o meu número gravado?!; ah, és tu, Luísa?; sim, quem querias tu que fosse?; ninguém, querida, desculpa…peço que me desculpes, tá? É que deve haver aqui alguma confusão nas entranhas deste télélé. Imagina tu que ainda ontem me telefonou o Cavaco e eu disse sim Dr. Mário, como vai a Dra. Maria? Imagina tu!... Tenho que trocar isto. Deve ser resultado do impacto da semana passada, lembras-te?, quando o mandei, com quanta força tinha, à parede do quarto da tua residência académica, depois de te ter apanhado a brincar toda nua com um colega teu que, como tu, também tem gostos duvidosos… Também brinca todo nu e na cama! Quantas vezes falámos, sim, nas outras situações quejandas, que não fica nada bem brincar nu?... Quantas vezes me disseste sim tens razão, não volto a tirar a roupa pr,a brincar… Mas voltaste, e eu, pimba… telemóvel contra a parede. Se calhar é mesmo disso. Tenho que trocá-lo!... Mas espera lá!, está aí alguém contigo… e está a rir… a rir muito. Tens isso em alta-voz, é? Quem é que está aí a rir?... E tu também, por que ris tu?; não te preocupes, sou eu que estou aqui a brincar com um colega… mas não é o outro, é outro… não te chateies! Ah, e estamos vestidos. Estamos a brincar vestidos, tá?; assim está bem! Mas afinal o que é que querias?; era só pedir-te que não viesses cá esta noite, é que vou aproveitar e vou marrar toda a noite pr’ó exame de Sexta-Feira; assim é que é. Dá-lhe com força! Pronto, estuda muito e um beijo grande… E ela, já numa embrulhada de genuínos gemidos: beeeijo grandão.
Carlos Jesus Gil
domingo, 28 de Junho de 2009
Remédio p'rás moscas
Certa vez fui a um supermercado e pedi remédio p’rás moscas. Vai daí, a senhora perguntou-me:
- O sr. tem moscas?; estão doentes?; o que é que têm?
- … Fiquei sem palavras! Encontrava-me, já, quase na rua quando a refinada senhora ainda me atira com esta:
- Nas farmácias, nas farmácias é que há remédios!
E pronto!
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Michael Jackson
No meu entender, o maior cantor pop de sempre. Ritmicamente imbatível, ouvido harmónico do melhor!---------» A melodia surgia etérea!
Foi a minha homenagem
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 25 de Junho de 2009
Cientista "incendiário"
Tá mal!
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 22 de Junho de 2009
quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Gerações - vontades mudadas
Na geração dos meus pais e na dos meus avós e na dos pais deles e… tinha-se como certo que a melhor forma de proteger a família era trabalhando, trabalhando, trabalhando, negligenciando - por amor, sim, por amor - coisas tão ou mais importantes.
Nas gerações da abnegação trabalhava-se para o futuro, o dos filhos e o dos filhos dos filhos. Trabalhava-se para o sangue, corresse ele no seu tempo ou circulasse quando os genes causais já mais não fossem do que partes de plantas…e oxigénio.
Na geração dos meus pais adiava-se a vida.
Noto diferenças, hoje.
Quem vive pelos meus avós?
Não viveram eles, não vivemos nós!
Noto diferenças, hoje.
Bem, ainda bem,
se não descambar para a incúria!
Bem, ainda bem.
Se todas as gerações adiassem a vida, quem a viveria?
Usar o Mundo não é o mesmo que viver o Mundo!
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Perfeição na diversidade... Mas primeiro comem os leões, ohhh!
Vi desertos
Ermos
Amplos
Vi prados
E florestas onde o verde impera
Vi-os, vi-as a perder de vista
Conheço uma paleta indizível
Vi areias
- Filhas beneficamente arrancadas a penhascos –
E as mães
Sim
Experienciei o apelativo sinuoso
E a doce monotonia indolente
Ouvi gritos
Nem todos de dor
E os de dor convém distingui-los
Não desconheço as convenções…
algumas delas
Vi gente “boa”
Da outra também
Ah, e gente “linda”
Pois, e da outra também
Vi o Sol
Vi a chuva
A calmaria
A tempestade
A maldade
A bonomia
A fartança
A saudade
Vi animais
Vi plantas
De outros reinos também
Estudei tudo a preceito
… É tanto, tanto, tanto e não demais!
Há isto
Há aquilo
E tudo… que profusão!
Tanto, tanto que é!
Hodiernamente.
No passado não assim
No porvir, mais e mais e mais
Que o muito do pouco vem.
Porém, agora como dantes
Nada igual
Tudo diverso.
Eis a riqueza
Do universo!
E eu pensei
É bom
É bom assim
É muito bom
Óptimo
Perfeito!
Perfeito?!!
Mas, se os leões são os primeiros a comer!
Carlos Jesus Gil
terça-feira, 9 de Junho de 2009
Livreiro, não alfarrabista!
Um destes dias, por alturas do aniversário de uma boa amiga minha, fanática pela “Mafalda”, dirigi-me a uma livraria e disse, a quem de direito, que queria um livro da “Mafalda”… um ou até mais. E vai daí o senhor de direito disse que não vendiam livros em segunda mão, e eu retorqui, assim meio aparvalhado, que queria um ou mais livros da “Mafalda” mas novos… e, como começava a perceber o que se passava, até encetei uma curta explicação dizendo que era da “Mafalda”, aquela menina…, e ele, deferente mas obstinado, disse ah, aquela menina loirinha filha da dona Hermínia! Boa e linda menina, sim senhor! Pois, mas você não está a entender. É que nós não somos alfarrabistas… E mais me disse, agora nitidamente com uma cara assim pr’ó montes de admirado, que não compreendia como é que eu pedia com tão grande naturalidade, mesmo que de alfarrabista se tratasse, um livro ou livros de uma pessoa específica… Como é que ele iria saber que livro ou livros foram outrora pertença de Mafalda… Só se ela os tivesse assinado, que não iríamos com certeza recorrer às virtudes das impressões digitais, e, a tal ter acontecido, o esforço, do corpo e da mente, espiolhando aqui, vasculhando acolá – que ter a sorte de encontrar à primeira, ainda por cima mais do que um, não é coisa plausível -, seria imenso.
De maneira que acabei por me decidir pelo “ Guerra e Paz “, que se me insinuava desavergonhadamente, e não fugia muito ao género.
E de modos que foi assim!
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 4 de Junho de 2009
O empréstimo
A conversa já durava há bué. No seu moderno gabinete, daqueles à vista de todos mas sem quase nada dar a ver a todos, que o segredo ainda continua a ser a alma do negócio, eles é que arquitectonicamente nos querem fazer ver que não… que já era!, a gerente de agência, depois de esgotada a real complacência recorrera a uma não menos tangível, se ao esforço de aceitarmos o termo nos quisermos dar, displicência, logo seguida do uso e abuso, que o foi, convenhamos!, de eufemismos como forma de caracterizar as posses e a idoneidade, e aquelas têm muito a ver com esta, sim…têm!, do jovem senhor Manuel Arraia Mexilhão.
“ Quando for grande quero ser banqueiro”, dizia ele, visivelmente consternado. “ O senhor quer dizer bancário, não é?”, indagava, presunçosa, a bem- vestida-bancária. “Não, banqueiro! Banqueiro, porra!”, reiterou com acrescento, Arraia Mexilhão, ao mesmo tempo que desferia forte golpe de punho cerrado no tampo da pomposa secretária, donde, num simultâneo arrepiante - terá uma coisa tido a ver com outra?!... hummm! -, caía um elegante, esbeltíssimo monitor de computador. Ainda mais arrepiante foi notar, e notou-o quem lá não estava mas germinou o relatado, que também no mesmo segundo toda a clientela e concolaboradores da dita senhora, em todas as secções, se deitava instintivamente - de barriga pr’a baixo, está claro!, - no chão… Andaram na tropa, tenho a certeza!... Só depois de, a medo, dirigirem uma espreitadela ao local do “crime”, é que paulatinamente lá se vão levantando e continuando as suas diligências. A senhora do gabinete, essa continuava como se nada fosse com ela. Serenamente - pareceu-me -, lá esperançou o senhor Mexilhão da possibilidade de daí a uns tempitos até ser possível o pretendido… E ele lá seguiu o seu caminho sem dar estranheza às algibeiras nem gasto a tinta de esferográfica.
Afinal, agora que a frio penso nisso, tão somente quisera a figurísima senhora-bem- vestida firmar a justiça da decisão e afirmar o formal poder que lhe fora conferido! Não?... Sabe-o tão bem, Arraia Mexilhão!
Carlos Jesus Gil
terça-feira, 2 de Junho de 2009
A entrevista
…
- Então eu vou cantar-lhe. Já apanhei este tempo em que a mobilidade no emprego substituiu o aconchego do emprego para toda a vida. Daí que já tenha sido…, durante uns duros seis meses o fui; fiz uma campanha de nove meses na…; trabalhei como vendedor numa empresa de… Aqui, digo-o, não me dei absolutamente nada bem. Muito pelo contrário!... Estive lá ano e meio. Fui ainda, durante um ano, funcionário numa empresa de… Ah!, já me esquecia, servi durante dezoito meses nas… E, modéstia à parte, era bom naquilo.
- Então, com excepção daqueles tempos nas vendas, pode dizer-se que se deu sempre muito bem nos empregos por onde passou… Não é verdade?
- Sim, dos outros gostei imenso!
- Mas… tão curta estada em cada um!!
- É que, sabe?, eu dei-me bem, os patrões é que nem por isso, muito embora todos me tenham dito, na hora do pontapé-no-rabo, que eu até era um bom rapaz. E eu sou de facto um bom rapaz, pr’ás calendas as falsas modéstias! Por isso desde já o informo que, em boa verdade, sou bom, muito bom mesmo… um verdadeiro especialista, mas só numa coisa – passe a redundância, que especialistas a sério só os vemos numa coisa…
- Diga, diga!
- Refiro-me ao lançamento de redes. Aí é que eu sou mesmo bom, palavra!
- Oh homem, mas então por que veio até aqui?! Não seria melhor dedicar-se à pesca?!... O peixe está tão caro!
- Pois, o problema é que apesar de ser um ás a lançá-las, sempre fui uma nódoa a recolhe-las!
- Ah!!!... Oh raio!!!!!
Carlos Jesus Gil
sábado, 30 de Maio de 2009
Sombra... na luz; no escuro
O que há mais é solidão!
Existem bué delas
De coisas
Mas o que há mais é solidão!
Atentem na peça x daquele motor!
… Junta com outras, não?
