sábado, 29 de setembro de 2007

Benfica/Sporting

Não me apetece, de todo, escrever sobre o jogo!

Coisa Pública

COISA PÚBLICA


A coisa pública é de todos: dos que geracional e solidariamente descontam, pagam contribuições e impostos; dos que, não podendo, não descontam e não pagam. Porém, paradoxalmente, também é dos que, podendo e devendo, nunca descontaram e nunca pagaram, em cidadania, coisa alguma.
Está mal…!




Carlos Jesus Gil

Verdades,absolutas ou não

NÃO HÁ VERDADES ABSOLUTAS (ESTA TAMBÉM NÃO É ?!!!)


Se, como diz João Magueijo, os físicos teóricos – no seu caso, cosmólogo – passam a maior parte do tempo a tentar descobrir falhas nas teorias que já existem; e, por outro lado, a analisarem novas teorias especulativas, que porventura lhes permitam descrever tão bem ou melhor que as anteriores os dados experimentais, prova que não existem verdades absolutas (ou não, isto é complicado!). Pagam-lhes para duvidarem de tudo o que os outros propuseram antes; para proporem alternativas ousadas; para discutirem interminavelmente entre eles. “ No jogo do desvendar o mistério do universo, os cientistas nunca podem dizer caso encerrado “.
Não há, tenho para mim (será que tenho?), verdades absolutas. O que hoje é tido como verdade, terá que ser revisto no futuro… por certo (por certo?!!!), o que era verdade passará a ser conhecido como apenas parte dela ou, até, como uma completa não verdade ( já aconteceu, isto já aconteceu, lá isso é verdade).




Carlos Jesus Gil

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Mianmar

E se os senhores do mundo agissem de forma a não ser possível a sequela da chacina de 1988?

Merda que não cheira a ela

MERDA QUE NÃO CHEIRA A ELA


Merda por todo o lado, avonde. Sei, nem sempre damos conta, é que há dela que não cheira a ela.
Por um lado, isto é mau… arriscamo-nos a meter a mão em coisa que percebemos limpa, mas que… - depois são as inconveniências de mexer na merda! _; por outro, é bom… a consciência do facto obriga – a fim de idónea preparação – a um estudo aturado, ao apuramento da agudeza de espírito e a um culto da perspicácia.
Merda que não cheira a ela _____» motor de desenvolvimento.




Carlos Jesus Gil

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Mianmar

A piorar...
Sanções?... Nem com Dalilas!


Carlos Jesus Gil

PSD

Meneses coloca "o Partido acima de tudo". Mas, caro senhor, não seria mais adequado, politicamente, colocar o país acima de tudo?... Ainda que em contexto, há inépcia, mas quanta!


Carlos Jesus Gil

Futebóis

E se nenhum dos "três grandes" tivesse, ontem, alcançado vitória na eliminatória da recém-criada "Taça da Liga"?
Esteve prestes a acontecer... Pois, se tivesse mesmo acontecido, goradas sairiam as expectativas (económicas) dos senhores da Liga.
Aiii, a equipa de arbitragem do Estrela da Amadora/Benfica!; aiii, o descaramento do pedido de desculpas aos dois clubes, quando só um foi prejudicado (o que implicou o benefìcio do outro)!


Carlos Jesus Gil

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Eu não quero...

Eu não quero!
Eu não quero
nada
fazer este caminho só comigo,
sozinho.




Carlos Jesus Gil

Mianmar

... E o caos continua. Onde estão os polícias -bons- do mundo?


Carlos Jesus Gil

terça-feira, 25 de setembro de 2007

A propósito das eleições no PSD - polémica com o pagamento de quotas

A este propósito - pagamento de quotas aos partido políticos -, escrevi há uns tempos:

O CARTÃO DO PARTIDO


Há uns tempos, não muito para trás, que hodiernos são, a pedido de uma grande amiga minha – que, por inspirar e expirar política, transpirar idoneidade e amor à causa, fora eleita presidente de uma concelhia do Partido Socialista (PS) - tornei-me militante oficial (há quem diga filiado!) do Partido. Qual é o problema?, ter um cartão vermelho/rosa com o símbolo do PS e o meu nome associado? Só se for pela cor, que sou sportinguista.
Bem, um destes dias, em conversa de café com a rapaziada da farra, veio à baila a questão partidária – isto depois de um relvado de futebol bem regado com fininhos. Vai daí, um compartidário meu vira-se para mim e indaga: “já pagaste as quotas?”. Já pagaste as quotas?!!! Mas que paradoxal e petulante atitude, esta, dos Partidos, não do meu amigo! É, tenho para mim, um desconchavo de sofista. Então o pagamento de um militante não é traduzido no seu voto nos escrutínios e na militância exercida em conversas de café, tertúlias, demais eventos sociais?! E como esta militância é, por vezes, bem mais importante do que um comício!
Não comparsas, o Partido é que me deve. Abnegados somos nós em votarmos e militarmos sem que nos paguem.


P.S. Seria assaz interessante ver os Partidos políticos unirem-se pela inclusão, nos seus estatutos e na Constituição, da limitação do direito de voto nas autárquicas, legislativas…, a apenas quem é militante e com as quotas em dia.




Carlos Jesus Gil

Police

E se, em vez de neste preciso momento me encontrar em casa a alimentar este blog, estivesse no Estádio Nacional a ver e a ouvir os Police?


Carlos Jesus Gil

Rangum- Mianmar

Hoje, entre monges e populares, 100000 a manifestarem-se em Rangum, num protesto que definitivamente alastrou a todo o país. O mundo empatiza com os manifestantes´... Só falta acontecer o mesmo com os senhores do mundo. Só falta os ditos senhores empatizarem com todas as vítimas de ditaduras, sejam elas militares ou não.


Carlos Jesus Gil

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Aung San Suu Kyi

E se em Mianmar (antiga Birmânia) as prisões fossem só para verdadeiros criminosos?


Carlos Jesus Gil

domingo, 23 de setembro de 2007

Dalai Lama

E se Angela Merkel fosse tão pau-mandado quanto Sócrates, o José?...

sábado, 22 de setembro de 2007

Anda tudo por aí...

Anda tudo por aí… Eu caço; isso, e dar forma ao que caço - arquitectura sintáctica e de notação -, é o meu trabalho.


Carlos Jesus Gil

Scolari

E se você desse bons exemplos aos milhões que o admiram?... Bem, bastaria que não desse maus.

Bom exemplo

E se você, senhor futebolista famoso, com regularidade diária separasse os resíduos domésticos e os levasse para o ecoponto e disso fizesse conhecedor (sem receber tusto!) o mundo que o admira?


Carlos Jesus Gil

Respostas limadas

Eu sei... eu sei que limei as respostas do futebolista!


Carlos Jesus Gil

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Passou-se há já algum tempo

FAMOSO FUTEBOLISTA GASTADOR

INDIGNAÇÃO


… - então e acerca daquela semana polémica em que, segundo notícias, gastou, em moeda antiga, cerca de cem mil contos?
- Acerca disso já disse o que tinha a dizer. Falei com os responsáveis do meu clube, que são os meus patrões, e disse-lhes que, desde que cumpra as minhas obrigações profissionais, ninguém tem absolutamente nada a dizer sobre a forma como gasto o meu dinheiro. Assunto encerrado!
- Mas, fulano, não acha propositada a indignação mostrada por muitos adeptos do clube - seus fãs, sim, admiradores do seu bailado com a bola, sem dúvida -, não acha pertinente essa indignação? Não põe a hipótese de essa extravagância poder, no mínimo, criar confusão nas pessoas para quem é um ídolo?
- Não, não tem cabimento nenhum. Ouça, quem sabe o que fazer com o dinheiro que ganho sou eu, mais ninguém! Quando necessito de conselhos peço-os a familiares ou a amigos, ou então pago a consultores…
- Não sabe, fulano, que os anónimos cidadãos sócios ou simpatizantes do seu clube, e de si, são quem, em verdade, lhe paga? Não sabe que quando estão a ver um jogo, no estádio ou na televisão – cara a publicidade, não?... por algum motivo há-de ser - ; quando compram uma t. shirt com o seu nome ou outra qualquer bugiganga do seu clube, estão a contribuir para o seu ordenado? Não sabe que desse modo eles estão a ser, ainda que de forma muito diluída, seus patrões?...
É verdade, fulano!... Nunca pensou que pessoas que auferem um ordenado infinitamente inferior ao seu pudessem ser seus patrões? Deixe lá, não se pode ter talento para tudo!



