segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O Porta-Carraças

Tive sempre um enorme respeito pelos Vira-Latas puros... Aquela precoce maturidade tão vivamente presente em menino enteado!...

Ao vira-las que meu primo visitava e que, num repente, o nevoeiro apagara!



Conto


O PORTA-CARRAÇAS

Porta-carraças é um vira-latas puro, do mais genuíno que há.
À semelhança da generalidade dos puros derruba-caixotes, porta-carraças é possuidor não só de uma vasta colónia de carrapatos, mas também de uma mui nobre e forte personalidade.
Tais atributos não passaram despercebidos às cadelinhas da rua que passara a administrar desde que, com um pragmatismo invejável, abandonara a rua onde sempre vivera, objecto, agora, de um olhar muito cuidado do senhor presidente da câmara, pois lá comprara apartamento um parente qualquer. Pese embora o facto de em termos de estatura física o animal nem dever nada – entenda-se: devotos agradecimentos - aos vários pais que o conceberam e à mãe que o pariu, uma paixão pandémica impregnou o ar rasteiro daquela rua. Baixa estatura física, imperial porte moral!...
Fêmeas à moda antiga, sim!, das de antes, ainda, do cinema, da televisão e das revistas – daquelas que vendem muito -, sete cadelinhas polidas, penteadas, perfumadas e…mimadas, que, muito embora não concebam uma vida sem fachada, nos machos, porém, valorizam sobremaneira o que não se vê ( tá bem, e também algo que se veja! ), tendo, por conseguinte, caído perdidamente de amores pelo solitário canino. Culpa das saídelas à noitinha, para um simples passear (do dono) ou para uma mijinha…ou cagadinha!
Pronto, como o horário das saídas era coincidente - até porque era aí que a vizinhança punha a escrita em dia -, aquilo era um espectáculo!: sete cadelas a um osso, donas e donos arrastados, correntes desprendidas, uivaria, gritaria e, no meio de todo este pandemónio, claro está, o instinto animal a funcionar…com a que chegasse primeiro, que eram todas um mimo.
A coisa durou alguns dias, os suficientes para pôr a cabeça em água aos zelosos donos; para, em conjunto, decretarem a elaboração de um abaixo-assinado dirigido ao digníssimo edil - que aquela rua era de gente e cadelas de bem -; suficientes ainda para depositar a sementinha em algumas das sete fofinhas. Bem, pelo sim pelo não, as meninas não iriam sair à rua enquanto o cão não fosse para o exílio!
Tá bem, tá!, parece que não conhecem o nosso país!... Nem com o Simplex! Tudo leva o seu tempo – digo, para não ter que lavrar outro texto, muito tempo -, rapaziada.
Quinze, quinze foram as noites que a mais estóica das famílias aguentou. Já nem com o mais poderoso – também não é bem assim!... – dos indutores de sono conseguiam dormir, tal não eram as noitadas de ganição e ladração da sua bichinha! Queria filhos, mas não de um qualquer pai; queria-os fortes de carácter; queria os genes do porta-carraças.
Já as outras matilhavam a rua havia alguns dias – agora, por certo, já todas fecundadas – quando a cãozinha se lhes junta. O desvelo, vencido pela falta de descanso, deu lugar à resignação dos donos. E os técnicos do canil camarário que nunca mais vinham!...
Mas vieram, a seu muito tempo chegaram ao território do porta-carraças – o qual desconheciam, o que os levou a uma imediata indagação.
Depois de identificado o prevaricador, foi só sacar dos apetrechos e…zás, já está! Fácil, muito fácil; nunca passara por situação semelhante, de modo que carecia de treino específico… Na antiga morada a ordem de expulsão fora a falta de pão – que em rua limpa não se trinca.
Não acaba aqui a história do nosso herói – ainda vivente. Ao cabo de alguns dias num canil municipal, fugiu – não é cão de gaiola, o porta-carraças. Não me perguntem como!, que não sei. Sei por onde anda, mas não vo-lo digo.
Ah, as cadelinhas!... essas, depois de alguns dias na sua verdadeira sala, descobriram que as necessidades fisiológicas são para satisfazer quando é preciso, de modo que, ao voltar a casa das donas…





Carlos Jesus Gil

74 comentários:

Vivian disse...