Pois é, não se livra ela da solidão.
Há diálogo
Tão só!
Arquitectura
Engenharia
De tudo
De todos
Eiva-as a solidão!
Vielas abundam:
negócio
Longas avenidas:
Amizade
Sim, e boulevards:
Amor
Mas o que há mais é solidão!
E também intermitência!
Em Tudo
Em Todos
solidão!
Carlos Jesus Gil
terça-feira, 26 de Maio de 2009
Os Elementos
Areia mais húmus ---------» solo
Junte-se lhe água
Receba-se o Sol
Ganhamos um colo
Ausência de mágoa
Mesmo com tormento
Temos alimento!
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 18 de Maio de 2009
Negócio/Ócio
O senhor das obras pr’a mim:
- Saiba!, nunca fiz negócio como forma de negação do ócio… sério, rapaz! Oh oh! Negar o ócio, eu?! Eu, que quando era “zé ninguém” tanto invejava quem o cultivava?! Eu, que lhe reconheço a virtude do impulso…sim, este ímpeto que me trouxe até aqui e que ainda hoje me invade!... Não, eu idolatro o ócio. Por ele formiguei e amigalhei… Tanto que já não dou conta de quantos migalheiros. Aliás, já não tenho migalheiros… Pois é, meu caro, foi para ser também digno dele, seu cultor, que fiz e faço freneticamente negócio… Não para o negar!
- Então, mas…?
- Pois, não diga mais nada meu rapaz. Nunca o vira eu mais magro; sei que não passei das intenções. Tenho plena consciência disso… Reconheço-me um miserável escravo do negócio… Alforria?... Hummmm!
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Livros
Gosto de os ter; todos os bons livros quero adquirir. Sou um comprador compulsivo de livros. Hei-de ter biblioteca ou bibliotecas pejadas de livros do chão ao tecto; só dispensarei espaço para a luz, muita luz – terei, forçosamente, que recorrer a um Siza – e, obviamente, para um centro amplo com mesas q. b. e cadeiras em proporção. Isto porque os não quero só para mim…
Livros…, dão-me remorsos os que ainda não li embora os possua já!... Gosto de os tocar, de os ler, de os cheirar, de os reler.
Aprende-se tudo na relação de complementaridade existente entre os livros e a experiência. Num bom romance, por exemplo, podemos: aprender História, absorver Filosofia, compreender políticas e politiquices, entender de um modo simples um complicado fenómeno natural – que o cientista, porque o experiência e vive, percebe na plenitude mas não explica cristalinamente, por natural incapacidade -, entender o mundo económico e social, cheirar e ver em estranha realidade os cenários (ao ler um romance encontro-me num cinema…, sou director de fotografia, sou o homem do som, sou o realizador e, se for do meu agrado, até sou o protagonista…), enfim, um bom romance inocula doses cavalares de estoicismo, sopra auras antidesalento.
Livros, gosto dos velhos e dos novos, de todos os que entretêm ou acrescentam… Gosto de os ler, reler – a alguns de re-reler -, de os dar a ler, de os discutir; gosto de os usar, porém nunca mas nunca de os estragar (não é sujo o sujo do uso; é de exaltar a perda de elegância física de um livro quando a mesma se deve à sublime função para que foi concebido - que estar direitinho na estante é desdenhá-lo -, agora estropiá-los…, estropiar livros?! Fico furibundo quando me deparo com tal!).
Livros: unidades fabris onde operam palavras; cidades de palavras; espaços de lazer para palavras – que os compartilham simbioticamente com os humanos -; parques desportivos para palavras; por vezes, maternidades para palavras.
Livros: palavras, imagens – que todas as palavras projectam imagens -, emoções…Vida!
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 11 de Maio de 2009
A ditadura do futuro
Mesmo quando tudo está bem – connosco, com os nossos -; mesmo quando o Sol brilha e o vento assume o heterónimo de brisa; mesmo quando a melodia que escutamos é deveras inefável e a harmonia que a envolve empatiza com a nossa; mesmo quando as camisas que admiramos e defendemos são as mais transpiradas e as que mais vezes são levantadas, à guisa de brinde; mesmo quando a química inexplicavelmente inexplicável nos torna parte dum óptimo produto de reacção; mesmo quando tudo isto acontece em simultâneo e até o metal aparece, mesmo assim, nunca realizamos o pleno…Há sempre algo que obsta: a consciência do efémero, a incerteza do Futuro!
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 7 de Maio de 2009
Isso é lá com elas!
…
- És zabaneira!
- Zabaneira, eu!?
- Sim, e mais!: és também zabumba, os olhos dos outros o podem provar, e és, não o negues!, zambaia… bem, zambaia não, que tens inteiros os dois olhos, mas és zambra, lá isso és… E como isso se nota!
- Eu!!!?
- Tu sim! E mais: és ainda assaz zamboa… Tanto que até zabumbas… Arre!
Fungando: - Mas o que é que eu te fiz?
Carlos Jesus Gil
terça-feira, 5 de Maio de 2009
Tenho pena!
Pessoal, o post que se segue foi descaradamente influenciado por aquela da vaca branca e da vaca preta. O quê!? Não conhecem esse mimo de anedota!?... Tenho pena, mas aqui só posto inéditos da minha lavra! Terão que pedir a um dos nossos digníssimos comentadores que a conheçam, o favor de a postar em jeito de coment. Vale a pena, vão ver!
A minha é assim:
…
- Eh Silva, pá, tenho uma pena do caraças, do Alberto Mateus!
- Então porquê, homem?
- Eh pá, o gajo nunca acertou no totobola. Nunca, nunca mesmo!
- Olha, eu também não. E tu, já acertaste alguma vez?
- Não, sabes muito bem. Eu também nunca.
- Então!!!?
- Silva, mas é que o Alberto também nunca acertou no totoloto!
- Durbalino Asdrúbal, ouve lá!, eu também não. Mas tu pelos vistos já!
- Não, pá! Eu também não.
- Ouve lá, meu, afinal qual é o teu problema!?
- Ó silva, pá, é que o amigo Mateus também nunca acertou no loto dois, nem no joker, nem no euromilhões.
- Eu também não, mas tu já, não é meu milionáriozito duma cana?
- Não, pá. Sabes bem como é que eu vivo.
- Escuta uma coisa, Durbalino!, de nós tu tens pena?
- Eh pá, não. De nós não. É que, sabes, há sempre aquela esperançazita…
- Durbalino Asdrúbal, Durbalino Asdrúbal… Se fosse a ti ia a um especialista… de nomes! Pode ser que a coisa venha daí.
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 1 de Maio de 2009
Feeria subsiste
Avassalador! Arrebatador espectáculo, de uma feeria indizível… Que autor/prodígio fora capaz de tal? : um rol de mutações aleatórias?; a auto-organização?; os dois em parceria num caos harmónico?
Até quando o labor do Mestre?... ou dos Mestres?
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 27 de Abril de 2009
A Ricardina e o Monstro
Embora de um modo bastante subliminar, suponho ser esta a segunda vez que neste blog à minha terra faço referência. É que, para além de generalista, pretendo-o um albergue do ecletismo que é o todo. Não tenho absolutamente nada contra bairrismos, localismos, regionalismos, chauvinismos… palavra!, só que aqui não. Aqui cabe a ecúmena e tudo o que a ela e aos que a tornam o que é diz respeito; aqui cabe o ecumenismo, entendendo o termo no parto mais directo de “ecúmena”; aqui cabe o mundo, como o entendo, o Cosmos… assim me venha à real gana!
Mas o que me fez, afinal, pegar hoje na esferográfica?... Não, não foi apenas o inegável facto de me encontrar a entediar, sabe-se lá porquê!, e de detestar “ Palavras Cruzadas ”. A verdade é que pretendo partilhar convosco uma lenda da minha terra. Ora vamos lá então, sem mais delongas: desde a idade em que jogava ao pião e trocava cromos, que ouço - esporadicamente, diga-se, que não fazem disso obsessão! - gentes da minha vizinhança aludirem à Carpa Ricardina. Segundo a oralidade documental, a esplêndida, embora esquecida, lagoa de água doce – doce, só porque vedado lhe está o sal que mora a escassos metros, do outro lado da duna primária; doce, mas sem açúcar, portanto! -, a Barrinha, onde tantas vezes nadei e pesquei, é, há décadas, largas, habitada por animal tão grande e arisco que, não fora esta confortável singularidade de simultaneidade de qualidades, e já alguém o teria fotografado… ou filmado. Sim, que de há muito que existem meios, e gente de máquinas em riste é o que não falta todo o ano por cima da dita a deslizar em rústicos – ok, senhores conhecedores, a maior parte já são daqueles foleirotes à brava. Eu sei que a Barrinha agora mais se parece com um parque Disney! – barquinhos. Refiro-me, pois à Carpa Ricardina… Que fulano a viu, beltrano e sicrano a avistaram, disso não existam dúvidas! O problema é que, como sabemos, a bicha é arisca… e depois parece que conhece de ginjeira quem fotografa ou filma e se apresenta munido dos respectivos apetrechos. Mais, acho que tem radar que avisa destas coisas!... De maneira que a, dizem, monstruosa mas bela carpa, só aparece de vez em quando e a quem ela bem entende e que ache sozinho, outra das condições pelo animal impostas.
Ora bem, tirando o facto de ainda ninguém do desenho, da pintura, das revistas, dos livros e do cinema se ter ocupado, por uma vez que fosse, da Ricardina; posto fora também, e aqui em jeito de especulação, a questão do tamanho, temos que a Ricardina se encontra para a Barrinha como o mítico monstro nórdico se encontra para o Loch Ness.
… Agora que terminei o texto, é que me dou conta de que há buéréré que ninguém fala nem dum nem doutro. Será que já ninguém alucina!?... Esta saiu-me assim a modos que furtivamente… ou não!
Carlos Jesus Gil
sábado, 25 de Abril de 2009
Ui, tanta coisa!