Carlos Jesus Gil

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

História

HISTÓRIA


A bem de uma preparação cuidada, cujo desígnio seja a sustentabilidade do futuro, é profícuo -mesmo fundamental – estudar o passado. É aqui que entra a História.




Carlos Jesus Gil

Fado

FADO


Ai que vida, nosso Deus,
que vida que eu não sonhei!


Será que alguém sonhou
com a que leva e levou;
com o que joga e jogou;
com o percurso marcado,
indelével (será que sim?) como o fado,
será, nosso Deus, será?


Dou de barato o pensado,
posso mandar no meu fado!...
Mesmo que o caminho de um
seja com o d’outro comum.


Então, nosso Deus, então?...
Tanto que preguicei,
na corrente naveguei
sem tentar uma inflexão.


Trânsito proibido,
pensara ter encontrado.
Daí o ter desistido
de meu fado ter traçado.




Carlos Jesus Gil

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Vida = Fundamental Omnipresença do Querer

VIDA = FUNDAMENTAL OMNIPRESENÇA DO QUERER


Todos querem sempre!, quanto mais não seja, querer nada. Mas o que é isso de querer nada? Ora, querer nada é querer, em relação a determinada situação, que tudo se mantenha, que não se verifiquem nem imputs nem outputs. Querer nada é desejo forte, convoca todo o querer. É sim, pois então!... (assim penso eu, por ora). É querer alguma coisa, coisa esta traduzida em fenómeno imaterial, ou seja, na não alteração de estado ou estados vividos pelo indivíduo.
… De acordo, todas as mentes activas – o mundo dois de Decartes e de Popper –querem sempre. Sub-rogo o todos de bom grado e plena consciência da precipitação inicial. Só mundos activos podem; os outros, por eles alguém há-de poder, e pode e quer… mudar ou manter.
Se todos algum dia não quiserem nunca, aí, de que valerá a capacidade de germinação da terra, para que servirá o oxigénio?




Carlos Jesus Gil

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Igual beleza

IGUAL BELEZA


A Poesia está para a área das letras como a Matemática está para a das ciências: ambas requerem – de todos - talento, enorme persistência, trabalho, capacidade intelectual a fim do seu entendimento que, ao ser atingido, revela sempre mais e mais caminho para desbravar, mas também belezas inexcedíveis.




Carlos Jesus Gil

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Direito por linhas tortas

DIREITO POR LINHAS TORTAS


Política


… Será que eles estão convictos de que tem que ser mesmo assim?!
Não, não creio. Pesam os prós e os contras, em balanças de última geração, e depois decidem. Decidem, ainda que a réstia de humanidade que lhes ficou torne, por vezes, a coisa difícil. Decidem e pronto!... É claro, estão, de há muito, intimamente ligados ao sofisma, tão de há muito que o operam como ninguém; tergiversam imenso; avassala-os a omnipresença da consciência sondagística, a tal ponto que em permanência ondulam ao jeito das… Está na moda o surf.
Bom negócio, este das empresas de sondagens – então quando se aproxima o fim, que poderá resultar apenas em pequena pausa formal, que nem sequer o é (a pausa), e numa ou noutra correcção estética!..., aí é que é um vê-se-te-avias, não há mãos-a-medir!
Sejamos racionais! O que era ontem, com naturalidade não o é hoje e sê-lo-á novamente amanhã. É a dinâmica das coisas… Será?
Será que também o homem possui a faculdade de escrever direito por linhas tortas? Se assim for, vivam o sofisma e… a hipocrisia!




Carlos Jesus Gil

sábado, 15 de setembro de 2007

Medicina

MEDICINA


A medicina é semiologia; é terapêutica.
O laboratório e a prática andam de mãos dadas no avanço destes dois ramos daquela actividade humana tão científica, mas empírica por natureza.




Carlos Jesus Gil

Envelhecer

Os rios nascem a cada momento;
os rios, por tal, nunca são velhos
- a velhos chegam os seus leitos.
Ai!...
Quem me dera que só os trapos envelhecessem!




Carlos Jesus Gil

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Passou-se há já algum tempo

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS ( as que consagraram o professor Cavaco como mais elevado magistrado da Nação)


Peguei hoje, mais uma vez – nos últimos tempos não tem tido hipótese alguma de ganhar mofo -,no meu cartão de eleitor, e lá fui exercer um direito suado por outros e um dever que, por tal, me é em consciência impingido.
Votei nestas eleições presidências impregnadas de bruma – ao mesmo tempo, e sempre subliminarmente, tão sub-reptícias e sibilinas nos objectivos de quem é candidato ou de quem propõe -, votei, dizia, com a impressão de que existe um candidato órfão, justamente aquele – absurdo?... – que tem pais assumidos, os quais têm proclamado a sua prodigalidade. Curioso!...
Os resultados? À hora, de oficial nada; oficiosamente, tudo.




Carlos Jesus Gil

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

FUTEBOL - SELECÇÃO

PRECISA-SE:" ENCARREGADO D'OBRAS ".
Figo, volta depressa!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Contigo

CONTIGO


CANÇÃO


Se fosses minha como eu sou teu;
se fossemos dois num só;
se o meu olhar chamasse o teu
dó, ré, mi, fá sol, lá, si, dó!


O mundo voltaria a ser gracioso;
a noite e o Inverno com mais luz;
tudo num Bem harmonioso
humm…, como a vida me seduz!


Refrão
Olha p, ra mim,
vê se me vês;
olha p,ra mim
mas não de través;
põe o teu olhar no meu!


Contigo não, não preciso
da trivial felicidade química;
sei que sou falto de juízo,
mas que importa, se és minha força anímica?!


Vou mais longe, sim, e chego lá!
Estou pleno de energia,
esqueço, até, que estive cá,
sinto a noite como o dia…
Contigo!


Refrão…




Carlos Jesus Gil

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Vida que é vida repete-se, sempre!

VIDA QUE É VIDA REPETE-SE, SEMPRE!


Só estamos vivos se nos lembramos do vivido, experienciado; se nos lembramos, relembramos e re…relembramos, dependendo…
A lembrança é a prova de vida. Não basta respirar. Lembrar é viver de novo, em emoção, com a vantagem de se poder ganhar em intensidade e, se na origem houve riscos, não ter que passar por eles, vivendo-os, porém.
Lembrar é repetir a vida mas não lhe conferindo monotonia nem algo de prolixo; é impulsionar origens de futuras lembranças; é viver de novo e, quando a origem o permite, é gozar em indizível regozijo (por exemplo: quando viajamos em turismo e nos deliciamos com o que vemos, estamos a pagar um preço irrisório, pois iremos (re)viver tudo isso imensas vezes, retirando sempre satisfação, sozinhos ou – ainda com maior intensidade – quando contamos à família ou aos amigos. A viagem repete-se e só pagámos uma vez. Barato, muito barato!); lembrar é uma das duas partes da vida, a outra é o acontecimento que dá substância à lembrança.




Carlos Jesus Gil

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Distância

DISTÂNCIA


Será que continuas linda?
Linda só?!, não,
um espanto;
o meu quebranto!,
que o foste em tempos
não passados
para mim.


Amados momentos que não esqueci
porque não pude!


As portas daquele edifício temporal
que coabitámos
ficaram escancaradas,
mas só enxergava num sentido.
Penso eu.




