sexta-feira, 6 de março de 2009

Acerca de Televisão

ACERCA DE TELEVISÃO


Um elevadíssimo responsável pela gigante privada francesa TF1, afirma: “ A principal função da minha Televisão consiste em ajudar a Coca-cola (apenas um exemplo) a vender o seu produto. Para que uma mensagem publicitária seja apanhada é preciso que o cérebro do telespectador esteja disponível. As nossas emissões têm por vocação torná-lo disponível, isto é, diverti-lo, distendê-lo, preparando-o entre duas mensagens. O que nós vendemos à Coca-cola é tempo de cérebro humano disponível. E não há nada mais difícil do que obter essa disponibilidade. “
Ora, fácil, demasiado fácil de encontrar a origem pimba das Televisões generalistas. Mesmo as que o não eram, passaram a sê-lo. Não existe outra forma de governo de uma empresa privada desta natureza – têm que criar “ disponibilidade “ no cérebro humano. E como é que esta se cria? Não é certamente com programas que suscitem elevada reflexão. Elas criam programação que não forma cultural e intelectualmente um indivíduo, porém, entretêm-no, divertem-no, criam-lhe disponibilidade no cérebro.
É essa programação (que não cultiva e não fornece conhecimento ao indivíduo) que os anunciantes pagam; é essa disponibilidade de cérebro humano que é paga.




Carlos Jesus Gil

14 comentários:

Daniel Savio disse...

E a gente que tinha de tomar vergonha na cara e nos tornar mais disponiveis para coisas melhores...

Obrigado por me citar lá no meu blog...

Hua, kkk, ha, ha, brincadeira com um fundo de verdade.

Fique com Deus, menino Carlos.
Um abraço.

Darwin disse...

De facto o que o responsável da TF1, afirma é de deixar qualquer ser racional de boca aberta.
Também a crítica à programação dos canais abertos em Portugal é praticamente contínua e vem dos mais diversos sectores da sociedade. Seja pelos conteúdos sensacionalistas, pela concentração de telenovelas, excesso de publicidade, exploração e exposição dos sentimentos. A concorrência trouxe toda uma panóplia de piroseiras e personagens não menos medíocres, relegando para altas horas da noite programas culturais, filmes e séries de qualidade... a lista é longa, mas adiciono mais uma: Jornalistas com falta de valores e critérios, agarrados a algo que tomam como garantido, a impunidade de quem atrás de uma câmara de televisão, podendo dizer o que bem lhe apetece sem que ninguém os possa contrariar.
O resultado aí está, nos canais generalistas, em sã concorrência, que oferecem um mesmo produto, um mesmo formato, maravilha que poderemos constatar ao ligar o nosso televisor.
O burro come palha, a questão é saber dar-lha. Mas podia não ser assim!

Bom fim-de-semana para todos!

Táxi Pluvioso disse...

O ensalchichador implacável.

GMV disse...

[vejo pouca televisão :)]

Beijo de bom fim-de-semana

batutaemeia disse...

É de facto assim. Nós é que temos quefazer a selacção. Temoso canal dois, que nãoé pago e é excelente, e a tv cabo (várias tv´s cabo). Temos que seleccionar.

Anónimo disse...

Grande verdade.

Susi disse...

Isso é real! Sabe que hoje até pensei em entrar para televisão atuando em comerciais. Isso porque há momentos que os programas estão tão chatos e repetitivos que os comerciais são infelismente o que nos distraem alguns comerciais de extremo bom gosto. Os programas chatos que tem por cérebro os popozões que o digam! abç

loirinhaquenãoédeaveiro disse...

Eu de vez em quando até vejo uma novela, não digo que não. Mas é de vez em quando para desanuviar. Se perdermos episódios sabemos bem que não perdemos o fio à meada. O que gosto e há pouco é de bons programas e também de bons filmes, mas disso há pouco. Temos que lhes fazer ver isso.

Laurindo disse...

Só pimbalhada. Também é precisa mas só não.

ϟ Camila Siqueira ¬ disse...

é como se as besteiras deixassem nossa cabbeça vazia e então os publicitarios usam isso!

Café da Madrugada® Lipp & Van. disse...

Que na realidade, nao é disponibilidade nenhuma né.
Cérebro que não se exercita, fica obeso de tanto vazio e sem tipo algum de cultura racional.

Táxi Pluvioso disse...

Sábias palavras. No caso dos lusos nem é preciso grande esforço para lhes enfiar "coca-cola" pela guela abaixo.

dragao vila pouca disse...

Nós, os não pimbas, somos uma minoria.
Nós, os que não nos deixamos manipular, somos uma minoria.
E as minorias, como sabemos, passam mal.

Um abraço e bom fim-de-semana.

o que me vier à real gana disse...

Boa madrugada!

Excelentes reflexões!