Passou-se numa Segunda-feira. Não sei de que semana, qual o mês, nem tão-pouco do ano faço a mínima ideia. Porém, que Segunda-feira era, disso não tenho dúvida alguma!... Já agora, que se interrogam, por certo, “ Mas como é que o gajo sabe que foi numa Segunda-feira? “, eu digo-me, “ Pois é, pá eu, como é que eu tenho assim tanta certeza do dia da semana!? “… Só que esta tempestade cerebral comigo próprio cedo conhece o fim, visto eu logo me dizer, “ E eu tenho lá que saber como é que tenho assim tanta certeza!?... Lérias, xô, xô daqui… já! Boa, esta agora!, agora que repenso requestiono-me envergonhado, “ Então podia lá ser noutro dia!?... A uma Terça, Quarta, Quinta, Sexta, Sábado… ou mesmo Domingo!? Não! Claro, cristal, mais que óbvio que não!... Até me dá vontade de rir, carago, mas c’a raio de néscia hesitação!, vou-me repetir: até me dá vontade de rir. Todavia, como de assunto mui delicado se trata, já todos vimos, não?, não me vou dar esse prazer… Não vou! Até porque, cá só para nós, não sou assim tão hedonista! Aconteceu numa Segunda-feira, e pronto! “… E isto é que é o importante, heim?, é ou não?... Ah..., vocês consideram ainda mais importante a questão do que verdadeiramente se passou!... E eu sei lá!? Por que carga d’água é que eu haveria de saber o que realmente se passou? Eh pá, só naquela aldeiazitazinha muita bonitérrima, ali no Parque Nacional da Peneda-Gerês, naquela, estão a ver?, passou-se tão grande magote de coisas, que nem até ao fim do ano…!
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 23 de Abril de 2009
O Cágado velho
Tão avisado, o Cágado Velho; tão enorme a sua sabedoria!... O Cágado Velho é simples, quer dizer, parece, que as perguntas que faz assim no-lo permitem pensar… Sim, é maiêutico, o Cágado velho. Como o outro, tão Velho quanto ele, procura conhecer-se a si próprio e chegar, assim como quem quer mesmo a coisa, a conhecimentos complexos, mesmo à Verdade; como o outro, não regista nada do que diz… sabe que outros o farão. Ao contrário do outro, não é ameaçado pela apologética apologia do sopro do que sabe mas, mais uma vez como o outro, defende a propagação da necessidade do exponencial aumento do saber, pois, como ele, sabe que nada sabe… Como me apraz o desejo que sinto em ser discípulo do Cágado Velho!
Carlos Jesus Gil
terça-feira, 21 de Abril de 2009
A semente de mostarda é pequenina
Não te incomodes, tijolo,
em ser tijolo!
Ai dos aclamados arquitectos,
sim, dos magazináveis,
ai deles
e das transgeracionáveis obras,
contempladas, ou não, agora;
certamente assombrosas amanhã.
Ai deles… e delas
sem ti!
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 17 de Abril de 2009
Só existe trabalho. Ou melhor, o trabalho é omnipresente; sem trabalho seria o nada!
O Universo é trabalho incessante. Nas galáxias, nas estrelas, nos planetas… nada pára, tudo trabalha; andamentos e ritmos diferentes, admitamos, mas tudo toca.
Já pensaram na hipótese de, em qualquer que seja o ser vivo, um órgão resolver descansar um pouco, mandriar? O ente logo entraria em estado de maleita, não é? Então, e se o órgão resolvesse meter férias ou reformar-se?...
Não, não me venham com essas!... Os malandros, os desempregados, os reformados e outros parados também trabalham. Para além dos órgãos que neles laboram – e eles também são os órgãos – só trabalharem porque eles se alimentam, e isso é trabalho, eles exercem a função de dar trabalho a outros – aliás, função acumulável e comum a tudo e todos.
Também as rochas, pois claro; as casas, as casinhas pois!; tudo o que é imóvel e todas as coisas avariadas que, no mínimo, exercem a função de proporcionar trabalho a outros ou a outras…coisas.
Trabalho, eternamente. Daí a Orquestra não parar, nunca!
O Palco?, Esse vive constantemente e perenemente rearranjos.
Carlos Jesus Gil
quarta-feira, 15 de Abril de 2009
As saudades são de quem?
Ao telefone, o namorado, ausente, para a namorada… e vice-versa:
- Olá morzinho!, tudo bem? Tenho muitas saudades tuas!
- Olá môr, também tenho! Mas, espera lá, tens muitas saudades minhas!?
- Sim, muitas mesmo.
- Não me parece.
- Desculpa, tenho montes de saudades tuas. Não duvides!
- Não, eu não duvido dos teus sentimentos. Duvido é da legalidade sintáctica da expressão. Quer dizer, não duvido nada, sintacticamente até nem vejo problema algum, o que eu noto é uma total desvalorização da lógica… pasmaste? Não dizes nada? Môr, há nessa frase uma absoluta desvalorização da lógica, e isso não é legal. Consideras despicienda a coerência?... Continuas pasmado, já vi. Olha lá, a gramática é importante, bué, não supera, contudo, em valor de mercado comunicacional, aquelas duas.
Môr, eu também tenho muitas saudades… de ti, não tuas. Entendes?
- Pronto, pasmei mas percebi. Morzinho, o essencial em comunicação é entendermo-nos, e tu entendeste-me. Quiseste escrever um pequeno ensaio sobre o assunto, né? Tá, só de ouvir a tua voz já se me alegra o coração! Podes avançar para o tratado.
- Desculpa, môr!
- Nada, nada, continua até findar o saldo.
- Olha, vê lá se te despachas, quero matar essas saudades o mais breve possível.
- Eh lá, eh lá, agora sou eu que ensaio: “matar essas saudades!?”.
- Sim, tu não queres!?
- As saudades não se matam, minha querida, quando muito adormecemo-las… ou elas não voltam quando nos separamos de novo? Se estivessem mortas…
- Tens razão, como tudo neste sistema, elas não ressuscitam. Beijinho!
- Beijo grande!
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 13 de Abril de 2009
É o Tempo!
Este é o tempo do aviso…
Possuímos todos os dados
p’ra tomar siso!
O tempo
para dar a conhecer
que só temos a perder
em não abrandar:
no desperdício;
no vício
de só querermos o poleiro,
o muito dinheiro;
na irreflexão;
no querer já
- se for mais tarde não dá -;
na corrupção.
Este é o tempo cerebral…
O tempo das medições e das conclusões.
Foi escrito?... É bem provável!
Carlos Jesus Gil
quarta-feira, 8 de Abril de 2009
Absolutamente deslocado
Agarra coragem, agarra coragem, pá!
Fora necessário imenso tempo. Luas passaram. Apenas pausava o suficiente para se nutrir, lavrar necessidades e dormir. A grande, a enorme tranche fora dedicada ao treino… Lograra, enfim, alcançar. Não o abandonara a timidez, não!, que para além de inata, tivera aquela reforçado alimento décadas, três, a fio. Continuaria, sussurremos!, para que nos não ouça e, assim, nos não leve a mal, a ser timorato ad infinitum. Todavia, graças a trabalho árduo – já aqui levemente insinuado – de treinado e treinador, era agora um homem de coragem. Acanhado, mas corajoso! Pois, o que é que o cu tem a ver com as calças?!... Fica esta questão apenas para aqueles que virem na sociedade acanhado-corajoso paradoxo evidente.
Perneta ficaria a estória, com a qual se pretende relatar a História, se omitida fosse a informação de que o eterno-não-emancipado auto-submetido a ditadura patriarcal não cardinalícia, informação esta apenas para que se não cometa injustiça grossa contra a meritória e digníssima magistratura eclesiástica, era homem de enormes talentos literários e possuidor de cordilheiras de cultura. Não daquelas que albergam simples serranias, não! Daquelas outras do tipo alpino, que a himalaiano ainda não chegara, longe como está da sapiente velhice. Daí que, sabendo-se como era e consciente, que presunção não era, de que o que era e é, que para o Além ainda não viajara, constitui valia de monta grande a uma sociedade carente, não de “eras” e “ques”, que se o era, com o presente texto o deixou de ser, resolvera telefonar a pessoa gozante de grande prestígio no mundo da edição literária, com o fito de conseguir uns minutinhos de conversa – ele nem ousava designá-la, a reunião, de reunião!
Aquiescera, o senhor.
…
- Mande entrar, mande entrar!
- Com licença!
- Faça favor!... Então, o que pretende de facto, senhorrrr
- Abílio Pereira, Dr. Tomás.
- Sr. Abílio, ao certo o que deseja de mim?
- Gostaria, Dr. Tomás, de propor-lhe um ensaio, ou mesmo um tratado, sobre “ a idealização de Sócrates e o utopismo político de Platão”.
- Mas, caro Abílio, muita gente grande já escreveu sobre essa temática. Olhe, estou a lembrar-me, por exemplo, de uma excelente, mesmo exemplar, obra do Vasco de Magalhães Vilhena. Nem é da nossa editora, é da Gulbenkian, mas li e reconheço ali trabalho maior… Não vejo o que poderia vir a acrescentar ao tomo.
- Sabe, há sempre coisas…
- Não, meu caro, não vá por aí!
- Então e se me propusesse traduzir os inefáveis sonetos de Shakespeare?
- Meu amigo, isso é consigo. Aqui é que não. Não dá! Não sabe o douto senhor que um outro Vasco, o Graça Moura, já tal empresa criara?!... e com qualidade isenta, creia, de repreensão.
- …………… Podia ensaiar sobre a mente e o corpo, estou bem por dentro do assunto.
- Então já não o fez tão maravilhosamente bem António Damásio?... e Karl Popper?
Olhe, caro amigo, vejo que dotes e cultura pululam avonde por todo o seu universo atómico, palavra!, mas o que me propõe publicar, por maior qualidade que tenha ou viesse a ter, nada de substancial acrescentaria à firma proprietária destes cadeirões. E, como compreende, sou forçado a levar isso em conta. Gostaria, no entanto, de lhe oferecer uma oportunidade de trabalhar comigo. Se aceitar trabalhar sobre uma ideia que namoro há uns tempos, fazemos negócio.
- A necessidade é minha e o prazer será meu. Projecte a sua ideia, Dr.
- Ora então: trata-se de uma explorar literariamente a incontrolável contrafacção do loiro nos cabelos… de mulheres e homens.
- … Mas, se a genética nunca se queixou…!
Estas palavras já foram sussurradas no sentido da porta.
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 6 de Abril de 2009
Epopeia sibilina
Nascera numa manhã de nevoeiro, que bem cedo levantou, num nauseabundo bairro de uma grande metrópole europeia, daquelas do primeiríssimo mundo que, por isso mesmo, alberga mais que as outras, as de mundos de prata ou de bronze, maior quantidade de caracteres do quarto, não de repouso, daquele posicionamento mundano que o coloca fora de prazo, ai, desculpem!, fora do pódio, intentava eu… Interessa saber qual?, achamos que não, como tal não destoldamos a placa.