...e não é que existe vida de cão
celebridade?

ele até veio parar aqui no blog best seller...

que lindo isso!!

bjus

O Profeta disse...

Que grande texto caro amigo...


Abraço

*Carol Carolina* disse...

digo mesmo!!! mta qualidade e verdade por aqui. beijosss

Maria Zua disse...

O Mundo gira á volta de todos e não de um só...Bom conto, como sempre estás de parabéns.Bj.

NIH SILVA disse...

obrigada, o teu tbm...
^^

Mariazita disse...

Um texto giríssimo.
Como adoro cães, fiquei felicíssima por ele conseguir fugir do canil.
Palmas para ele... e para ti também.
BeijOOOcas
Mariazita

Anónimo disse...

FIEL

"Na luz do seu olhar tão lânguido, tão doce,

Havia o que quer que fosse

D’um íntimo desgosto :

Era um cão ordinário, um pobre cão vadio

Que não tinha coleira e não pagava imposto.

Acostumado ao vento e acostumado ao frio,

Percorria de noite os bairros da miséria

À busca dum jantar.


E ao ver surgir da lua a palidez etérea,

O velho cão uivava uma canção funérea,

Triste como a tristeza ossiânica do mar.

Quando a chuva era grande e o frio inclemente,

Ele ia-se abrigar às vezes nos portais ;

E mandando-o partir, partia humildemente,

Com a resignação nos olhos virginais.

Era tranquilo e bom como as pombinhas mansas ;

Nunca ladrou dum pobre à capa esfarrapada :

E, como não mordia as tímidas crianças,

As crianças então corriam-no a pedrada.





Uma vez casualmente, um mísero pintor

Um boémio, um sonhador,

Encontrara na rua o solitário cão ;

O artista era uma alma heróica e desgraçada,

Vivendo numa escura e pobre água furtada,

Onde sobrava o génio e onde faltava o pão.

Era desses que têm o rubro amor da glória,

O grande amor fatal,

Que umas vezes conduz às pompas da vitória,

E que outras vezes leva ao quarto do hospital.





E ao ver por sobre o lodo o magro cão plebeu,

Disse-lhe : - "O teu destino é quase igual ao meu :

Eu sou como tu és, um proletário roto,

Sem família, sem mãe, sem casa, sem abrigo ;

E quem sabe se em ti, ó velho cão de esgoto,

Eu não irei achar o meu primeiro amigo !..."





No céu azul brilhava a lua etérea e calma ;

E do rafeiro [1] vil no misterioso olhar

Via-se o desespero e ânsia d’uma alma,

Que está encarcerada, e sem poder falar.

O artista soube ler naquele olhar em brasa

A eloquente mudez dum grande coração ;

E disse-lhe : - "Fiel, partamos para casa :

Tu és o meu amigo, e eu sou o teu irmão. -"






E viveram depois assim por longos anos,

Companheiros leais, heróicos puritanos,

Dividindo igualmente as privações e as dores.

Quando o artista infeliz, exausto e miserável,

Sentia esmorecer o génio inquebrantável

Dos fortes lutadores ;

Quando até lhe acudiu às vezes a lembrança

Partir com uma bala a derradeira esp’rança,

Pôr um ponto final no seu destino atroz ;

Nesse instante do cão os olhos bons, serenos,

Murmura-lhe : - Eu sofro, e a gente sofre menos,

Quando se vê sofrer também alguém por nós.





Mas um dia a Fortuna, a deusa milionária,

Entrou-lhe pelo quarto, e disse alegremente :

"Um génio como tu, vivendo como um pária,

Agrilhoado da fome à lúgubre corrente !

Eu devia fazer-te há muito esta surpresa,

Eu devia ter vindo aqui p’ra te buscar ;

Mas moravas tão alto ! E digo-o com franqueza

Custava-me subir até ao sexto andar.

Acompanha-me ; a glória há de ajoelhar-te aos pés !..."

E foi ; e ao outro dia as bocas das Frinés

Abriram para ele um riso encantador ;

A glória deslumbrante iluminou-lhe a vida

Como bela alvorada esplêndida, nascida

A toques de clarim e a rufos de tambor !