Carlos Jesus Gil

sábado, 8 de setembro de 2007

Parábola

PARÁBOLA


O LÁPIS E A BORRACHA


Moravam no mesmo estojo, um lápis todo janota e uma borracha toda borracho. Ambos executavam com brio as suas funções: se o lápis escrevia – não fosse, ou mesmo fosse, o que devia -, lá vinha a borracha, esbelta, esguia, e tudo, tudo de algo delia.
Duro coração, o daquela borracha. Como enganava aquela textura macia!; coitado do lápis, incansável e abnegado trabalhador, amigo de verdade, um indefectível! Esferográficas, marcadores, afiadeira, tubo de cola, caneta correctora, lápis de outras raças, até a própria borracha, todos podiam contar com ele. Aliás, todos os coabitantes daquele estojo eram família. Bem, não o foram sempre, mas tornaram-se. Uma verdadeira Pensão Familiar, aquele estojo.
De facto desconheciam-se por ali querelas, graves aborrecimentos. Talvez as esferográficas tivessem alguma razão de queixa da caneta correctora…, nada, contudo, de muito exasperante. O corrector nunca fora tão rude, é verdade que, volta-e-meia, toldava a lavra da esferográfica, mas a coisa era feita com alguma delicadeza e mesmo serenidade.
Com a borracha a atitude era outra, com ela era tudo à bruta!... De maneira que o bom do lápis andava desgostoso, mesmo deprimido com o desdém com que era tratado pela vizinha. E diminuído que estava! Bem, é certo que todos os lápis em função decrescem com a idade, mas com aquele era demais, tantas, em tão pouco tempo, foram as vezes que visitara o aguço. O mais terrível de tudo era a consciência do pouco que tinha produzido, pois tanto fora devastado.
Estava, pois, na hora de uma conversa de macho para fêmea (de ser para ser, que não era dessas coisas, o lápis); ser borracha é tanto como ser lápis, uma não é mais que outro!, pensam os justos.
- Por que me tratas assim, vizinha?
- Assim como, rapaz?
- Assim, tão friamente, despeitando-me com assaz constância, derrubando tanto do que ergo.
- Está na minha natureza, lápis, não é por mal, crê!
- Mas não podias, ao menos, não passar por cima de algumas coisas? Às vezes até voltam ao mesmo, coisas que apagas!
- Não, é instintivo, já te disse que é a minha natureza. Repara, tu também tens a tua natureza, a qual, por sua vez, também há-de, de quando em quando, ferir o prestável papel. Não com a pressão que exerces sobre ele, mas com a substância de algumas das marcas que lá deixas. E olha que há papel bastante nobre, que não merece certas coisas!...
- Pronto, já vi que não mudas. Olha como já estou tão pequenino!
- Lápis, sinceramente… não te julgava tão piegas! Eu também estou bem mais pequena, de cada vez que apago a tua lavra também eu perco físico. Mas quem te julgas tu afinal?, o desditoso mártir do estojo?!
Posto isto, ao bondoso do lápis não resta senão a resignação: uma vida implacavelmente a correr para o fim, ao ritmo frenético das inexoráveis apagadelas!... – Deixa lá, está na nossa natureza!

Carlos Jesus Gil

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Tu, quem és?

TU, QUEM ÉS?


Quem és tu, que volta-e-meia lembras que tudo em ti é teu? Não és, acredito, essa que eu vejo, apenas a tens!
… Mas, se a essência é o ser, e não o ter, porque sofres tanto por ele; porque te vendes tantas vezes; porque insinuas, não raro, mudança de figura?... se és sempre a mesma!... Será para mostrares quem és?




Carlos Jesus Gil

Discriminação

DISCRIMINAÇÃO


Ó iníqua oxidação discriminatória!
Ó iníquos trilhos – para alguns – sinuosos,
demasiado sinuosos!
Serás, mulher feita com o relógio,
também assim na atitude?




Carlos Jesus Gil

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

T' ás com quantos...?

T’ÁS COM QUANTOS…?


Dois amigos não se vêem há mais de dez anos; um Sporting/Benfica proporciona-lhes o inopinado reencontro:

- Não acredito, olha quem eu aqui venho encontrar! T’ás porreiro Manel?
- Oh, oh! Olha o Joaquim, como é que vai isso, pá? Há quanto tempo…!
- É pá vai bem, dá cá um abraço (iam partindo uma costela um ao outro). Mas e tu, pá, como vais?
- Na maior, Quim, felizmente as coisas correm bem.
- Então, vens ver o teu Benfica perder?, eh, eh,…
- Quinzito, Liedson resolve!..., às vezes.
- Mas, é pá, tu t’ás na mesma! Os anos não passam por ti.
- Tu também t’ás igual, pá.
- Oh, oh, t’ou pois, já cá cantam 52.
- 52?!...
- Pois, sou mais velho do que tu, não te esqueças.
- Eu sei, eu sei.
- Davas-me menos, era?
- É pá dava, dava-te menos…………… um quarto de hora!

Cada um para a sua claque; nunca mais se falaram.




Carlos Jesus Gil

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Atmosferas

ATMOSFERAS


Não leves a mal
por, não raro, gerar vendaval…
É vento de momento,
passageiro como o tempo,
mal começa – em noite ou dia -,
já espreita a calmaria.




Carlos Jesus Gil

Caridade

CARIDADE


Mesmo uma sociedade plenamente justa (o pleno na Justiça é, penso, pura utopia) não prescinde da caridade.
Caridade é dar dinheiro, pão, roupa, sim, é tudo isso mas muito mais: é visitar quem necessita de visitas; é saciar de companhia quem dela carece; é fazer sorrir quem não vê razões para isso; é tantas outras coisas que, como estas, nunca existem em suficiência…, por mais justa que uma sociedade seja.




Carlos Jesus Gil

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Economia à portuguesa

ECONOMIA À PORTUGUESA


Bem sei que, como tantas outras coisas, a Economia é cíclica, vivendo obrigatoriamente várias fases que ressuscitam. Aliás, são-lhe vitais os ciclos.
Porém a nossa… a nossa só admite dois estados (antagónicos, embora não muito), é maníaco-depressiva, é bipolar.


Carlos Jesus Gil

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Efémero

EFÉMERO


O presente é tão efémero que chego a pensar que não existe!




Carlos Jesus Gil

Passou-se há já algum tempo

CLIMA MEDITERRÂNICO COM MANIAS


Há uns anos escrevi assim:

O sol por vezes acorda tarde. Talvez em resultado de noites agitadas… Pior é quando nem dá acordo de si durante largos períodos – tal não é a bebedeira!...Os Invernos são propícios a hélio-bebedeiras, tantos são os dias em que se encontra de ressaca!


Hoje escrevo assim:

Publicitem a instituição, por mais oneroso que seja, publicitem-na!
São eficientes, os tipos; terapia milagrosa!... Transformaram um absentista militante num fanático trabalhador. É obra!...
Há poucos anos dizia-se (aliás, hoje ainda se exclama): “bom tempo, hum…solinho!” (sol sóbrio).
Mas eu digo: ontem, seis de Setembro de dois mil e cinco, houve bom tempo. O sol, ressacado, não apareceu e as gotas de água das nuvens, embora ainda com pequeno peso, caíram, timidamente, mas caíram. Promessa de melhores dias para a vida no seu todo.
Sol sóbrio = bom tempo? Sim, mas só se apanhar uma chiba de vez em quando!
Este nosso clima, temperado mas pouco…, caminha a passos largos para a esquizomania!
Culpados? Os ciclos naturais, com certeza, mas também a ausência de afectividade a que foi votado… o Planeta.




Carlos Jesus Gil

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

A razão de...

A RAZÃO DE


É a razão de todas as coisas
do Homem.
Todos me falam dela,
mesmo quando não –
não há fingimento possível,
subentendimento, ainda vá …;

todos me falam dela,
o masoquista fala dela,
eu falo dela.
Os Santos também falam dela.


Os outros
Seres
já a entendem,
de há muito, de sempre.
Percebem que ela não está, é.
É, no caminho
( paralelo, ou não,
a outros onde não é ).


Os outros
Seres
sabem que ela é a razão de
todas as coisas,
que é um eclodir que se renova,
se soubermos,
se pudermos.


Os outros
Seres
sabem,
podem,
passeiam onde ela é.




Carlos Jesus Gil

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

MENA GIL

É, simultaneamente, a minha prima mais velha e a mais jovem (não, não é a única prima que tenho). Fez ontem anos; esqueci-me do seu aniversário, mas não se esqueceu ela do meu mais que provável esquecimento. Daí que tenha sido ela a ligar-me... Paradoxo, não?
Parabéns prima Mena.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Artes

ARTES


Talento, tormento; inspiração, transpiração. Na ausência destes ingredientes não é possível “cozinhar” Arte.




Carlos Jesus Gil

Ser e parecer

SER E PARECER


À nossa sociedade importa muito mais o parecer do que o ser. Daí que muitos, os mais espertos, se limitem a representar.
Os outros, os que são, são-no porque não estariam bem de outra forma, ou, então, porque lhes é mais fácil ser do que parecer. É que parecer, para além de exigir talento, encerrar a sua arte, também dá trabalho.




Carlos Jesus Gil

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Poema de Amor (digo eu)

Dêmos o que pudermos,
e que só bem faça
a quem o dermos!




Carlos Jesus Gil

Apetece-me...

Apetece-me…

Dizer:

que jamais voltarei a escrever um poema de amor;
que não passam, aqueles, de pieguice expurgadora de dor;
que esta deve ser vivida, não expelida,
que, contida e debelada por luta con ou descon…trolada,
faz mais crescer do que “ deitar cedo e cedo erguer “
(que os Grandes – digo Grandes, não famosos – o souberam fazer).


Contudo, como não sou Grande e, mais que tudo, transbordo de dúvidas sobre se alguma vez escrevi um poema de amor – quando muito, poesias de paixão, também alimento, sim, mas menos imensidão -; como sou humano, habitáculo da imperfeição endógena, vou, naturalmente, contrariar – pelo menos tentar - aquele apetecer.