Bem, serve o presente microconto para vos dar conta de como a …… …… ….. - pois, se das coordenadas geográficas vos não damos nota, do nome tão-pouco! -, parido às mãos de parteira experiente, enquanto na cozinha ao ladinho aguardava um mar de gente, isto no ano da Graça de 1912, tão depressa desaparecera a impossibilidade de o comparar economicamente a um porco quanto rápido se levantara o nevoeiro que o sentira nascer… Digo-o hoje porque à distância é mais fácil a compreensão: o mesmo se foi por medo do próprio, daquele que ora evocamos. Nunca mais o astro-rei deixara de o servir, excluídas, claro, as horas de não expediente… que o Sol também dorme! Diz-me ainda a distância e palavras, muitas, em papéis, que o ainda vivente …… …… ….. é homem de dívidas tantas e tão imensas, que quem não ouviu da distância nem aprendeu das letras em papéis terá dificuldades acrescidas, mesmo impossibilidade, em compreender o legado legal de milhares de milhões … muitos, que deixa a filhos, netos, bisnetos… Pena é que parte do trecho dedicado às dívidas se encontre envolto, ironia!, em denso nevoeiro. Apenas é cristal a referência à avultada dívida à inteligência, o resto… nada… e tem que haver mais, muito mais! À guisa de adenda, ainda se pode ler no temático documento que nem banca nem consciência são credoras.
Ele ainda anda por aí…rijo que nem um pêro.
Carlos Jesus Gil
sábado, 4 de Abril de 2009
O lugar d'alguns
É fria a noite
lá fora.
Cá dentro, quentinho.
… Este é o meu lugar!
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 2 de Abril de 2009
Criançar/Adultar
Gosto tanto das pessoas que demoram em ser crianças...!; vejo nobreza ímpar naquelas que precocemente se tornam adultas. Gosto dessas ainda mais!
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 30 de Março de 2009
O X, o Y, o Z e outra letra que se lê
Continuação do post anterior ( é conveniente – ou não – ler primeiro o post anterior )
Foi o Miguel, um amigo nosso de Santiago do Cacém, quem lhe dera a volta. Porém, de modo indeliberado. O Miguel, ainda que pareça inverosímil aquela jovem não atrair seja que homem for, só via nela uma amiga. Foi isto mesmo que lhe transmitiu na manhã desse revelador dia de Junho, numa conversa que, segundo Liliana, levara ano e meio para ter lugar.
Bem, o que é que eu podia fazer?... Apenas duas coisas: desejar que ela me desejasse - o que me parecia menos possível do que Pinochet, enquanto vivente presidencial, ter-se tornado um complacente democrata -; e filosofar-lhe um bocadito. Como a primeira já ocupava o meu íntimo, platonicamente, de há muito, resolvi então armar-me em filósofo barato:
- Liliana, para tristeza minha e de milhões de outros, as coisas são assim mesmo. O indivíduo X ama o Y, que por sua vez ama o Z, que não ama o Y, mas sim o X… Liliana, este é o circuito normalmente percorrido. Quando alguém, talvez por engano, sai do circuito, acontece o Supremo Bem-Estar da Felicidade… Só mais uma coisa, Liliana: nunca estudes o circuito!
A minha amiga secou as lágrimas, esboçou um sorriso e convidou-me para uns finitos entremeados com uns saborosos camarões eusébianos.
PS aos amigos não portugueses é curial esclarecer que marisco eusébiano é tremoço.
Carlos Jesus Gil
sábado, 28 de Março de 2009
O X, o Y, o Z e outra letra que se lê
Ela estava triste…, até chorava! Era um bonito princípio de tarde de finais de Junho. Muito sol, temperatura agradável, férias à vista, mas ela estava triste. Triste e sem fome, apesar de nada ter almoçado. Nem a fatia de vieneta, de que tanto gostava, se atrevera a comer. Tal era o fastio!Eu cirandava por ali, de esplanada em esplanada, junto à praia, quando a vi. Acenei-lhe vivamente, mas ela apenas ensaiou um tímido e preguiçoso gesto com o braço direito… Aquilo não era normal. A Liliana?!..., tão alegre, tão jovial, tão, não raro, prolixamente frenética, tão senhora de si… Coisa estranha e indesejada habitava, de há pouco, tinha a certeza, o espírito da minha bela amiga. Não, havia ali coisa sim senhor. E eu tinha que indagar sobre o que…, e sem delongas. De modo que, num ápice, safei-me do resto do fino que consumia, disse “ até já “ aos meus companheiros e dirigi-me à muralha, cujas esquinas Liliana ajudava, de momento, a polir.Enquanto atravessava a estrada pensava na noite anterior; em muitas noites e muitas tardes passadas. Aquela rapariga sempre transbordara de alegria, sempre fora a origem de autênticas cheias de boa disposição. Toda a gente adora estar junto dela, desde as amigas, que são muitas, aos amigos e admiradores que, de tantos serem, só mesmo com calculadora… Se, de facto, neste nosso mundo não é descabida a busca pela perfeição, por a ele, apesar de rara, não causar estranheza; se, efectivamente, aquela não se resumir a mais um utópico desígnio da humanidade, ela é a sua personificação. Do mais belo por fora; invejavelmente atraente por dentro; Q.I. à Sharon Stone!... Mas, então o que estará a passar-se? Serão problemas de saúde?... Não tive tempo para mais conjecturas, pois de repente encontrava-me frente-a-frente com a doce (na hora, como já vimos, nem por isso) Liliana.- O que é que se passa, queriducha?“ Olá! Nada, não se passa nada. “ – mentiu ela descaradamente.- Olha, acredito mais depressa na vitória do Sporting no campeonato do que na informação contida na tua resposta. Aliás, não é necessário analisá-la ao pormenor, parâmetro por parâmetro, em termos de som e de emoção – muito embora o esforço posto no disfarce -, para chegar à conclusão de que se passa mesmo algo…, e algo não despiciendo. Queres que acredite que não se passa nada de errado contigo, quando te vejo, pela primeira vez, triste e com urgente necessidade de uma remessa grande de lenços de papel?... Vá, presenteia-me com um sorriso! Vá, nem que seja ele enganador, que, desde que potenciado por esses teus lindos olhos, já os meus ficam lavados, libertos de qualquer impureza!“ Lindos olhos?!... Só tu é que vês isso. “ – retorqui ela com a mágoa estampada nos próprios.- Ah, então é isso! Quem é que conseguiu tal proeza?“ Que proeza, Rui? Deixa-te de coisas. – ela não desarma.- Então, aos dezanove anitos alguém, que eventualmente nem procurou muito, encontra a chave do teu coração. Estava magicamente escondida; com magia foi encontrada!“ Ó Rui, já te disse, pára com isso! – a renitência continua.- Vá lá, temos que ser uns para os outros. Não confias em mim, é isso?… Ela confiou. Aliás, já tinha essa certeza comigo antes de emitir a questão. Somos unha com carne; alho com bacalhau; sei lá!...
Continua (um destes dias)
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 27 de Março de 2009
O mapa
Comprei um mapa do mundo, escala 1/1750000. Depois, comprei um da Europa, tendo de enfiada adquirido um de cada um dos restantes cinco continentes…, sim, a Antártida não ficou de fora! Nestes, depois de cuidada triagem, optei pela escala de 1/500000.
Continuei a comprar, do mundo… dos continentes. Só a escala variava. Ia exigindo escalas cada vez maiores.
Passei a comprar de países, de todos; de cidades, todas; de localidades…, todas elas. Como sempre, começava por escalas pequeníssimas, acabando nas maiores disponíveis. Cheguei mesmo a adquirir material cartográfico à escala de planta de habitação… A praia era, nestas consultas, o meu escritório.
Continuei a comprar mapas de toda a ecúmena…, mesmo da não ecúmena, só as escalas variavam. Sim, sempre cada vez maiores.
Fui a todos os países; a todas as cidades; a todos os lugares… ao calhas, à sorte. Nem um mapa!!! Cheguei, até, a fazer uma segunda ronda, consultando, desta feita, os mais experimentados taxistas.
… E nada! Não encontrei!
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 26 de Março de 2009
Nem tudo o que vem à rede é peixe!
Também com o objectivo de divulgar o blog, comento notícias no Expresso online… semanário – aqui, obviamente diário – de referência.
Eu, pr’a mim: eh pá, vai lá e divulga! Não custa nada, inscreves-te; comentas as notícias e depois apelas a umas visitinhas ao blog. Hão-de aparecer verdadeiros leitores, daqueles com substrato intelectual tal que, ao comentarem, indo ao encontro ou contra o que escreves, te ensinam… Te ajudam a crescer. Bem sei que podemos crescer com todas as experiências e todos os interlocutores, mas foi assim que eu me disse. Pronto, obedeci-me! Por lá tenho andado a comentar e a divulgar… e os resultados até que têm sido bastante satisfatórios (digo eu!), tão razoavelmente bonzinhos que até tenho esquecido que - logo eu, que sou de terra de pescadores e que os tenho na família – nem tudo o que vem à rede é peixe. Vai daí, acontece que a rede Expresso que lancei a noite passada não trouxe pescado. No seu lugar veio lama, muita, e limo. Pessoal, mesmo rede de alta qualidade, em águas seguramente nutridas e habitadas, não assegura boa pescaria. Mas as coisas são assim. Moços, até que nem estou danado, mas se ao menos fossem uns jaquinzinhos, umas petinguitas ou mesmo umas lacraias!...
Carlos Jesus Gil
terça-feira, 24 de Março de 2009
Dois amigos cruzam-se
Um deles vai cheio de pressa; o outro nem por isso:
- Eh pá, aonde vais com tanta pressa?
- Eh Manel, vou ali, pá. Aqui já não se está nada bem!
- Lá isso é verdade, se não fosse cá por coisas também eu dava o fora… Mas, já agora, porque é que não vais antes acolá? É que ali é quase aqui, não sei se estás a ver!
- Pois, o problema é que não estou habituado a saltos tão grandes!...
E lá seguiu o Joaquim, a sua curta mas inadiável viagem.
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 23 de Março de 2009
O sentido da vida em Woody Allen
Em Woody Allen, a vida só tem sentido, só é digna de ser sofrida se houver permanência; se tudo não estiver destinado ao desaparecimento absoluto…; se houver um final feliz; se… se existir Deus. É, o absoluto sentido da vida reside, afinal, no final feliz. Não importa tanto o caminho; este deverá não ser mais do que instrumental, um meio para chegar à meta. Meta, é disto que se trata. A existir esta, a vida tem sentido.
Carlos Jesus Gil
sábado, 21 de Março de 2009
O porquê dos prémios
Eh pessoal, sabem por que é que a malta da administração da AIG e de outras empresaszonas do desenvolvidíssimo orbe ganharam aqueles prémios chorudos mesmo depois do descalabro das mesmas?... Fácil: estavam a jogar ao “perde-ganhas”!