Era feliz. O cão

Dormia na alcatifa à borda do seu leito,

E logo de manhã vinha beijar-lhe a mão,

Ganindo com um ar alegre e satisfeito.

Mas aí ! O dono ingrato, o ingrato companheiro,

Mergulhado em paixões, em gozos, em delícias,

Já pouco tolerava as festivas carícias

Do seu leal rafeiro.





Passou-se mais um tempo ; o cão, o desgraçado,

Já velho e no abandono,

Muitas vezes se viu batido e castigado

Pela simples razão de acompanhar seu dono.

Como andava nojento e lhe caíra o pelo,

Por fim o dono até sentia nojo ao vê-lo,

E mandava fechar-lhe a porta do salão.

Meteram-no depois num frio quarto escuro,

E davam-lhe a jantar um osso branco e duro,

Cuja carne servira aos dentes d’outro cão.





E ele era como um roto, ignóbil assassino,

Condenado à enxovia, aos ferros, às galés :

Se se punha a ganir, chorando o seu destino,

Os criados brutais davam-lhe pontapés.

Corroera-lhe o corpo a negra lepra infame.

Quando exibia ao sol as podridões obscenas,

Poisava-lhe no dorso o causticante enxame

Das moscas das gangrenas.





Até que um dia, enfim, sentindo-se morrer,

Disse "Não morrerei ainda sem o ver ;

A seus pés quero dar meu último gemido..."

Meteu-se-lhe no quarto, assim como um bandido.

E o artista ao entrar viu o rafeiro imundo,

E bradou com violência :

"Ainda por aqui o sórdido animal !

É preciso acabar com tanta impertinência,

Que esta besta está podre, e vai cheirando mal !"

E, pousando-lhe a mão cariciosamente,

Disse-lhe com um ar de muito bom amigo :

"Ó meu pobre Fiel, tão velho e tão doente,

Ainda que te custe anda daí comigo."





E partiram os dois. Tudo estava deserto.

A noite era sombria ; o cais ficava perto ;

E o velho condenado, o pobre lazarento,

Cheio de imensas mágoas

Sentiu junto de si um pressentimento

O fundo soluçar monótono das águas.





Compreendeu enfim! Tinha chegado à beira

Da corrente. E o pintor,

Agarrando uma pedra atou-lh’a na coleira,

Friamente cantando uma canção d’amor.





E o rafeiro sublime, impassível, sereno,

Lançava o grande olhar às negras trevas mudas

Com aquela amargura ideal do Nazareno

Recebendo na face o ósculo de Judas.

Dizia para si : "È o mesmo, pouco importa.

Cumprir o seu desejo é esse o meu dever :

Foi ele que me abriu um dia a sua porta :

Morrerei, se lhe dou com isso algum prazer."





Depois, subitamente

O artista arremessou o cão na água fria.

E ao dar-lhe o pontapé caiu-lhe na corrente

O gorro que trazia

Era uma saudosa, adorada lembrança

Outrora concedida

Pela mais caprichosa e mais gentil criança,

Que amara, como se ama uma só vez na vida.





E ao recolher à casa ele exclamava irado :

"E por causa do cão perdi o meu tesouro !

Andava bem melhor se o tinha envenenado !

Maldito seja o cão! Dava montanhas d’oiro,

Dava a riqueza, a glória, a existência, o futuro,

Para tornar a ver o precioso objecto,

Doce recordação daquele amor tão puro."

E deitou-se nervoso, alucinado, inquieto.

Não podia dormir.

Até nascer da manhã o vivido clarão,

Sentiu bater à porta ! Ergueu-se e foi abrir.

Recuou cheio de espanto : era o Fiel, o cão,

Que voltava arquejante, exânime, encharcado,

A tremer e a uivar no último estertor,

Caindo-lhe da boca, ao tombar fulminado,

O gorro do pintor !"

(GUERRA JUNQUEIRO)

stériuéré disse...

XIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
Que o Guerra JUnqueiro até ficou rouco de tanto ladrar!
Ora então caro Gana, cá estou de volta, pois não voltei antes por falta de meios para tal, mas enfim,
cá estou pa dizer as minhas parvoices.....~
Cães, hummmmmmmmmmmmmmmm
adoro, mas e paciência para os ter?
è como aquela gaja, a Barbie, que tem tantos , tantos cães, mas porque só os quer enquanto são pequeninos, depois disso, dá-os!
E mai nada.....
Trabalho a tratá-los .... uiiiiiiiiiiiiiiii
que dá trabalho e isso á que não. Enfim, depravadas.
Olha amigo cães vadios na minha terra é o que não falta, infelizmente, abandonam os animais porque se fartam deles, porque deixam de ser pequenos e engraçados, e com os filhos fazem o mesmo?
"É garoto, já não tens piada nenhuma e tás a ficar feio e gordo que nem um jebo! Xô, fora daqui, vai pá rua que já não te quero!"
Ricos pais!
É maço novo post, boa!

Ana Maria disse...

Adoro vir aqui e encontrar essa maravilha de post.
Tenho muita pena dos cães, quando a carrocinha passa e leva-os.
Beijinhos!

Carla P.S. disse...

Hahahaha..
Fantástico..
Gosto do jeito que escreves, parece que leio um livro português, desses autores de cafeterias...Aceite meu café, hoje.
Beijão.

Nanda Assis disse...

adorei a história muito legal.

bjosss...

JOCENDIR CAMARGO disse...

Adorei seu conto, ainda mais que por diversas vezes sou nada msais que um vira-latas neste mundo.... e sei o que é correr para manterr a liberdade...a mais preciosa das palavras...Sempre encantadora... um beijo grande e carinhoso...

Anónimo disse...

A stériuéré não gosta de ter cães porque dão trabalho. A stériuéré é uma comodista.

Darwin disse...

Excelente texto!
Eu também adoptei um cão rafeiro e não era capaz de deixar o meu amigo Caramelo fosse onde fosse. Quer dizer…ele comigo também não ia para lado nenhum. Só faz o que lhe dá na bolha. Penso que todos os amigos de rafeiros sabem que ter classe e personalidade, não tem nada a ver com a raça!

Ferreira-Pinto disse...

Depois de ler o magnífico texto, quase que só apetece exclamar: "Magnífico Porta-Carraças!"

Luiz Caio disse...

Olá Carlos! Bom dia!
Porta - Carraças é mais um exemplo de que somos considerados apenas por aquilo que possuímos... Até mesmo no mundo animal! Se ele tivesse pedigree, mesmo vivendo nas ruas... Sua história sería outra!

TENHA UM ÓTIMO DIA!

Inside Me disse...

ummm, olá, voltando aqui e obrigada pelo post e pelo seu empoemar, deixei resposta lá tb, rs bjão se cuida

dragao vila pouca disse...

Grande Porta-Carraças, meu D.Juan canino! Nem o Canil te segura!
Um abraço

Mary West disse...

Ain que lindo, me emocionou pq simplesmente prefiro os animais ao resto da humanidade. ;)

Maria Zua disse...

Este conto não é nada mais nada menos que o nosso quotidiano, passa o Exmo Sr. Dr. e ouve o cumprimento "Bom DIIIIA Sr. DR.como está passou bem? a Família está boa?" Passa o Ti Zé, "olá ti Zé" e nem sempre. Pensam voçês, mas ninguem traz o curriculum na testa, correcto, mas as distinções continuam, o Sr. Dr. tem problemas como o sem abrigo por exemplo,( embora de outra índole) mas o Sr. Dr. não deixa de ser o Sr. "Fulano Tal" o sem abrigo é um pobre coitado que não soube governar vida e não quer trabalho. Ninguem se interroga o porquê dele estar nas ruas, a pedir esmola, apenas em julgar que tem bom corpo e não quer trabalho. Quantos Drs. estão no desemprego? Isto tudo porque na minha modesta opinião (sem ter nada contra os Drs.) as pessoas, os animais, haviam de ser tratados de igual forma, respeito, carinho, preocupação, somos todos feitos da mesma matéria e um pouco de humildade e respeito fica-nos bem. Boa noite pessoal.
Carlos dá um afego ao Porta-Carraças da minha parte.