Carlos Jesus Gil

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Míngua de desejo = felicidade nula?

FELICIDADE


Só se pode ser feliz enquanto se procura. Se, por questões que tenham a ver com a sorte, ou não, alguém alcança tudo o que quer (dinheiro, poder, glória, amor), se tal acontecer termina a felicidade para esse premiado. Pois, como diria Mário de Sá Carneiro, como pode alguém ser feliz sem algo que possa desejar atingir?
Míngua de desejo = felicidade nula.
… Mas, e os outros,
os que desejam e não alcançam,
será que dançam
de contentamento
ou carpem eles de tormento?



Carlos de Jesus Gil

Eduardo Prado Coelho

Foi Grande... Por onde começar a ler o Público?

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Passou-se há já algum tempo

UMA QUESTÃO DE SEMÂNTICA


A TODOS OS LEXICÓLOGOS LUSÓFONOS


Ainda há bem pouco tempo saiu um prodigioso dicionário da língua portuguesa, vocábulos e mais vocábulos, neologismos, estrangeirismos, ali não falta nada, ou melhor, não faltava. É que… já carece de actualização!
O consulado de Durão Barroso tem-nos mostrado quão viva e dinâmica é a Língua Portuguesa, tão pródigo que tem sido na atribuição de novos significados a termos seculares. Vejamos o que significam, para a coligação governamental, os seguintes vocábulos:
- centro: A algo que não está na periferia; B de decisão – algo que não deve estar em Portugal.
- concertação: o mesmo que utopia.
- educação: conjunto de práticas que devem servir para avaliar os professores.
- greve: algo que se compreende e aceita, mas jamais sob governação PSD/CDS-PP.
- imposto: tributo que devem pagar os mais pobres.
- negociação: formulação de questões com o objectivo de conhecer as condições pretendidas por outrem, seguida de decisão pré-tomada.
- outro: … se não tiver das coisas a mesma opinião que nós, a dele não presta.
- produtividade: algo que não tem a ver com a formação dos recursos humanos, com a tecnologia aplicada e que despreza a inovação.
- proteccionismo: sistema político-económico teoricamente abominado pela União Europeia e parceiros económicos mundiais, mas cuja abominação só deverá ter resultados práticos em Portugal.
- slogan: frase curta que atribui culpabilidade ao Partido Socialista.

… Claro que há mais, mas tudo não passa de uma questão de semântica!




Carlos Jesus Gil

Alguma loucura

Gosto de agir com frugalidade, todavia é-me vital, de quando em quando, alguma loucura.




Carlos Jesus Gil

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Força Cósmica

NÃO É FÁCIL, MAS…


O Amor pode ser vítima de assassínio, e é-o não raro, porém a perpetração não se reduz a um acto, por mais hediondo que seja, que a força da mais majestática razão de todas as coisas do Homem é enorme, cósmica, não sendo plausível que pereça com coisa pouca ou coisa muita sem repetição, obstinada repetição.




Carlos Jesus Gil

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Trabalho é sempre

TRABALHO É SEMPRE


Só existe trabalho. Ou melhor, o trabalho é omnipresente; sem trabalho seria o nada!
O Universo é trabalho incessante. Nas galáxias, nas estrelas, nos planetas… nada pára, tudo trabalha; andamentos e ritmos diferentes, admitamos, mas tudo toca.
Já pensaram na hipótese de, em qualquer que seja o ser vivo, um órgão resolver descansar um pouco, mandriar? O ente logo entraria em estado de maleita, não é? Então, e se o órgão resolvesse meter férias ou reformar-se?...
Não, não me venham com essas!... Os malandros, os desempregados, os reformados e outros parados também trabalham. Para além dos órgãos que neles laboram – e eles também são os órgãos – só trabalharem porque eles se alimentam, e isso é trabalho, eles exercem a função de dar trabalho a outros – aliás, função acumulável e comum a tudo e todos.
Também as rochas, pois claro; as casas, as casinhas pois!; tudo o que é imóvel e todas as coisas avariadas que, no mínimo, exercem a função de proporcionar trabalho a outros ou a outras…coisas.
Trabalho, eternamente. Daí a Orquestra não parar, nunca!
O Palco?, Esse vive constantemente e perenemente rearranjos.




Carlos Jesus Gil

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Mensagem

MENSAGEM


Percebo-me o papel e as letras dentro duma garrafa. Bem rolhada.
Bom papel, boa tinta; bem desenhadas e juntas, as letras! Porém o mar, as correntes, os ventos – umas vezes para um lado, mas quantas para outros? – não ajudam.
Acredito em quem me enviou, nos seus intentos. Mas o mar, as correntes, os ventos…não ajudam!




Carlos Jesus Gil

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Feeria

FEERIA SUBSISTE


Avassalador! Arrebatador espectáculo, de uma feeria indizível… Que autor/prodígio fora capaz de tal? : um rol de mutações aleatórias?; a auto-organização?; os dois em parceria num caos harmónico?
Até quando o labor do Mestre?... ou dos Mestres?




Carlos Jesus Gil

Catástrofes; vítimas; respeito; ajuda

Pode até já não interessar aos jornais, aos media em geral, mas, pelo que somos, não esqueçamos o Peru... nem as vítimas do Dean... nem as de todas as catástrofes naturais ou humanas, ou de origem conjunta!


Carlos Jesus Gil

Noite; Dia; Princípio... De Tudo

NOITE; DIA; PRINCÍPIO… DE TUDO


Noite,
és tão velha
que ninguém, jamais,
te viu nascer.

Dia,
como a noite,
só há testemunhos
do teu acordar.




Carlos Jesus Gil

sábado, 18 de agosto de 2007

Passou-se há já algum tempo

O Sr. Miguel Sousa Tavares escreveu, no “Expresso” de 31/03/2007, “ O Contrato Social “; eu, li e reli. Eu que, por considerar sempre um ganho de tempo tantas vezes o leio – a ele cronista, a ele escritor, etc. -, escrevo:

Consciência (pouco) Social

O Sr. Miguel esqueceu-se da relatividade das coisas!... Então, por exemplo, cem euros por mês (directos, fora os outros, que quem paga assim também paga os outros) não entram na categoria de “impostos a sério”, se quem os paga aufere quatrocentos (desculpas, muitas, pelo mui grosseiro modo da ratio) ?!
Ó Sr. Miguel, o Sr. é dos outros, dos que pagam “impostos a sério” mas… quer comparar a sua qualidade material de vida com a daqueles descontadores menores (e olhe que os há que se esfolam vivos a trabalhar!), quer comparar?... Você e os seus “exercícios de curiosidade política”, ai modéstia!...
Atente, Sr. Trabalhador/Contribuinte fiscalmente bem comportado, por obséquio atente : a maior parte dos que comigo convivem são trabalhadores, têm filhos e… não consideram mil euros por mês “menos que pouco” – vá lá, quando muito, pouco!
…estática e aborrecida seria a perfeição!


Carlos Jesus Gil

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Livros

LIVROS


Gosto de os ter; todos os bons livros quero adquirir. Sou um comprador compulsivo de livros. Hei-de ter biblioteca ou bibliotecas pejadas de livros do chão ao tecto; só dispensarei espaço para a luz, muita luz – terei, forçosamente, que recorrer a um Siza – e, obviamente, para um centro amplo com mesas q. b. e cadeiras em proporção. Isto porque os não quero só para mim…
Livros…, dão-me remorsos os que ainda não li embora os possua já!... Gosto de os tocar, de os ler, de os cheirar, de os reler.
Aprende-se tudo na relação de complementaridade existente entre os livros e a experiência. Num bom romance, por exemplo, podemos: aprender História, absorver Filosofia, compreender políticas e politiquices, entender de um modo simples um complicado fenómeno natural – que o cientista, porque o experiencia e vive, percebe na plenitude mas não explica cristalinamente, por natural incapacidade -, entender o mundo económico e social, cheirar e ver em estranha realidade os cenários (ao ler um romance encontro-me num cinema…, sou director de fotografia, sou o homem do som, sou o realizador e, se for do meu agrado, até sou o protagonista…), enfim, um bom romance inocula doses cavalares de estoicismo, sopra auras antidesalento.
Livros, gosto dos velhos e dos novos, de todos os que entretêm ou acrescentam… Gosto de os ler, reler – a alguns de re-reler -, de os dar a ler, de os discutir; gosto de os usar, porém nunca mas nunca de os estragar (não é sujo o sujo do uso; é de exaltar a perda de elegância física de um livro quando a mesma se deve à sublime função para que foi concebido - que estar direitinho na estante é desdenhá-lo -, agora estropiá-los…, estropiar livros?! Fico furibundo quando me deparo com tal!).
Livros: unidades fabris onde operam palavras; cidades de palavras; espaços de lazer para palavras – que os compartilham simbioticamente com os humanos -; parques desportivos para palavras; por vezes, maternidades para palavras.
Livros: palavras, imagens – que todas as palavras projectam imagens -, emoções…Vida!