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 20 de Março de 2009
Distribuição
De barriga cheia?... Fácil, muito fácil!... A fealdade sempre fora apanágio deste sistema porque muitos, ai tannnnntos!, nunca a conseguiram encher. Vá, salvemos as raras excepções!... A característica, porém, continua.
Então?!... Matemática. Recorramos à Matemática! Sejamos tenazes, pois tarefa fácil não se mostra… aprender a apreender a difícil operação da divisão… Logo após, não esqueçamos que a prática faz a perfeição!
Depois pensemos no que diz o outro: “ Tudo debaixo do Céu”!
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 19 de Março de 2009
Crise de Valores
Sabem os Pensadores, que na origem da crise financeira que redundou nesta crise económica e até já social e até já política, se encontra uma crise de valores. Este tipo de crise, tão inata ao neo-liberalismo, teve o condão de nos mostrar como as coisas podem ser se não se investe – a montante, a jusante e no espaço intermédio – fortemente em Axiologia… Já em 29 do século XX as coisas assim se passaram, em termos de génese… A memória é curta, e o pessoal não tem grande afinidade com os livros de História… as histórias é que sim, essas podem ser bastante agradáveis! Vá lá, já não é nada mau! Letras são letras.
Sabem os Pensadores, sei-o eu agora… sabem-no muitos mais por esse mundo afora. Depois do conhecimento do que se está a passar em gigantescas empresas norte-americanas, a AIG, por exemplo, cujas administrações receberam milhares de milhões (eles dizem biliões!) de dólares do erário público a fim de não caírem no abismo, mas aplicaram a sua quase totalidade, não na salvação das empresas mas no pagamento de prémios aos seus quadros – porquê prémios?! -, quem é que não sabe?
Carlos Jesus Gil
quarta-feira, 18 de Março de 2009
Eh pá, tudo bem?
Acontece aos montes:
- Eh pá, tás bom?
- Eh Jorge, pá, tudo bem?
… E cada um seguiu o seu caminho.
Pergunto eu, que sou curioso: o que é que ficou cada um a saber da qualidade do “estar” do outro?
Pois!...
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 16 de Março de 2009
O menino do papá
O MENINO DO PAPÁ
Mais ou menos como o vou fazer, um senhor da minha terra conta há anos esta brilhante anedota, que classifico de parábola, sobre a ditadura a que se sujeitou um pai anos a fio. A mesma pode, obviamente, levar horas, dias, meses, anos – o record está nos nove meses – a contar. Vou tentar abreviar a coisa.
Então, habituado às vontadinhas todas, o Ricardito, hoje com doze anos, faz da vida dos pais – especialmente da do pai – pena pesada:
- Ó pai, leva-me ao café contigo!
- Não, que tens que fazer os deveres.
- Ó pai, leva, leva!
- Ricardo, já te disse: não!
- Pai, leva (a gritar), leva, leva-me ao café contigo! Leva (a gritar, calculista, porta aberta, virado ao condomínio), leva, leva!
- Pronto, está bem. Cala-te lá e vem daí. Mas é para te portares bem… não vais pedir nada!
- Sim, eu porto-me bem. Não peço nada e não saio de ao pé de ti.
- Ah, assim está bem!
Já no café:
- Pai?
- Sim!
- Compra-me um chocolate!
- O que é que combinámos, Ricardito?
- É só um.
- Não!
- Eu quero um chocolate, eu quero um chocolate (gritos volumosos), eu quero, eu quero um chocolate!
E os amigos do pai, enfadados com o já mais que conhecido panorama, a olhá-lo complacentes… Se fosse com eles!...
- Ok, qual é o chocolate?...Ficas a saber que amanhã não vens!
E os amigos do pai, sempre complacentes mas a rirem, ou não, por dentro.
- Tá bem, não me importo. Quero aquele chocolate grandão com amêndoas!
- D. Maria, dê-lhe aí o chocolate, por favor!
No dia seguinte, depois da janta:
- Ó pai, leva-me ao café contigo!
- Nem penses!
- Eu hoje porto-me bem.
- Menino, já disse: nem penses!
Directo ao condomínio, aos berros:
- Ó pai leva, leva, leva-me contigo ao café!... Leva!
Os vizinhos, ainda que afastados da leveza de espírito fossem, já nem faziam caso.
- Anda, desgraçado, vem daí!... Mas o que é que eu fiz para merecer isto?!
Enganou-se na questão, o bondoso pai. Era mais assim: mas o que é que eu não fiz para merecer isto?!... Penso eu, que estou de fora.
Bem, a caminho do café, depois da repetitiva cena - que mais parecia ensaio de péssimo actor, pois tantas eram as repetições! -, o pai fora “obrigado” a comprar-lhe um jogo novo para a Play Station e, já no café, um Magnum Double.
…
Os dias passavam, os meses passavam, as cenas repetiam-se.
Pouco antes de completar treze anos, o Ricardito, em pleno café da D. Maria, diz ao pai, alto e bom som, que quer merda… isso, leram bem, merda! Vejamos:
- Pai, paii?
- Sim!
- Quero merda.
O quê?!
- Quero merda, não ouviste?
Tchap… A primeira estalada, em quase treze anos, que aquele pai dera àquele filho.
- Mal-educado!... Rapazes, desculpem, por favor desculpem! Vocês sabem como ele é… Mal-educado! A partir d’hoje acabou-se. Não sais mais comigo!
A gritar, guturalmente, em pleno café:
- Eu quero merda, eu quero merda, eu quero merda!
- Tá, pá. Vem daí!... Queres merda, vais tê-la!
Agarrou nele pelo braço, com força, nunca a razão se lhe toldara tanto… ou talvez o contrário, agora que pensei melhor!, e arrastou-o para casa. Uma vez lá, faz-se à casa de banho. Esta encontrava-se ocupada com a necessária ocupação da esposa em realizar necessidades fisiológicas de carácter sólido. Veio a calhar!
Pede o senhor Francisco à D. Isabel:
- Isabel, quando acabares não limpes a sanita.
- O quê?
- Não limpes a sanita, por favor!... Depois explico.
Aliviada e já na sala de estar, a esposa questiona o inusitado pedido do marido. Este responde-lhe “ já vais ver”.
Foi à sanita; com uma concha da sopa, daquelas bem grandes, retirou uma bela porção da bem cheirosa.
- Pronto, aqui tens!
- Mas eu quero merda frita.
- O quê, malvado?!
Corre o miúdo, e já no condomínio e a gritar:
- Eu quero merda frita, eu quero merda frita, eu quero merda frita!
Desta feita os vizinhos acorreram à porta.
- Certo, meu bandido, certo. Vem cá!
Pega numa frigideira; mete-lhe um tudo-nada de óleo vegetal; acrescenta a dita; acende o fogão e zás. Em cinco minutos estava a merda frita e bem frita.
- Aqui tens. Merda frita!
- Eh pai, prova!
Segunda estalada.
Sempre a gritar:
- Eh pai, prova, prova, prova, prova, prova!
- Tá bem, desgraçado, vou provar…
E provou!
- Pai, é bom?
- Claro que não, sua besta!
De novo aos gritos:
- Então não quero, eu não quero, eu não quero merda, eu não quero merda frita!
Carlos Jesus Gil
sábado, 14 de Março de 2009
Cinismo, até sim... hipocrisia não!
…
- Mas, chefe, será que não dá mesmo pr’a eu ficar… mesmo com menos horas? A empresa, sabemo-lo, até que tem tido imensos lucros. Só agora as encomendas amainaram.
- Senhor António, sei que o senhor tem aqui muitos anos de serviço e que ainda não criou os filhos todos, sei disso. Falei nisso ao patrão, mas ele diz que não pode fazer nada por si. Nem por si nem pelos colegas que já aqui estiveram. Alguém tem que sair, senhor António. Diz o patrão, que se não mantiver este nível de rendimento não pode alimentar os desejos a que habituou os filhos. Que os filhos não têm culpa que os tenha criado assim. O do meio, por exemplo, quer juntar à colecção o último modelo do Porsche Carrera.
E mais disse o patrão ao chefe, que o sei porque estava lá, calhou, e ouvi: diga-lhes, senhor Américo, que prefiro ser cínico a hipócrita. Diga-lhes a verdade!... Os meus filhos têm direito àquilo a que os habituei. Eles não têm culpa.
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 13 de Março de 2009
Blog subnutrido
Sabem?...quando a gente está em casa, cheios de fome, mesmo cheiinhos, e não tem nada pr’a comer? Quer dizer, o ter até temos, estão lá, num saquito de plástico em cima duma prateleira onde param umas garrafitas de gasosas e afins, dois papo-secos…rijos, mesmo secos. Sabem?... Assim está o meu blog hoje, cheiinho dela, larica da bera, e eu sem nadinha, ou quase…Que se fique com este naquito de broa – quase estufa de bolor -, e já é um pau! Vá, mastiga devagar, “real” cabo das tormentas, deglute bem! Não estamos em tempo de estragação.
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 12 de Março de 2009
Era eu Garçon
Naquela qualidade, ouvira eu:
Ela acicatou a minha leveza. Conhece-a bem, sabe quão frágeis são os aloquetes da jaula que é a minha consciência. Ela é sabedora disto, tanto ou mais do que eu. Ainda assim, não perde uma oportunidade, por pequena que seja e inusitado o momento, de exortar o meu já avonde exacerbado estímulo por semelhantes… a ela. Mais, não ignora o ignóbil ser que, tratando-se dela – qual original comparado com cópia! -, a coisa é elevada a potência n (não sendo, muito pelo contrário, despiciendo, o n, pois acarreta sempre multiplicação vultuosa). É conhecedora de todos os meus botões; tão bem como as suas mãos, conhece o meu painel de controle…
A desnaturada mui amada (mas que amor?!, paixão, só paixão turva tanto o entendimento) usou e abusou, usa e abusa (na verdade, que excelentes os seus usos e abusos!...) e, qual maré baixa a suceder à alta, vai-se… Vai-se, e eu, ao contrário do que adivinho no afastamento do mar, com ela nada; some-se não sei para onde… Sim, ela volta, mas quando quer (ou será quando pode?), e eu a querer que ela queira rápido… Também, doutro padrão ela não carece, pois aqui o labrego, volte ela num ápice ou luas leve a voltar, definha de braços abertos, pronto a sufocá-la.
Era assim, como supra mencionei. Regressou-me a lucidez: os braços vão estar fechados, para ela, na sua ausência. Quando tornar, na milenar qualidade de amante estará.