AB disse...

Eu sou uma fiel amiga destes animais que tantas vezes já provaram a sua fiel dedicação por nós.Neste caso, o Porta caraças era um cão realmente muito especial. Contudo, posso afirmar-te que neste exacto momento, tenho aqui aos meus pés um outro ainda mais especial que esse. Mas este é só meu!
Beijinho e bom resto de semana.

Srta Emy disse...

Percebo semelhanças entre minha personalidade e a desse danado!Pois não é que esse cão é apaixonante!
´Conto maravilhoso... intrigante e apológico!
Meu beijo malvado!
:*

A. Jorge disse...

Obrigado pele tua visita e pelo teu generoso comentário.
Pela curta viagem que fiz por este blog, concluí que qualidade é o que aqui impera e... Sim. Este vale mesmo a pena!

Um abraço

Jorge

Peter disse...

Enquanto rapaz e lá vivendo no "Alentejo profundo", sempre tive cão. Vários, porque iam morrendo, e todos "vira-lata" pois nem sabia que havia raças, nem tinhamos dinheiro para extravagâncias.

"Encaixotado" aqui num apartamento, deixei de os ter, pois tenho pena deles, pena de os privar da liberdade.

Thiago disse...

esses cãezinhos são mais espertos que muito homem aí ;)

Maria Dias disse...

Oi!

Passando aqui para avisar q te linkei.Assim fica melhor para voltar e voltarei com mais calma para te ler.

Obrigada pelas visitas ao meu Avesso!

Beijinho

Maria

Quase Trinta disse...

Eu adoro cachorros, sejam vira-latas ou não.
Adorei o conto, uma história de superação de certo modo...rs

Respondendo as perguntas.... faço 30 apenas em 2010 (mas do jeito que os dias estão passando rápido, já estamos quase lá)...
E meu nome é Fabiana, muito prazer...rs

Inside Me disse...

q doguinho esperto hein! deixou cadelinhas suspirando e fugiu do canil, ^^ mt bem! ah, adorei o poema empoemado \o)

Sieger disse...

Uau, cão celebridade!

Mariana disse...

gostei mesmo deste texto

bj

Chinha disse...

Belo texto

Que o porta carraças se aguente.

Ler-te descontrai...Gostei

bjinhos

Lena disse...

Obrigada pela sua visita
assim descobri este blog
onde ha muito, muito a ler
interessente
terei de voltar com mais tempo

bjos

poetaeusou . . . disse...

*
passou-me a neura,
obrigado,
,
abç,
,
*

Anónimo disse...

Sempre gostei dos cães a quem chamamos vadios mas que de vadios não têm nada. são cães independentes, que lutam sozinhos pela vida. O porta carraças parece-me desses.

poesianopopular disse...

...E não para de crescer o número de porta-carraças - a verdade é que,as carraças não podem ser porta cães;quem sabe talvez um dia!
Abraço

deh disse...

nos machos, porém, valorizam sobremaneira o que não se vê ( tá bem, e também algo que se veja! ),

UHAUHAHAHAAUA

isso foi muito bom e sutil!!

beijo!

Iana disse...

Vim agradecer sua visita
em meu jardim...

seja bem vindo
espero por lá mais vezes...

Bem, fala sério eu adorei o post
li até o fim, hehehe...

como disse a Vivian best seller...

beijos eu volto até breve

abraços da rosa amiga
Iana!!!

daniel disse...

Carlos Gil

O vira latas, não se vira. Mesmo estando noutro sítio, não lhe faltarão meninas, chiques. Cadelinhas, entenda-se. Essas tratarão de se aperaltar, para o catrapiscar.
Um abraço.
Daniel

BelaCavalcanti disse...

AMEI esse texto!!!! E a 'moral' por detras dele, também.

Gazeta na net disse...

Quero agradecer a sua visita e suas palavras, sinto-me um iniciante diante deste blog, mas confiante depois da sua visita, as portas do Gazeta estarão sempre abertas,
Volte Sempre

AB disse...