Carlos Jesus Gil

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Mundos

HÁ POIS, HÁ MAIS PARA ALÉM DISTO!


Se te amputarem um braço, tu dizes: “ aquele braço é meu “;
se te amputarem o outro, tu dizes: “ aquele braço é meu, já não tenho braços “;
se te amputarem uma perna, tu dizes: “ aquela perna é minha ”;
se te amputarem a outra, tu dizes: “aquela perna é minha, pernas também já não tenho “.
Se… te amputarem todo o corpo, deixando-te apenas o cérebro, artificialmente alimentado, tu pensas – ficção?, sim, por ora! - : “ aquele corpo é meu “.
Serás apenas cérebro?; o eu – o dono - é o cérebro? Tenho para mim que não!
O eu não é tangível, o cérebro, que o é, negoceia com o eu e interage com ele nas comunicações com o corpo e nas relações deste com os meios físico, humano e espiritual.
Esta é a minha visão das coisas, pode haver outras.




Carlos Jesus Gil

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

O que presta

O QUE PRESTA


Os poderosos, para si, têm sempre o que dizem – aos outros – não prestar.




Carlos Jesus Gil

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Sveta

Há tantas, tantas tão lindas quanto ela (mais do que, não)!... Então porquê isto?
Já sei. É tudo culpa desta química de que tudo resulta.




Carlos de Jesus Gil

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Ensino

DESIGNAÇÕES


Há quem afirme, e eu sou desses, que não importa assim tanto a designação que atribuímos às coisas. Pois, não é pelo hipotético facto de me chamarem carro-de-mão que eu deixo de ser automóvel, desculpem, ser humano. É ou não é? Então aqueles teimosões que veementizam a defesa de que tal é de madeira, quando toda a gente sabe que é pedra – puro calcário de Ançã -, põem em risco a natureza da coisa?... Claro que não. Logo, pois é!
É o quê?, o que é que é , no meio de toda esta embrulhada? É a essência, a substância, o ser não sofrerem qualquer alteração pelo facto de, inadvertidamente ou não, lhes ser mudada a designação. A minha - e dos outros – Barrinha não passou a mar quando, há tempos, muitos, um turista – sim, que também o era – proferiu (contemplando-a genuinamente maravilhado): “ Olha, o mar está tão calminho! “… Ela lá continua, doce como mel de urze (de urze, pois!), apesar de o verdadeiro, o salgadinho, se encontrar ali à beira, a escassos metros.
Mas toda esta lábia para quê? Simplesmente para vos dar conta daquilo que todos sabemos: não há verdades absolutas – excepto algumas, umas tantas… É que dei-me conta de que faz toda a diferença o Ministério da Educação ser assim designado, e não como a meu ver deveria ser: Ministério do Ensino. É, é uma questão de designação mas não só. Aquela traz, atrelada, uma série de posturas, de incumbências mais próprias de outras geografias sociais (como hodiernamente convém).
Educação?, é em casa. A Escola pode e deve participar nessa empresa, mas…é em casa.
Desempenhar a mui grande e imprescindível tarefa do ensino deve ser o objectivo primeiro da Escola. Depois… já que os professores não têm família, já que… são funcionários públicos, poder-se-á pensar noutras coisas – sim, não custa dar uma ajudinha na educação. Ajudinha!, que o mester é outro.
Depósito?!, vê-la como depósito?!, é pá, isso é que não!
Bem, já deu p`ra ver que a designação em questão constitui vigorosa excepção ao que supra defendi. Ah, e aquela do Ensino Secundário? Secundário?!, como assim?! Bem fundamental que ele é!
Eu sei que aqui eles queriam dizer outra coisa…, mas falharam!




Carlos Jesus Gil

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Comunicar

DIRECTO; AMBÍGUO; METAFÓRICO


Escrever frases taxativas é bom em comunicação.
Escrever frases que podem dizer tudo - até mesmo o que o autor quis não dizer – é muito bom, é medicamento de enorme abrangência!




Carlos Jesus Gil

cantinhux.blogspot.com

Tomei conhecimento deste cantinho quando, através do Google, acedia ao meu blog. É um blog generalista - o seu autor ou autora também escreve o que lhe vem à real gana.
Sinceramente - não é por ter lido referências simpáticas sobre algo do que escrevo -, é um blog a visitar regularmente.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Um defeito qualquer

EXISTEM SIM


Se o tiver, está bem escondido: farto-me de procurar, perscrutei-a todinha…e nada, nada mesmo!
Pedi que a radiografassem da cabeça aos pés, que a submetessem aos mais rigorosos e modernos exames, mas…nada, de todo. Dou voltas e mais voltas… nem aqui nem acolá…e nem debaixo pele!
Dou de barato todo este processo, metodologia inadequada. E os olhos, os meus olhos?...Isto é que vocês me saíram cá uns amigos!
Existe sim, ou melhor, existem sim! Então, se ninguém consegue conviver com a perfeição – e eu não sou diferente dos outros -, como é que não existem?!...
Dou-me tão bem com ela!...
Benditos sejam os meus olhos!




Carlos Jesus Gil




DEFEITO QUALQUER


Se reparo nela,
aturdido fico
com o todo dela,
portento bendito!


Há-de haver algo mais
naquela mulher,
ela esconde sinais,
só mostra o que quer.


Refrão

Eu sei que ela tem
um defeito qualquer,
aquele doce bem,
aquela mulher.

Tem rosto se Santa,
o que não condiz
com a atitude jactante,
vistosa, feliz.
Ai…como ela anda;
ai como se mexe…
mas quanta elegância!
Beleza que cresce.


Eu sei que ela tem,
ai tem concerteza
um defeito qualquer…
nem que seja a beleza!




Carlos Jesus Gil

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Pensar/Agir

O INEVITÁVEL NÃO NEGA A OPOSIÇÃO!


Rodeiam-nos disparidades em todos os sectores… Por vezes, abomináveis disparidades! Não devemos habituar-nos a elas, temos, no mínimo, de nos esforçar por isso!
Tolice seria, também, iludirmo-nos (bem sabemos o que foi e o que será…), mas a mitigação é o almejo racional, como tal é mister opormo-nos ao teatro instalado. Por si só, tal acto provocaria, certamente, mudanças – pequenas (os átomos também são pequenos e resultam, quando percorridas as devidas veredas, em magestáticas enormidades) mas boas – nos actos do mesmo.
Desprezível displicência! Anacrónica abulia.




Carlos Jesus Gil

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Tolerância

TOLERÂNCIA/AMOR

CANÇÃO


Apesar da cor da pele,
não há diferença entre nós;
todos somos mel e fel,
não só eu, também vós.


Se rezas, fazes bem,
também o faço, a valer!...
se ao mesmo ou a Outro Alguém,
tanto faz, pois o que importa é crer!


Tolerar é um princípio,
nunca um fim;
amar é que o é!
Tenho p,ra mim.




Carlos Jesus Gil

sábado, 4 de agosto de 2007

Mulher proibida

MULHER PROIBIDA




Mulher proibida,
gosto de ti como se gosta da vida
- não desta que me coube em sorte,
que é menos vida que morte!



Se em ti penso,
logo dispenso
outro pensar;
meu alimento,
paliativo pensamento,
meu respirar.



Diz-me, mulher proibida,
porque continuas a alimentar esta ferida,
grande, lagunar – não, maior que o mar.
Diz-me se é por saberes
que quanto mais ela cresce, mais eu vivo,
diz-me!



A raposa, matreira,
vai à capoeira
não por proibido ser,
mas por fácil se mostrar
- que difícil é caçar.
Nós, eu, não, mulher proibida,
sem perigo seria amar quem me está a esperar.


Grande é o orbe,
muitos os cérebros que nele cabem e couberam;
e caberão;
nenhum consentindo, porém, como o do homem,
o temerário conceito de veleidade,
vital, porque mobilizador, inibidor de desalentos;
perigoso, porque fantástico,
propiciador de altos adejos
e, quiçá, de grandes quedas.


Mulher proibida
- outra, e sempre a mesma -,
imagem perfeita da perfeição
- que defeitos não tem,
e mesmo tendo-os não os tem
(que os não sinto:
invisíveis aos meus olhos,
inodoros ao meu olfacto,
alheios aos gosto, ouvidos e dedos meus).