Desculpe, proferi eu enquanto lhe servia outro beirão com três pedrinhas de gelo, então ele há lá condição melhor?!
Olhou-me, demoradamente, sem me ver, e retorquiu : responder-lhe-ei daqui a umas luas.
Carlos Jesus Gil
quarta-feira, 11 de Março de 2009
Brutal Brutalidade
É brutal a brutalidade do ignóbil ser que dedica tudo a ver mas não enxerga nada; o tempo que gasta é perdido, pois só conhece um sentido: o seu, que é o meritório, tão… que não envolve contraditório. Encarregar-se-á o tempo e o homem, igualmente arrojado mas amplo na cogitação e regular na respiração, expirando só depois de ter inspirado, de propor novas veredas e modernos (futuros velhos) caminhos.
Carlos Jesus Gil
terça-feira, 10 de Março de 2009
Foi apenas um sonho
Acabara de nascer
dotado de omnisciência…
Mal abrira os olhos, cá fora,
logo a instâncias
chorara copiosamente para regressar
ao ventre.
Chegara, até, a rogar
à minha mãe pr’ abortar.
Ah hum, foi apenas um sonho!
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 9 de Março de 2009
Direito (torto) Internacional
DIREITO (TORTO) INTERNACIONAL
Dia 23 de Março de 2007, as autoridades dos Estados Unidos da América emitem um visto de autorização para viajar até Nova Iorque ao presidente do Irão, para que, na sequência do problema suscitado pelo desenvolvimento da tecnologia nuclear que este país quer levar a cabo e que a Comunidade Internacional quer travar, vá prestar esclarecimentos na Organização das Nações Unidas (ONU).
Questão: Então não deveria ser a ONU território mundial?!... Se o é, e porque não dispõe em espaço contíguo à sede de um aeroporto, não deve qualquer cidadão que tenha que discursar, prestar esclarecimentos ou realizar qualquer outra função legal, ter “livre acesso”, ou seja, não necessitar do visto de um país, um só país?!
Direito ou torto?
Carlos Jesus Gil
domingo, 8 de Março de 2009
Eu e os meus botões
A aparência prostibular daquela coisa deixou-me intrigado, mesmo indignado… e de mal com os meus botões. Então, digo eu, a dignidade das funções estatais que ali são realizadas não implica uma maior sobriedade e adequabilidade das instalações, do próprio edifício? Por fora, ainda vá, agora por dentro!… Que não, dizem eles, os meus bem tratados botões – que os prefiro aos fechos éclairs -, sempre esmerados e bem cosidos – não por mim, que quando uma vez mo mandaram fazer corri de imediato para a prateleira dos tachos, e, já um ia meio de água a caminho do fogão quando, em justa zombaria, me fizeram ver que o perigo de coser um botão é a picadela e não a queimadela -, que não, que nada de mal viam naquela arquitectura, muito pelo contrário... eu, continuaram, estou é a ficar conservador… Conservador eu?!, eu, sim, e muito, eles. É uma pena, quem tu eras!..., eles.
Das milhentas vezes que com eles privara a muito sós, nunca como desta vez uma discussão chegara a tal ponto, nunca se atreveram eles - e unanimemente! – a classificarem-me de conservador. Eu, todo feito com os revolucionários, tão p’á frentex, tão amigo de que as coisas mudem… para melhor!
Fiquei triste com os meus botões. Já tinham ouvido e visto tanto de mim, e, ainda assim, consideravam a hipótese de algum dia eu vir a tornar-me conservador!... De maneira que me senti na obrigação de ripostar. Recorrendo a ensinamentos musicais que outrora me foram ministrados no Conservatório Gulbenkian em Aveiro, pausei (que pausa também é música)… depois melodiei, sem apoio harmónico, que sozinho era: nobre, o trabalho/ nobres as funções/ dignifiquem a pauta/ senhores musicosões/ o povo é quem paga, sempre/ o papel, a tinta, a obra, a orquestra inteira, as instalações/ criem com talento/ criem condições… melodiei, em duas notas e figuras várias melodiei para os meus botões.
Carlos Jesus Gil
sábado, 7 de Março de 2009
Merda que não cheira a ela
Merda por todo o lado, avonde. Sei, nem sempre damos conta, é que há dela que não cheira a ela.
Por um lado, isto é mau… arriscamo-nos a meter a mão em coisa que percebemos limpa, mas que… - depois são as inconveniências de mexer na merda! -; por outro, é bom… a consciência do facto obriga – a fim de idónea preparação – a um estudo aturado, ao apuramento da agudeza de espírito e a um culto da perspicácia.
Merda que não cheira a ela _____» motor de desenvolvimento.
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 6 de Março de 2009
Acerca de Televisão
Um elevadíssimo responsável pela gigante privada francesa TF1, afirma: “ A principal função da minha Televisão consiste em ajudar a Coca-cola (apenas um exemplo) a vender o seu produto. Para que uma mensagem publicitária seja apanhada é preciso que o cérebro do telespectador esteja disponível. As nossas emissões têm por vocação torná-lo disponível, isto é, diverti-lo, distendê-lo, preparando-o entre duas mensagens. O que nós vendemos à Coca-cola é tempo de cérebro humano disponível. E não há nada mais difícil do que obter essa disponibilidade. “
Ora, fácil, demasiado fácil de encontrar a origem pimba das Televisões generalistas. Mesmo as que o não eram, passaram a sê-lo. Não existe outra forma de governo de uma empresa privada desta natureza – têm que criar “ disponibilidade “ no cérebro humano. E como é que esta se cria? Não é certamente com programas que suscitem elevada reflexão. Elas criam programação que não forma cultural e intelectualmente um indivíduo, porém, entretêm-no, divertem-no, criam-lhe disponibilidade no cérebro.
É essa programação (que não cultiva e não fornece conhecimento ao indivíduo) que os anunciantes pagam; é essa disponibilidade de cérebro humano que é paga.
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 5 de Março de 2009
Provocação
Provoquei-a, por acinte.
Nem cavaco ela me deu;
tudo por igual correu,
sem nobreza, sem requinte!
Provoquei-a, reiterando!
Que a ventura que produz
e a beleza que induz
são miragem ribombando.
Provoquei-a sempre, sempre…
Cuspi-lhe toda a verdade:
perdi minha mocidade!...
Ela riu, riu de contente.
É mister não sermos crentes:
há gentes, gentes e gentes!
Carlos Jesus Gil
quarta-feira, 4 de Março de 2009
Non sense/Yes sense
Confesso ter uma predilecção especial pelo non sense. Não se trata apenas de, pelo menos no que a mim concerne, o non sense exigir somente uma colina enquanto o yes sense exige, no mínimo, o “Monte Branco”. Não, não é apenas esse o substrato desta minha vocação. Eh pá, pessoal, então não é tão atraente toda aquela mística inerente; toda a incongruência possível; a palermice fantástica, tolice mesmo!; o dar sempre a volta à situação; o dizer sim, se para aí se estiver virado, ou não, se não não nos apetecer; o perceptivelmente dar o dito por não dito, sendo, em termos tácitos, muito outra a situação… pois, fazer uso da ironia até mais não!; o ser-se franco sempre ou nem por isso, e poucos dando conta disso; o nunca ser directo; o ser (dis) ou (indis)… creto; o ser-se exorável ou ine… em tom profundo; o ser-se, enfim, como o Mundo?... Eh pá, pessoal, então não é?!
E depois – ainda mais esta! -, os cinco não dão conta de tudo!
Carlos Jesus Gil
terça-feira, 3 de Março de 2009
Poesia/Filosofia
Um Poeta é um Filósofo Esteta.
Já repararam no quanto de Filosofia encerra a Poesia de Pessoa, Shakespear, Ruy Belo, Dante, Eugénio de Andrade, Camilo Pessanha, Sá Carneiro, António Aleixo – sim senhor! –,Yeats… e de tantos, tantos outros estetas do Pensamento comunicado?
Bem, convenhamos, todos os grandes escritores são prolíficos em Filosofia. Na Poesia, porém, subsiste uma Arquitectura de Pensamentos, uma Espiritualidade estética e peculiar criadora de tantas Religiões ( que, homem que a vive reza! ), tornando o Poeta ( via talento e tormento ) um emissário do Supremo.
Bela é a Filosofia proveniente das Ciências Físicas; bela, ou belíssima, é a Filosofia que nos chega do seio da própria Filosofia; nenhuma, porém, alcança a beleza estética da que brota da Poesia!
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 2 de Março de 2009
Detergente pr'a Registo Criminal
Certa vez vi um pêro a correr furiosamente na direcção de uma banana, a qual, esbaforidamente, o que podia fazia no sentido de aumentar a distância entre… Não conseguira, no entanto, a branda banana o enunciado intento, tendo então sucedido que, ao encontrar a dita, o pêro se deu, literal e violentamente, àquela… Foi aí que realmente percebi que banana é mesmo banana!
Depois perguntei-me: serão casal?... Não tardou que me respondesse algo que, sinceramente, já esqueci. Não, não significa esta ausência de memória que ausente fosse a importância da resposta que me dei. Mnemónica, não tenho ido aos treinos!
Bem, conto-vos isto hoje tão só porque verifico, sem recorrer a qualquer juízo de valor, que o detergente pr’a Registo Criminal usado na altura do facto – há uns meses, não muitos, atrás – está a ser retirado do mercado e a ser substituído por outro menos poderoso, mas também menos pernicioso para o ambiente… social. Significa isto que, uma vez banido do mercado tão atávico e poderoso produto, certas nódoas criminais, como por exemplo a que tão complicadamente vos descrevo, muito mais tempo levarão a ser retiradas do respectivo Registo.
E vai daí que, pois e tal e coiso e eu meto-me em cada uma! Pois, o melhor mesmo é ir consultando o Diário da República… ou as prateleiras dos supermercados!
Carlos Jesus Gil
domingo, 1 de Março de 2009
Noite; dia; princípio... de tudo
Noite,
és tão velha
que ninguém, jamais,
te viu nascer.
Dia,
como a noite,
só há testemunhos
do teu acordar.
Carlos Jesus Gil
sábado, 28 de Fevereiro de 2009
O Congresso do Partido Socialista
Outro PS o presente post é eclético, em termos político-ideológicos.
A Política é um jogo de contrapartidas e chantagens!
POLÍTICA
No sistema iníquo em que vivemos, os políticos não podem prescindir de dois instrumentos fundamentais: as contrapartidas e as chantagens.
Por mais idóneo, mais íntegro que seja um político, existirão sempre situações em que terá que recorrer a estes instrumentos - isoladamente ou em conjunto -, sob pena, caso o não faça, de não conseguir alcançar as grandes causas a que se vai propondo.