Convido-te a passar pelo meu cantinho e tomares conhecimento do quanto esses seres maravilhosos e ao mesmo tempo diabolicos nos podem surpreender. Acho que vais gostar.
Beijinho

Não Somos Apenas Rostinhos Bonitos disse...

Que texto de babar! Parabens!
Beijinhos,

Lc disse...

Tá muito giro, o nome do "bicho" e a sua história. eh eh eh

Ana Martins disse...

Agradecendo e retribuindo a visita.
Gostei do blog e este texto é excelente. É preciso consciencializar as pessoas que os animais são seres vivos, que sentem, sofrem, têm fome, sede e que merecem ser bem tratados.

Por aqui onde vivo, aparecem sempre muitos animais que são abandonados pelos donos, especialmente em época de férias.
Tenho um gato que adotei vai fazer um ano agora em Dezembro e que também apareceu aqui cheio de fome e frio. É muito triste haver tanta falta de sensibilidade.

Beijinhos

GarçaReal disse...

O teu texto é primoroso.
Tem humor, mas ao mesmo tempo provocou-me pena , pois o "porta carraças" deveria ter um melhor tratamento, embora nem sempre seja possivel como é lógico.

bjgrande do Lago

Gilbamar disse...

Esses cães soltos por aí fazem tanta coisa e se multiplicam, levando essa vidinha quase mansa de falsa liberdade. Enfim, seja!

Abraços.

Val Du disse...

Eu diria: O Poderoso Porta-Carraças.

Maneiríssimo esse conto.

Até mais. :)

Andreia do Flautim disse...

Um bom dia para ti!

B... disse...

mto bom...!!!

até mais ler...

bj

Jullyane disse...

Oooi! Que bom que gostou do meu blog, tbm gostei daqui, vou linkar, ok? Beeeijos!

varal experimental disse...

Gostei da estória.

uma ilha disse...

Tanto que dão ao homem e por vezes são abandonados por esse mesmo homem.Bom fim de semana.Umailha

Pelos caminhos da vida. disse...

Que bom que hoje temos uma lei que protege os animais.

Obrigada pela visita,qdo quizer voltar,volte!

beijooo.

Humana disse...

E que cadelinha que se preze não gosta de um vira-latas cheio de personalidade?
Gostei do conto Carlos!
Beijinhos

paula barros disse...

Sabia que esse virtual por vezes me assusta. As coincidências. O carinho virtual. O que chamo amor virtual.

Sua colaboração com seu comentário foi excelente.

Li o seu texto, muito bom.

Comecei falando que me assusta, e sua visita foi um dos motivos. Ontem pela primeira vez estive em seu blog. Andei para lá e para cá. E fiquei de voltar, pois não tinha conseguido ler direito, tentei ler post anteriores e acho que não deixei comentário em nenhum.
E no outro dia (hoje) vc apareceu por lá. Esse mundinho é cheio de surpresas desse tipo. Não lembro onde vi seu comentário que me chamou a atenção e cheguei aqui ontem.

Mas voltarei.

abraços

Multiolhares disse...

Pena que existem portas-carraças que não tem a mesma "sorte"
bj

Emblemática disse...

É sim!!
Bom aqui!
Bj

Mas afinal o que estou eu aqui a fazer?... disse...

Parabéns pelo conto, muito bem escrito.
Só não percebi o que fizeram os técnicos do canil com o "foi só sacar dos apetrechos e…zás, já está!"....
Beijinhos

Cadinho RoCo disse...

Buscou sua liberdade e agora o bom é que ninguém saiba do seu paradeiro.
Cadinho RoCo

Compadre Alentejano disse...

Esta história fez-me lembrar um cão, abandonado, que apareceu na minha terra, nos anos 60. Eu e os meus irmãos começámos a dar-lhe comida e batizámos de "Costura". Porque parecia uma máquina de costura a sacudir as pulgas...
Um dia, conto a história completa no Papa Açordas.
Um abraço
Compadre Alentejano

alberto joão disse...

Vou mandar construir na minha ilha um canil/hotel com tratamento VIP para todos esses filhos da rua. Vou também mandar catar todos.

Desarranjo Sintético disse...

Ahahah, muito legal.

Abraços e obrigado pela visita...

Maria Zua disse...