Mulher proibida,
exasperadamente graciosa e pretendida,
assim, só por seres proibida…
Se a proibição for delida, mulher proibida,
delidos serão os desejos vivamente vividos!


Que a proibição não seja revogada!




Carlos Jesus Gil

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Trabalho

TRABALHO


O trabalho, por vezes é um obstáculo a ultrapassar; outras, é um espectáculo para deleitar.




Carlos Jesus Gil




TRABALHO II


Outro Paradoxo


Vezes há em que, depois de desempenhada a função profissional, sinto que, ao invés de receber, deveria pagar e sem direito a meter a despesa no IRS; outras, não raro, vejo-me um explorado, um escravo.
Curiosamente, é quando sinto que recebo em vez de pagar que o patrão mais lucra comigo!




Carlos Jesus Gil

Função Pública - reestruturação

...Tenho andado a pensar nisto: passar de 1473 carreiras para apenas 3!!! É tudo ou nada, rapaziada... Ó senso bom, deixa de jogar às escondidas!


Carlos Jesus Gil

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Era nenhuma vez...

ERA NENHUMA VEZ …


O Sol brilhava sempre, todos os santos dias; a temperatura era invariavelmente agradável; havia áreas reservadas à precipitação, incumbidas da recepção e armazenamento da indispensável água; havia áreas com neve, muita neve todo o santo ano, para turista ver e desfrutar .
Todos amavam, todos eram amados; todos os activos trabalhavam, ninguém era tramado; trabalhava-se por necessidade e prazer; o lazer variado era, e inquestionavelmente praticado.
Era nenhuma vez um país assim!

Devia ter terminado o texto com um simples ponto final.




Carlos Jesus Gil

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Viagens

O PREÇO DAS VIAGENS


Lembrei-me hoje de que já não viajo, em lazer, há muito tempo. Cinco anos e alguns meses passaram sobre a última de algumas viagens que empreendi por esse mundo afora.
Instantes volvidos, tive a consciência epifanica de que não é bem assim. É que, paradoxalmente ou não, nunca deixei de viajar em lazer!... Aos sítios onde fui e que vivi regresso constantemente, sempre que necessito de me ausentar. Passo quase todos os dias largos minutos de deleite, sempre intenso, nesses pontos do orbe. Viajo à velocidade da luz de um ponto para o outro.
São pílulas de prazer de efeito perene, essas que não se encontram nas farmácias, mas nas agências de viagens!
A consciência leva-me a admitir que me enganava quando julgava altamente dispendiosos os meus devaneios viageiros. Caros?!...Não, do mais barato que há…,pois se só paguei uma vez e viajo sempre! Então, quando, pejado de prazer, falo delas aos meus amigos, o que é isto?... Se isto não é viajar em lazer!…
Menos de um cêntimo foi quanto me custou cada viagem; e, se viver muito, muito, muito – digo viver -, não temos moeda que se adapte ao preço.




Carlos Jesus Gil

Criançar/adultar

CRIANÇAR/ADULTAR


Gosto tanto das pessoas que demoram em ser crianças...!; vejo nobreza ímpar naquelas que precocemente se tornam adultas. Gosto dessas ainda mais!




Carlos Jesus Gil

terça-feira, 31 de julho de 2007

Espiritual

LUGARES XANAX


Que Paz me oferece Fátima, mais certo, a Cova da Iria e a contemplação, in situ, da maior Senhora! Não me refiro à imagem, embora ela ajude.
A grande Dama, mesmo que ali não tenha estado – e nada me diz que não esteve – é presença constante desde 13 de Maio do ano 17 do século XX.
Toldam-se os maus génios e o negro da alma, naquele lugar sagrado; as árvores e a pedra, mesmo a de Berlim, são um todo profusamente verde; a utopia materializa-se naquele lugar sagrado. E também em S. Tiago, e também em Lourdes, e também em Meca, em Jerusalém plural…
São tantos, e não demais, os lugares Xanax




Carlos Jesus Gil

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Arroz de tomate

A TOMATADA


Certa vez, encontrando-me eu a actuar (também sou músico… de baile) num belo recanto deste nosso país tão fisicamente pequeno mas tão diverso e rico em costumes, eis que, por dizer algo que não devia – não recordo, creiam, a asneira -, eu que tenho a missão de comunicar e gerar empatia com o público, sou literalmente acertado por algumas dezenas de tomates bem madurinhos. Ora, eu, um sportinguista de alma e coração, ver-me ali da cabeça aos pés (cabeça e cara, soube-o através de um espelho zombador) um homem de vermelho!... foi humilhante, confesso.
Bem, tentei dar a volta à situação (imaginei-me, mesmo, benfiquista ferrenho, de modo a tornar menos penosa a pena), socorrendo-me do traquejo adquirido, perguntando se já lá estava o arroz. “… é pazes, arroz de tomate… com peixe frito… é um mimo!”. E vai daí, espanto completo: da multidão surge uma bela moçoila, com quem em tempos dera umas voltas, sobe intempestivamente ao palco, pega num microfone e proclama que “se fosse para fazer o dito cujo arroz não seria necessário gastar um cabaz de tomates, bastariam os dele!... e, saibam, dariam para um regimento…”.
Fiquei sem palavras.




Carlos Jesus Gil

sábado, 28 de julho de 2007

Cheirinhos

ESTRANHO BAILADO


… E de repente apetece-me gritar: tragam-me um antibróóóómico!...
Não, não grito, limito-me a deslocar-me uns metros. Para a direita; para a esquerda, depende… À vezes resulta.
É de uma tão grande densidade, aquela atmosfera! Ele são as luzes, ele são os decibéis, ele é o fumo, ele são os constituintes normais; ele é o elemento estranho…
A gama, essa é variada; a intensidade também é díspar. Por vezes a qualidade é refinada, uns frasquinhos pomposos e era um ver se te avias… Inebriante!
Ambivalência de sentimentos: repugna, por um lado, hilaridade por outro.
Com o barulho das luzes, as cores dos sons, um “bailado” muito próprio e uns parcos metros de permeio ninguém nota nada, ninguém topa o drama, efémero, mas repetido. Ninguém, nem mesmo os quatro ou cinco rapazes que não poucas vezes viveram – será que sim? – a situação… Às vezes lá esboçam um sorriso.




Carlos Jesus Gil

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Jazz

CONCERTO DE JAZZ

Assisti, ontem à noite, em Coimbra, a um concerto de jazz. Não é meu hábito, por motivos diversos que não vêm agora à baila, de maneira que fora necessária grande força espiritual para vencer a relutância que me eivava. O facto de ser ao vivo, ajudou; o facto de a vocalista do quinteto ser a minha amiga Fátima ramos, empurrou-me.
Bem, foi fantástico! Os TAKE FIVE (…concordo, o nome carece de alguma originalidade, ou talvez não. Pode muito bem ser uma singela homenagem ao tema e ao compositor. Pode ou não pode?) possuem a ferramenta toda para desbravarem caminho. Quanto à minha amiga Fátima…, a cachopa efectivamente tem queda para aquilo.
De modo que me ocorre instá-los: continuai malta, continuai!


JAZZ


Quando o jazz não é “só” um exímio desfilar de escalas embebidas num ambiente harmónico dissonante - mas lógico; quando o jazz não é “só” isto e a rítmica empatiza..., não se torna o ramo sonoro da Matemática e, então, é música Divinal!




Carlos Jesus Gil

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Entrevista a Sócrates, SIC, 25/07/07

Belo exercício de mnemónica; Como todos os bons políticos, é um prodígio a tergiversar.


Carlos Jesus Gil

Sobre poesia

POESIA/FILOSOFIA


Um Poeta é um Filósofo Esteta.
Já repararam no quanto de Filosofia encerra a Poesia de Pessoa, Shakespear, Ruy Belo, Dante, Eugénio de Andrade, Camilo Pessanha, Sá Carneiro, António Aleixo – sim senhor! –,Yeats… e de tantos, tantos outros estetas do Pensamento comunicado?
Bem, convenhamos, todos os grandes escritores são prolíficos em Filosofia. Na Poesia, porém, subsiste uma Arquitectura de Pensamentos, uma Espiritualidade estética e peculiar criadora de tantas Religiões ( que, homem que a vive reza! ), tornando o Poeta ( via talento e tormento ) um emissário do Supremo.
Bela é a Filosofia proveniente das Ciências Físicas; bela, ou belíssima, é a Filosofia que nos chega do seio da própria Filosofia; nenhuma, porém, alcança a beleza estética da que brota da Poesia!