Na Política, como, de resto, nas demais actividades da sociedade, a concorrência é uma constante, e cada vez mais global. É imprescindível concorrer em paridade, usando instrumentos que, no mínimo, não sejam inferiores aos da concorrência.
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009
Um dia à tarde, já bem perto da manhã
…
- Ai que laranjas tão docinhas ali vão naquele camião que tão suavemente desliza sobre o alto cabo de muito alta tensão!
… E a assembleia toda a olhar… para o ar!
Um, da assembleia:
- Mas, como é que tu sabes? Nunca as provaste!
- E tu, como sabes tu que eu nunca as provei?
Outro, da assembleia:
- Deixem-se mas é de lérias! Nós nem sequer existimos… Existo eu, e aquele, e o outro atrás dele, e aquele ali, e o que está ao lado dele, e o que está ao lado seja de quem for mais a sua referência de localização… e tu que atónito me fixas… Agora nós?... Nós não existimos!
E assim continuaram pela tarde fora, surrealistas e existencialistas, enquanto aguardavam o pequeno-almoço.
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009
O inevitável não nega a oposição!
Rodeiam-nos disparidades em todos os sectores… Por vezes, abomináveis disparidades! Não devemos habituar-nos a elas, temos, no mínimo, de nos esforçar por isso!
Tolice seria, também, iludirmo-nos (bem sabemos o que foi e o que será…), mas a mitigação é o almejo racional, como tal é mister opormo-nos ao teatro instalado. Por si só, tal acto provocaria, certamente, mudanças – pequenas (os átomos também são pequenos e resultam, quando percorridas as devidas veredas, em majestáticas enormidades) mas boas – nos actos do mesmo.
Desprezível displicência! Anacrónica abulia.
Carlos Jesus Gil
quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009
E esse Carnaval, como é que foi?
Olá, como vão? Esse Carnaval, como foi?
Uns dias de ausência, e não é que a saudade assomou?!
Não, não fui ao sambódromo carioca, como aventou, em comentário ao post anterior, o grande amigo Dragão Vila Pouca; não fui foliar, quer dizer, até que foliei… e bastante, contudo encontrei-me, principalmente, veementemente embrenhado na função de ruídar música, muita música pr’a galera dançar!... Coisas do Carnaval… e de quem musica. Muita música dei eu!
Mas vamos ao que interessa: querem contar-nos como foi o vosso Carnaval?... Vá lá, não custa nada!
Cá vos espero!
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
O preço das viagens
O PREÇO DAS VIAGENS
Lembrei-me hoje de que já não viajo, em lazer, há muito tempo. Cinco anos e alguns meses passaram sobre a última de algumas viagens que empreendi por esse mundo afora.
Instantes volvidos, tive a consciência epifanica de que não é bem assim. É que, paradoxalmente ou não, nunca deixei de viajar em lazer!... Aos sítios onde fui e que vivi regresso constantemente, sempre que necessito de me ausentar. Passo quase todos os dias largos minutos de deleite, sempre intenso, nesses pontos do orbe. Viajo à velocidade da luz de um ponto para o outro.
São pílulas de prazer de efeito perene, essas que não se encontram nas farmácias, mas nas agências de viagens!
A consciência leva-me a admitir que me enganava quando julgava altamente dispendiosos os meus devaneios viageiros. Caros?!...Não, do mais barato que há…,pois se só paguei uma vez e viajo sempre! Então, quando, pejado de prazer, falo delas aos meus amigos, o que é isto?... Se isto não é viajar em lazer!…
Menos de um cêntimo foi quanto me custou cada viagem; e, se viver muito, muito, muito – digo viver -, não temos moeda que se adapte ao preço.
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009
O pasmo
…
- Isso é o que tu dizes.
- Pois é, mas eu também posso dizer que o que tu dizes é o que tu dizes.
- Então diz!... Vá, anda, diz!
- E digo, e digo!
- Então diz, pá!
- Pronto: isso que tu dizes é o que tu dizes!
Entretanto, olhando para a mesa repleta de garrafas e de copos, o dono do bar, um senhor conhecido e amigo, indaga:
- Pessoal, esta loiça é cá do bar ou é vossa? É que se for cá da casa vou arrumá-la.
O pessoal pasmou!
Carlos Jesus Gil
quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009
Ser e parecer
À nossa sociedade importa muito mais o parecer do que o ser. Daí que muitos, os mais espertos, se limitem a representar.
Os outros, os que são, são-no porque não estariam bem de outra forma, ou, então, porque lhes é mais fácil ser do que parecer. É que parecer, para além de exigir talento, encerrar a sua arte, também dá trabalho.
Carlos Jesus Gil
terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
2+2=5 II
Riqueza, desenvolvimento implicam diversidade, interacção, complementaridade!
Daí que fique todo contente quando recebo, acerca do texto postado, comentários o mais díspares possível. A riqueza de interpretações fascina-me, chega a inebriar-me!
Pois, em verdade, nem eu sei o que quis dizer com todo aquele arrazoado. Sim, o que significa aquela trapalhada toda?... Sei lá!... Não sei, palavra!... Ah, com futebol – apesar das referências – não tem a ver, juro-vos!
Então, e com o objectivo de reiterar o não significado, ou pelo menos a apologia da significação plural, aí vai uma reformulação da charada… desculpem!, trapalhada:
2+2=5 II
Era uma vez um casal. O homem era tão gordo tão gordo tão gordo, e a mulher tão magra tão magra que quando estava de frente parecia que estava de lado e quando estava de lado não se via, e sempre que se sentavam à mesa o avô dela jurava que nunca mais nadava no mar das caraíbas, enquanto o tio dele clamava bem alto que, assim sendo, filmes de cow-boys nunca mais!
De modo que o filho mais velho do pai dele, que tinha sido parido pela sua mãe mas não pela do irmão, era totalmente careca.
Quantos aos meninos, melhor, quanto à menina de onze e ao menino de nove, que não tinham nada a ver um com o outro e nem sequer o recém-eleito presidente americano sabe jogar às escondidas, nunca souberam como se calcula o preço do último cd dos Sistem, sabendo que três quartos de Quinta do Cabriz custam 3.5€ e um guiador de bicicleta verde 17€.
Muito importante, demasiado mesmo: a bicicleta tem que ser BMX… se não, é um problema!
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009
2+2=5
Era uma vez um casal. A mulher era tão gorada tão gorda tão gorda, e o homem tão magro tão magro que sempre que se sentavam à mesa o avô dela nunca comia salsichas ao pequeno almoço que, lá pelas bandas onde morava, era sempre composto de grande naco de toucinho salgado e duas taçonas de vinho tinto… Do alentejano? Não! O automóvel que usavam pertencia a um senhor do Norte, um minhoto, dono de uma quinta na Bairrada. Os aviões não paravam por lá, mas não havia Segunda-Feira em que não se sentissem as repercussões das más arbitragens, apanágio do nosso futebol. E vai daí…
Carlos Jesus Gil
domingo, 15 de Fevereiro de 2009
Fonte de soberania
Um olhar aturado sobre as acções e as reacções dos políticos mostra-nos o quão condicionadas estão as suas decisões, pelo comprometimento da sua condição futura.
Passa-se isto a nível do pequeno burgo, do burgo maior e do agregado destes. Aqui, por exemplo, um sem número de reuniões – formais e informais -, conversas de corredor, de restaurante, de café e, até, de hall de entrada…precedem a aprovação de uma simples –ou complicada…- directiva. É que, quem negoceia não objectiva o bem global, ou, ainda que este o mobilize, pensa sempre, primeiramente, no do seu país, isto é, no seu, no seu particularíssimo bem, pois se a nação que lhe delegou poderes sair a perder, ele, negociador (qual mercador/feirante regateando o melhor preço!, gorando, todavia, as expectativas que viajaram consigo…), vai, sabemo-lo, sofrer tácito castigo – que os outros, os que delegam, também o hão-de sofrer, a seu tempo, claro. A não ser que… É que isto dos que delegam tem muito que se lhe diga; ele há aqui outros recursos, variadas ferramentas, de modo que não é limpinho recorrer em casos tais a pura extrapolação. Quem desconhece que, pelo menos a partir de determinado timing, não há decisão governamental que não careça de prévia inquirição (vulgo sondagem)? Atentos, sempre atentos aos números que o quarto (quarto!?, vejamos se não é o primeiro, vejamos!) poder se encarrega de, regularmente, lançar à liça. No pequeno burgo só a escala muda, o resto… tem o mesmo cheiro.
Todos temem o futuro (claro, quem é que não!... a ditadura do futuro tem governado o mundo do homem em todas as suas dimensões. À guisa de um “ estás perdoada”, clamemos: não és a única, política, a submeteres-te à ignóbil ditadura, bem te compreendemos!) da sua figura e da dos seus.
Ora, mas quem atemoriza assim tanto os nobres políticos? O povo, com certeza! Esse colectivo tirânico, despótica horda de… pagadores: de estradas, luz das ruas, de escolas, dos hospitais, dos tribunais, dos edifícios ministeriais, dos automóveis dos tais, do seu belo (isso é relativo, e subjectivo e… é é, vem cá com essa que vais de …, vais a pé, a pé é que tu vais, se me vens com ingenuidades.) modo de vida, e de outras, muitas outras coisas que tais.
Só o Soberano (o Verdadeiro) parece desconhecer a sua condição. É pena!
Eiii!, anarquista não sou; niilista também não. Reconheço a necessidade de delegados, nossos. “Não pode ser tudo ao monte e fé em Deus”, eu sei!... Porém…
Carlos Jesus Gil
sábado, 14 de Fevereiro de 2009
Cantar meu Pai
Este é um dos raríssimos textos partilhados convosco, que saem totalmente das esferas da ficção e da análise.
A quem couber, faça-o também seu!
CANTAR MEU PAI
O meu Pai morreu!...
Não, não foi “apenas” mais um pai que morreu.
A coisa não funciona assim…,
Este era o meu!
Por isso é que para mim
são os dias breves
e as noites sem fim;
a alegria omissa
dá lugar à tristeza, que preguiça;
o canto mais belo já não é assim;
a tela que pinto só tem uma cor,
a da dor!
Não, não foi “apenas” mais um pai que morreu.
Este era o meu,
O do meu irmão e da minha irmã;
O Homem de minha mãe;
O avô dos meus sobrinhos!
Tento cantá-Lo…
Tão fácil fosse
como me é lembrá-Lo!...
Tudo o que me sai, porém,
soa pequeno, muito aquém
do Ser Enorme que foi,
do Poema que escreveu
com a vida que viveu…
E isso também me dói!