Pessoal só para descongestionar, sabem qual o slogan do Barack Obama? "NÃO VOTEM EM BRANCO".
Boa noite.

xistosa - (josé torres) disse...

Vida de cão, ou cão da vida?

talvez o último.
São esses, os que dão novos mundos ao mundo, mesmo que o canino.
Vêm imunizados para a maioria das doenças, não sofrem com a vivacidade da vida moderna e dão-se quando querem, (ou a natureza).

Esses são os puro-raças.
Não nascem com carraças, mas não necessitam de coleiras ou vacinas ... são os vencedores.
Só espero que nenhum veterinário me leia.

Lembrei-me de há mais de 40 anos ... a vida dum mortal era parecida ... e a vida na Terra não acabou!

(estive ausente, ou melhor, não estive presente.
Sei que não é a mesma coisa.
Mas isto são comezinhos de advocacia.
Parece-me que é verdade : "O que é mau não acaba tão depresssa".

Ainda bem ...

Táxi Pluvioso disse...

A vida de cão também foi mudada com o santinho Cristiano Ronaldo. Mira uma canela e zás!

Anónimo disse...

Maria Zua...essa já tem barbas.

Tentativas Poemáticas disse...

Amigo Carlos Gil
Perdoe por só agora entrar em contacto consigo.
Aprecio muito sátira social. O amigo fá-lo duma forma brilhante.
Lembrei-me de uma tentativa poemática que escrevi em 1994:

FERIDO DE MORTE

Por debaixo das arcadas/
do Terreiro do Paço/
passam apressados/
aos magotes/
sem rosto/
expressão ausente/
milhares de corpos/
que se empurram/
a caminho/
ou no regresso/
da outra banda/

a um cantinho/
tombado na pedra fria/
tremendo de medo/
ferido de morte/
pobre pombinho/
de olhar triste/
conformado com a desdita/

e ninguém o socorre/
não há compaixão/
preocupados que estão/
com a novela das oito/
e a mediática sorte/
das tartarugas em extinção/
no Arquipélago de Galápagos

Um grande abraço.
António

Anónimo disse...

Outro anónimo, a da Maria Zua é velha mas é boa!

Toninho Moura disse...

Muito legal!

Dê um pulinho aqui no Brasil para ler sobre algo que aconteceu nas bandas daí, só que a muito tempo atrás: A Batalha de Canas.

Braços!
Toninho Moura
Capitão Ócio

Lampejos disse...

Carlos,
Belo conto....

Fiquei feliz por saber que até os cães vira-lata, conseguem de alguma forma a tão sonhada liberdade.

*******

Conheço a história de um desses animais que apesar de ser um animal de companhia, se sentia só. Então se dedicou a domesticar o seu amo... Até conseguir que lhe amara.


[obrigada pela visita]


Bom fim-de-semana!...


(a)braços,flores,girassóis :)

ICH LÍEBE DÍCH disse...

Adoro,esses amigos!....Que não nos cobram nada,não exigem nada,que nos amam,nos adoram,sem que precisemos pedir...nos mostrar lindas, maravilhosas,gordas ou magras,alegres ou felizes...rica ou pobre!
Que nos recebem sempre com pulos de alegria,abanando seu rabinho.Nos dão lições de paciência, de tolerância,
e amor, compreensão.....
Temos muito a aprender com essas criaturinhas maravilhosas...que só pedem atençaõ, mas se não a damos, mesmo assim continuam a nos amar....Um cão é a única coisa na terra que o ama mais do que ama a sí mesmo.
Tenha um iluminado final de semana...
Bjs.

Poemar disse...

Ótimo texto! Uma temática interessante, abordada com extrema maestria por um excelente escritor.

Andei olhando os teus textos! Escreves maravilhosamente bem!

* Agradeço a visita e o elogio feito ao meu blog!

* Abraços!

Táxi Pluvioso disse...

Com muita piada.

stériuéré disse...

Olha cá ó gana e outro post não?
Olha anónimo não sei das quantas, por acaso adoro animais , e não sou comodista. Mas, meu caro stestesteriuéréré para ti e vive a vida sem zangas, senão apanhas rugas.