Carlos Jesus Gil

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Tantos tantos

Ai taaaaaaaaaaaaantos!..., ai tantos a caminho do blog!

Por amor, por sexo

TUDO POR AMOR E SEXO


A maior parte dos humanos, acredito, enquanto a idade e o organismo o permitirem, move-se por amor e sexo.
O cidadão vulgar, ainda jovem, anseia por uma boa formação como via para um bom ordenado, porquê? Um bom funcionário almeja uma promoção; um director sonha com a administração, porquê? O artista visa o êxito; o político um cargo vistoso, porquê? Pelo dinheiro, pelo poder, sim. Mas será este o fim? Dinheiro, poder, só?! Sossego; acesso à cultura e ao lazer e aos prazeres da boca, só?!
Não, não me parece serem estes os fins finais!




Carlos Jesus Gil

terça-feira, 24 de julho de 2007

Brincadeira

O JOGO


- Olá minha menina, como estás?
- Estou óptima, e tu?
- Estou também porreiro , obrigado.
- Devias era espetar esse cabelo com gel, ficarias com um visual bem mais jovem.
- O meu cabelo é fraquito, mesmo com muito gel, do ultra forte, só muito curtinho é que dá para espetar. E eu não gosto de me ver com o cabelo muito curto.
- Se fosses meu namorado cortava-lo, ai isso é que cortavas!
- Se fosse teu namorado, e se tu gostasses de me ver com pente zero, já eu não não gostava de me ver com o cabelo curto. Mas … mas tu, sempre que toco no assunto – e não são raras, as vezes – desvias para canto …
- O desviar para canto não é terminar o jogo. Pelo contrário, é dar-lhe seguimento com uma acção de ofensiva superior.
- Não tinha pensado nisso! Tenho que aproveitar melhor os cantos, pode ser que meta golo.





O JOGO, COMO ELE É


... Ó lindinha, lindinha!
Se fosses minha namorada, querias lá tu saber se meto gel ou bosta no cabelo; se é comprido ou curto; se é liso ou encaracolado!
Se fosses minha namorada … era porque sim, o sim que anula – ou tolda – os “defeitos” e amplia as “virtudes”.
Quando é porque sim o pouco ou o muito basta; o ao pouco se juntar ou ao muito se tirar, em nada altera o stock.
Nem de penalty sem guarda-redes na baliza… Contigo.







Carlos Jesus Gil

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Ás boias!

ZÉ-NINGUÉM



Somos tantos, cerca de seis mil milhões (não seis biliões, como dizem os norte-americanos).
Seis mil milhões de particularidades, de subjectividades, não obstante o muito de padrão que também se verifica.
Mas, então, porque emergem só alguns? Explicações diversas, por certo. Desde logo porque nem todos amam estar à tona; depois, bem, depois… é a ditadura da Economia a dominar toda uma série de sub-ditaduras, todas elas alimentadas, anafadamente, com o que falta aos outros, à montanha deles.
Paradoxalmente são os leves que afundam! Paradoxalmente?, não. Só quem nunca foi a uma piscina…


Escute-se o Zé-ninguém!
Às bóias!




Carlos Jesus Gil

Brincadeira

GALINHA


CANÇÃO


As saudades que eu já tinha
de roubar uma galinha
à capoeira do vizinho;


p´ra fazer m´a patuscada
com tod´a rapaziada,
bem regada a tintinho.


E p´ra coisa se compor
e desvanecer rancor,
trazer o dono à pepineira;


e só no fim lhe contar,
que a carne do belo manjar
era da sua capoeira.




João Carlos Jesus Gil
Carlos Jesus Gil

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Ela é tão boa!

PROVOCAÇÃO


Provoquei-a, por acinte.
Nem cavaco ela me deu;
tudo por igual correu,
sem nobreza, sem requinte!


Provoquei-a, reiterando!
Que a ventura que produz
e a beleza que induz
são miragem ribombando.


Provoquei-a sempre, sempre…
Cuspi-lhe toda a verdade:
perdi minha mocidade!...
Ela riu, riu de contente.


É mister não sermos crentes:
há gentes, gentes e gentes!




Carlos Jesus Gil

Política

POLÍTICA


A Política é um jogo de contrapartidas e chantagens!




Carlos Jesus Gil



POLÍTICA


No sistema iníquo em que vivemos, os políticos não podem prescindir de dois instrumentos fundamentais: as contrapartidas e as chantagens.
Por mais idóneo, mais íntegro que seja um político, existirão sempre situações em que terá que recorrer a estes instrumentos - isoladamente ou em conjunto -, sob pena, caso o não faça, de não conseguir alcançar as grandes causas a que se vai propondo.
Na Política, como, de resto, nas demais actividades da sociedade, a concorrência é uma constante, e cada vez mais global. È imprescindível concorrer em paridade, usando instrumentos que, no mínimo, não sejam inferiores aos da concorrência.




Carlos Jesus Gil

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Vira Latas Puro

O PORTA-CARRAÇAS

Porta-carraças é um vira-latas puro, do mais genuíno que há.
À semelhança da generalidade dos puros derruba-caixotes, porta-carraças é possuidor não só de uma vasta colónia de carrapatos, mas também de uma mui nobre e forte personalidade.
Tais atributos não passaram despercebidos às cadelinhas da rua que passara a administrar desde que, com um pragmatismo invejável, abandonara a rua onde sempre vivera, objecto, agora, de um olhar muito cuidado do senhor presidente da câmara, pois lá comprara apartamento um parente qualquer. Pese embora o facto de em termos de estatura física o animal nem dever nada – entenda-se: devotos agradecimentos - aos vários pais que o conceberam e à mãe que o pariu, uma paixão pandémica impregnou o ar rasteiro daquela rua. Baixa estatura física, imperial porte moral!...
Fêmeas à moda antiga, sim!, das de antes, ainda, do cinema, da televisão e das revistas – daquelas que vendem muito -, sete cadelinhas polidas, penteadas, perfumadas e…mimadas, que, muito embora não concebam uma vida sem fachada, nos machos, porém, valorizam sobremaneira o que não se vê ( tá bem, e também algo que se veja! ), tendo, por conseguinte, caído perdidamente de amores pelo solitário canino. Culpa das saídelas à noitinha, para um simples passear (do dono) ou para uma mijinha…ou cagadinha!
Pronto, como o horário das saídas era coincidente - até porque era aí que a vizinhança punha a escrita em dia -, aquilo era um espectáculo!: sete cadelas a um osso, donas e donos arrastados, correntes desprendidas, uivaria, gritaria e, no meio de todo este pandemónio, claro está, o instinto animal a funcionar…com a que chegasse primeiro, que eram todas um mimo.
A coisa durou alguns dias, os suficientes para pôr a cabeça em água aos zelosos donos; para, em conjunto, decretarem a elaboração de um abaixo-assinado dirigido ao digníssimo edil - que aquela rua era de gente e cadelas de bem -; suficientes ainda para depositar a sementinha em algumas das sete fofinhas. Bem, pelo sim pelo não, as meninas não iriam sair à rua enquanto o cão não fosse para o exílio!
Tá bem, tá!, parece que não conhecem o nosso país!... Nem com o Simplex! Tudo leva o seu tempo – digo, para não ter que lavrar outro texto, muito tempo -, rapaziada.
Quinze, quinze foram as noites que a mais estóica das famílias aguentou. Já nem com o mais poderoso – também não é bem assim!... – dos indutores de sono conseguiam dormir, tal não eram as noitadas de ganição e ladração da sua bichinha! Queria filhos, mas não de um qualquer pai; queria-os fortes de carácter; queria os genes do porta-carraças.
Já as outras matilhavam a rua havia alguns dias – agora, por certo, já todas fecundadas – quando a cãozinha se lhes junta. O desvelo, vencido pela falta de descanso, deu lugar à resignação dos donos. E os técnicos do canil camarário que nunca mais vinham!...
Mas vieram, a seu muito tempo chegaram ao território do porta-carraças – o qual desconheciam, o que os levou a uma imediata indagação.
Depois de identificado o prevaricador, foi só sacar dos apetrechos e…zás, já está! Fácil, muito fácil; nunca passara por situação semelhante, de modo que carecia de treino específico… Na antiga morada a ordem de expulsão fora a falta de pão – que em rua limpa não se trinca.
Não acaba aqui a história do nosso herói – ainda vivente. Ao cabo de alguns dias num canil municipal, fugiu – não é cão de gaiola, o porta-carraças. Não me perguntem como!, que não sei. Sei por onde anda, mas não vo-lo digo.
Ah, as cadelinhas!... essas, depois de alguns dias na sua verdadeira sala, descobriram que as necessidades fisiológicas são para satisfazer quando é preciso, de modo que, ao voltar a casa das donas…





Carlos Jesus Gil

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Sociedade da delação

ESTÁ NAS NOSSAS MÃOS…


Ficamos a saber, através da TV Cabo (na verdade mais satélite do que cabo), que adquirir, utilizar ou deter equipamentos ilegais de descodificação de sinal de televisão é acto punível por lei, com coimas entre os €500 e os €3740. Dizem eles, também, que está nas nossas mãos a luta contra a pirataria (inspectores sem concurso, hummm, muita bom!!!).
… Mesmo no fim do anúncio caiem-me os … É que a inspecção não é remunerada, pelo contrário, o inspector paga (já que a informação é dada através de número azul – chamada local); é que o inspector não o é, é delator… Delator, eu!?... O tanas!
É necessária demasiada lata!...




