terça-feira, 20 de novembro de 2007

E o Alberto e o Albino também...

E O ALBERTO E O ALBINO TAMBÉM…


HÁ MAIS MARIAS NA TERRA


Era uma vez um casalito - lito só porque eram mesmo novinhos, que maturidade, dignidade e sentido de vida não lhes era em míngua – que, depois de muito matutar, resolvera, por unanimidade, aceitar a ajuda dos dois casais progenitores para continuar a estudar. Os empregos e o ou os filhos viriam mais tarde.
Certo dia “ Olá narrador presunçoso! Estás bom, velho amigo? “, “ Tu?!, outra vez tu?! Ó pá, Albino, nunca te disseram que a casamentos e baptizados só vão os convidados?, arre!..., bem, a culpa é minha… “, “ O que é que queres dizer com isso, narrador? “, “ Com isso o quê, com o arre ? “, “ Não, com o outro paleio. “, “ Albino… É pá, será que não compreendes que não és bem-vindo? Ter-te-ei convocado, por ventura? “, “ Ok, não me chamaste, pá. Só que eu já estava com saudades! “, “ Saudades de quem, meu? “, “ É pá, de ti… e do Alberto, principalmente dele, pronto. Se ao menos me pusesses em contacto com ele!... Nem que fosse só para o cumprimentar. “, “ … Ó pá, prometes que me deixas em paz? “, “ Prometo, palavra de escuteiro! “, “ Lá sabes tu o que isso é!... “, “ Sei sim, isso é que sei! Olha, vou contar-te um segredo: não fui só teu personagem, nem eu nem o Alberto. Existimos em cabeças várias, não és o único que nos narras… Daí que não sou o ignorante por que me tomas. Dá-se, que simpatizava contigo. Narrador, palavra de escuteiro, sim, que não te incomodo mais, tragas-me tu ou mesmo não me tragas o Alberto! “, “ Tá bem pá, vou convocar o Alberto: ó Alberto! “, “ Sim, narrador, que me queres? “, “ Está aqui o Albino para te cumprimentar. “, “ Narrador, diz ao meu amigo que agora não dá, estou bastante ocupado com o trabalho que me está a dar um colega teu. Mais tarde, diz-lhe que mais tarde. Convoca-nos aos dois daqui a uns dias, tá? “, “ Não, não tá! Vão os dois enganar a real puta que vos há-de vir a parir. Vocês existem só e unicamente na minha lavra. Aliás, nenhum camarada de ofício se daria ao trabalho de alimentar dois meliantes como vocês, dois mal paridos, desconchavados e de elevado défice estrutural. “, “ Não, narrador, nem eu nem o Albino somos os personagens que ora pintas. E o que somos a ti devemos. Por acaso já leste sobre o Alberto de Sicrano e o de Beltrano? “, “ Já, pá, conheço-os muito bem, são dois brilhantes personagens, cada um à sua maneira… Não, rapazito, com vocês não há hipótese. A vossa natureza não permite a mim narrador grandes veleidades. Os outros Albertos, e os outros Albinos, que também conheço admiráveis em outros narradores, não são vocês… muito longe! Há mais Marias na Terra. “, “ Então… queres dizer nunca mais? “, “ Tudo acaba, ou pelo menos muda. O nunca mais não constitui excepção. É, também ele, temporal. Caso mudem; se a hibernação (não se limitem a respirar!) a que vão ficar sujeitos vos ensinar alguma coisa, um dia voltarão. Dar-vos-ei hipótese de tal. “
Cansados e aborrecidos com a intromissão, Mafalda e Pedro Miguel deram o fora. Já sei como é, hoje já não os apanho.


Carlos Jesus Gil

2 comentários:

chico jorge disse...

o albino ainda te vai dar que fazer
e eu vou querer ver
um abraço

Tomas de alencar disse...

continuando as palavras do chico, vai te dar que fazer e escrever.