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
Folha caduca/folha persistente
Existem árvores de folha caduca, mas não as há de folha persistente. Há-as, isso sim, de folhedo permanente.
Observei avenidas, boulevards, parques verdes, bosques, florestas; examinei, até, em assembleias e consultórios. Acreditem!: existem árvores de folha caduca e outras… de folhagem persistente.
De vez em quando dá-se um caso… e o mundo muda!
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009
Suspicaz
Ninguém, sempre,
é capaz
de não ser suspicaz!
O Político,
por força do que é
- e só o é porque a tem,
a força de mais ninguém -,
é quem mais não é capaz.
O Padre;
o Papa;
o Asceta;
o Médico Obstetra;
o Lenhador;
o Artista;
o Industrial;
o Contrabandista;
o Paladino;
o Abnegado.
O Rio Cristalino,
em quelha,
em avenida…
Tanto faz!
Ubíquo és,
suspicaz.
Carlos Jesus Gil
quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009
Desafio
Consta o post d’hoje da resposta a um desafio de uma amiga webística. O mesmo insta-me a revelar oito desejos para este ano; a dar conta deles a oito desafiados de uma lista; a convidar oito bloggers para fazerem o mesmo…
Como adoro quebrar regras, vejo aqui oportunidade de me consolar sem prejudicar quem quer k seja…vou quebrar uma… ou duas: não vou desafiar ninguém… não vou dar conta a todos. O resto faço… de bom grado! (Embora isto me soe a mais uma patranha de operadora comunicacional!):
Então, nada mais simples: mês de Março namorar contigo (a amiga desafiadora, do blog “ E se eu fosse puta… tu lias?); Abril com a tua amiga mais bonita e boa; Maio, com vocês as duas (Eh pá, não te chateies!); primeiros quinze de Junho, com a Nereida ( aquela do Ronaldo); segundos quinze com a Rita Andrade, a entrar branquinha e a sair tostadinha; primeiros quinze de Julho com a Ritinha Pereira; o sétimo é k de mordomias seja farto e k sejam sempre vocês a pagar eheheh! (não te chateies!); oitavo, que o Brad Pitt e a Angelina se separem por eu andar com ela desde Março... e ele ter dado por ela!
Pronto!
terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
Então?...
…
- Por que é que vives com ela?
- Ora, porque ela é muito bonita; e bem feita!… Não, não é por isso. Ela tem carisma, e eu aprecio imenso essa qualidade; além do mais é uma mulher interessante…
Não, também não é por isso. Ela até é absolutamente vulgar, só se distingue entre as eleitas… Deixemo-nos de coisas, de facto ela é é de uma deferência fora do comum, é uma amiga do peito. Reside aí a razão!... Ó pá não, também não é esse o motivo. É a cama pá, a cama é que é a causa: a mulher é recurso qualificado, de enorme produtividade… Porra, não é nada pá, a gaja é de um marasmo atroz; é um texto prolixo!...
Bem…, a gaja nem sequer é, e, vistas bem as coisas, eu nem ando com ela… E, vistas as coisas ainda melhor, ela nem sequer existe!
- Então?...
PS ora, esta semana faz 200 anos k Darwin nasceu (não me perguntem o dia... não o sei. Sei k na net seria fácil, mas como não tenho net... Vejam vocês!). Então, serve este PS para parabenizar o Mundo por ter dado à luz o nobel senhor mas mais, para muito agradecer o empenho indefectível do comentador Darwin.
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009
Neófilo
Sou um neófilo, agrada-me a novidade, a inovação, o progresso… Em simultâneo assombro-me com o passado!
Alternadamente, extasio-me com uma ruína, um texto da Antiguidade ou um potente mp4; com um “Mosteiro da Batalha” ou um moderno centro comercial; com um precioso pergaminho ou um artigo de uma qualquer “Visão”; com um concerto hip-hop ou uma abençoada Sinfonia. Igual contemplação me merecem uma pitoresca paisagem natural, um povoado rural ou uma avenida ornada de edifícios de moderna arquitectura. O silêncio e o bulício também encontram em mim um freguês indefectível.
Não vivo sem o Sul e o Norte; não dispenso nenhum dos quadrantes!
Carlos Jesus Gil
domingo, 8 de Fevereiro de 2009
O jogo
- Olá minha menina, como estás?
- Estou óptima, e tu?
- Tá-se bem também , obrigado.
- Devias era espetar esse cabelo com gel, ficarias com um visual bem mais jovem.
- O meu cabelo é fraquito, mesmo com muito gel, do ultra forte, só muito curtinho é que dá para espetar. E eu não gosto de me ver com o cabelo muito curto.
- Se fosses meu namorado cortava-lo, ai isso é que cortavas!
- Se fosse teu namorado, e se tu gostasses de me ver com pente zero, já eu não não gostava de me ver com o cabelo curto. Mas … mas tu, sempre que toco no assunto – e não são raras, as vezes – desvias para canto …
- O desviar para canto não é terminar o jogo. Pelo contrário, é dar-lhe seguimento com uma acção de ofensiva superior.
- Não tinha pensado nisso! Tenho que aproveitar melhor os cantos, pode ser que meta golo.
O JOGO, COMO ELE É
... Ó lindinha, lindinha!
Se fosses minha namorada, querias lá tu saber se meto gel ou bosta no cabelo; se é comprido ou curto; se é liso ou encaracolado!
Se fosses minha namorada … era porque sim, o sim que anula – ou tolda – os “defeitos” e amplia as “virtudes”.
Quando é porque sim o pouco ou o muito basta; o ao pouco se juntar ou ao muito se tirar, em nada altera o stock.
Nem de penalty sem guarda-redes na baliza!… Contigo.
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009
Lâminas de barbear
Há dias, precisado de fazer a barba e não tendo lâminas em casa, dirijo-me a uma mercearia de bairro, e peço:
- Minha senhora, boa tarde! Queria lâminas pr’á barba, por favor.
- Não temos lâminas pr’á barba, temos é chocolates Milka.
- Pensando que de inusitado mas admissível gracejo se tratava, sorri e repeti: tá boa, minha senhora! Agora a sério, precisava de lâminas pr’á barba.
- Ó rapaz, você não ouviu? Já lhe disse que não temos lâminas pr’á barba, temos é chocolates Milka.
Na idosa senhora, que longe não andaria dos sem lâminas pr’á barba, notava-se já valente irritação… Seria o meu pedido algo inopinado, mesmo zombador e ofensivo da boa conduta comercial daquele estabelecimento mercantil?... Pelo sim pelo não, e antes que lhe desse alguma:
- Está bem, minha senhora, dê-me então um chocolate Milka! Pode ser daqueles com amêndoas.
- Aqui está. São dois euros.
Pronto!... No caminho para casa, não parava de matutar na estranha cena… na coerência… na sua ausência… na Razão da vetusta senhora… no Seu abandono…
Mal cheguei, casa de banho comigo! Começo a desembrulhar o chocolate; saco da respectiva espuma e… fiz-me ao mar.
Nunca um escanhoar me soube tão bem!
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009
Apetece-me...
Dizer:
que jamais voltarei a escrever um poema de amor;
que não passam, aqueles, de pieguice expurgadora de dor;
que esta deve ser vivida, não expelida,
que, contida e debelada por luta con ou descon…trolada,
faz mais crescer do que “ deitar cedo e cedo erguer “
(que os Grandes – digo Grandes, não famosos – o souberam fazer).
Contudo, como não sou Grande e, mais que tudo, transbordo de dúvidas sobre se alguma vez escrevi um poema de amor – quando muito, poesias de paixão, também alimento, sim, mas menos imensidão -; como sou humano, habitáculo da imperfeição endógena, vou, naturalmente, contrariar – pelo menos tentar - aquele apetecer.
Carlos Jesus Gil
quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009
Sobre o nada
Jamais o nada poderá vir a ser coisa alguma!
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009
A Insonsa
Era uma vez uma rapariga tão linda tão linda, mesmo tão linda que, só não fazia parar o trânsito porque se deslocava sempre de metro e as portas de entrada e saída de sua casa bem como do seu local de trabalho davam directamente para o buraco (uns metritos, apenas). Bem - ou mal, consoante o juízo -, a bela diva padecia, contudo, de um grave problema congénito: era insonsa… sim, insulsa, insípida… não sabia a nada – qual génio perfumista de Suskind que, não obstante o seu potenciado e extraordinário olfacto, não possui cheiro próprio. Logo ele, ironia das ironias, que parido fora entre os mais nauseabundos fedores da Paris do século XVIII! -, a nada mesmo!
Os homens aproximavam-se, faziam trinta por uma linha para meterem conversa com ela e tornarem-se íntimos mas, quando tal sorte chegava em jeito de jack pot, logo verificavam que a massa ia quase toda para o fisco. Uma raspadinha, e fraquita! Serve esta modesta imagem para reportar o facto de que, mal bem conseguidos os intentos másculos, assim que dado o primeiro beijinho, feito o primeiro linguado e – e aqui é que está!- dada a primeira dentadinha, logo os ditos zé-zés camarinhas fugiam a 7777 pés…
Fora sempre assim. Desde que se lembra de ser gente e de andar à porrada nas ruas e na escola, sempre que algum ou alguma colega lhe punha os dentes, mal a primeira e única trincadela se dava, era um vê-se-te-avias, uma correria freneticamente louca, do dentuço ou da dentuça, para junto dos outros. “A cachopa não sabe a nada”, diz quem a provou, e assim também não!... Tem que haver algum tempero, digo eu, que até nem gosto muito de fazer juízos de valor… quer dizer, muito não, mas a um niquito não me coíbo.
Há, porém, males que vêm por bem – todos o sabem, que o povo o diz de há tanto que se perdeu registo. Desesperada e a necessitar de merecidas férias, compra, com uma amiga, passagem para destino exótico. Dez diazitos fora de tudo!
Bem – mal, digo eu, que os factos assim m’o exigem -, a outra, papada… literalmente. Ela, logo à primeira dentada, é projectada por valente cuspidela… Até os canibais gostam das coisas bem temperadas!… E ela corria, corria, corria a bom correr a caminho do trilho que leva à cidade e ao hotel; e olhava para trás; e corria ainda mais; e… não era necessário nada disso, pois ninguém fora no seu encalço.
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
Título?!... Para quê?!
Fazem-se ouvir os balidos das ovelhas… Não é só um, são muitos. São muitos, os lobos... Na aldeia as pessoas tremem de frio… Parece que ninguém os ouve!
Carlos Jesus Gil