Carlos Jesus Gil

Efeito Dominó

EFEITO DE DOMINÓ




Por exemplo: há uns anos atrás, já lá vão uns quantos!, um homem e uma mulher, em momentos de amor e erotismo, conceberam um outro homem… Foi mais uma peça que caiu. Antes, porém, outras peças caíram para que a união dos pais de W. Bush se concretizasse.
Sim, as peças que hoje caiem estão a ser empurradas por outras, que já o foram por muitas outras por aí ancestralmente fora.
Obviamente, também podemos evocar o caso daquele cantor famoso que só o é porque na hora XPTO o grande produtor resolveu, porque algo concorreu para tal, ir tomar um copo ao bar de Beltrano… Tantas peças que caíram para que o iluminado produtor pudesse encontrar o talentoso cantor!
É, de facto, uma questão de toques em cadeia… é claro que é possível desenhar e redesenhar o percurso, mas…há um limite para a inflexão. A peça de trás só tomba a da frente se lhe tocar até determinada secção.
A primeira foi empurrada – por quem? Deus, por certo!... Se algum dia uma não cair…, é o nada!
Não temo; haverão sempre peças… a cair!




Carlos Jesus Gil

terça-feira, 17 de julho de 2007

Para ela

INTERDIÇÃO


Olho para ti, e sei …
Sei que és-me tão possível,
tão possível, tão
quanto o lugar de Sultão.


Olho para ti,
quando durmo olho para ti;
converso contigo, e…
quase te convenço.
Chego a levar-te até…
ao corredor.
No quarto entro,
mas já sozinho.

Dormia de pernas encolhidas!...


\ Olho para ti,
intenso;
perpasso-te com o meu ver.
Olho tanto tanto,
de um, de outro canto
que tu também me olhas…
Mas não me vês!


Sou-te interdito?
És-me interdita?
Quem deliberou?




Carlos Jesus Gil

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Com barbatanas nadei.

Com barbatanas nadei,
não muito, que não gostei.
Não é p,ra mim isso, eu sei.

Deram-me asas,
e voei, voei, voei…
Sem pausas sempre voei.

Porquê, Mãe Natureza?
(ocorre-me perguntar),
se nem o pássaro, que adeja,
vive constante no ar!




Carlos Jesus Gil

Em terra de cegos...

Em terra de cegos…


INTENSIDADES DE DEMOCRACIA


Quanto mais inteligente, culto e informado for um Povo, menor será o espaço para a demagogia. A acção dos políticos será analisada em função das circunstâncias, mas também das promessas eleitorais; a penalização ao político prevaricador acontecerá com grande frequência (nos momentos eleitorais), o que conferirá à Democracia uma intensidade elevada.
Numa Democracia de elevada intensidade a opinião pública será mais respeitada pelas elites políticas (bem sei que ela já é o primeiro poder, só que o exerce de forma contrária aos seus próprios interesses, precisamente porque não é respeitada, porque é contrainformada).
Então?..., não valerá a pena trabalhar apenas para as estatísticas?; como dantes, não será melhor informar/formar medianamente (eufemismo) muitos, reservando para poucos o muito, a excelência… Claro, dantes os poucos eram escolhidos - agora não se vê, pelo menos em ecrã gigante, o filme “Discriminação”. Agora a Escola está democratizada!... Pois, tá bem, tá!...
Todos os que mandam na Economia sabem que os recursos dos recursos são os recursos humanos, que só qualificando estes pelo melhor se lá vai em termos de produtividade, qualidade, inovação… Todos sabem isto, mas… Ganhar as próximas, manter o poleiro (para si, familiares, amigos), segurar destaque numa sociedade do estatuto, isso sim, isso é que é verdadeiramente importante.
De maneira que…




Carlos Jesus Gil

Eleições intercalares em Lisboa

ABSTENÇÃO GANHA COM MAIORIA ABSOLUTA

Não creio que os 62,6%!!! se devam a uma excelente campanha do PA (Partido Abstencionista); não penso, sequer, que o estado atmosférico tenha ficado do seu lado (confirme, quem quiser, com os registos do Instituto de Meteorologia); as férias?, hummm, também não vamos por aí...
A força do cada vez maior PA advém do também cada vez mais suculento alimento que vai tendo à sua disposição. Quem lho fornece? Ora, tem-lhe sido fornecido prodigamente pelas contínuas gerações de políticos que negam a fundamental abrangência do olhar, condição sine qua non para o mister que escolheram.
Abrangência de olhar...---» Bem público. Ausência dela ---» egoísmo... se for inconsciente, bem, aí é pura incompetência.
Não sei se clame um: viva o PA!!!



Carlos Jesus Gil

sábado, 14 de julho de 2007

A ditadura do futuro

A DITADURA DO FUTURO


Mesmo quando tudo está bem – connosco, com os nossos -; mesmo quando o Sol brilha e o vento assume o heterónimo de brisa; mesmo quando a melodia que escutamos é deveras inefável e a harmonia que a envolve empatiza com a nossa; mesmo quando as camisas que admiramos e defendemos são as mais transpiradas e as que mais vezes são levantadas, à guisa de brinde; mesmo quando a química inexplicavelmente inexplicável nos torna parte dum óptimo produto de reacção; mesmo quando tudo isto acontece em simultâneo e até o metal aparece, mesmo assim, nunca realizamos o pleno…Há sempre algo que obsta: a consciência do efémero, a incerteza do Futuro!




Carlos Jesus Gil

Questões de autoridade

“Temos que ser escravos das leis para podermos ser livres”


Penso ter sido Cícero o receptor do inspirado/estudado pensamento.



Sou a favor da autoridade, da verdadeira, da não histriónica; é fundamental, reconheço-o. Agora da prepotência, do abuso de… isso não, nunca!
Um destes dias falou assim um amigo meu: - é pá, então a autoridade não devia servir para nos fazer sentir seguros e tranquilos? Respondi: -julgo que sim, em substância devia ser esse o seu objectivo. Retorquiu: -Então por que é que andamos sempre cheios de medo deles!?

Bem, o meu amigo descobriu um paradoxo. Eu anui.



Carlos Jesus Gil

sexta-feira, 13 de julho de 2007

CONSTRUÇÕES

Construíram um mosteiro diante da minha janela!... E, lá mais à frente, a sudoeste, um castelo – que belas ameias!
À frente, atrás e dos lados das duas belas e díspares composições arquitectónicas também construíram… outras coisas, diversas todas elas.
De maneira que já não sei se habito a minha época, se a Idade Média, se outra, se – e é o mais certo, visto serem as misturas muito derivantes em bebedeiras – impura e complicadamente estou borracho. É muito provável que apanhe uma piela de cada vez que, depois e acordar, abro a persiana!




Carlos Jesus Gil

NEÓFILO

NEÓFILO


Sou um neófilo, agrada-me a novidade, a inovação, o progresso… Em simultâneo assombro-me com o passado!
Alternadamente, extasio-me com uma ruína ou um texto da Antiguidade; com um “Mosteiro da Batalha”; com um moderno centro comercial; um artigo de uma qualquer “Visão”, um concerto hip-hop ou uma abençoada Sinfonia. Igual contemplação me merecem uma pitoresca paisagem natural e uma avenida ornada de edifícios de moderna arquitectura. O silêncio e o bulício também encontram em mim um freguês indefectível.
Não vivo sem o Sul e o Norte; não dispenso nenhum dos quadrantes!




Carlos Jesus Gil

LÁs

LÁs


O lá, é sempre o lá, a coisa está sempre no lá, mas quando a lá chego…
Já estive em tantos lás, e em sis, dós, rés, mis, fás, sóis!
…Já em lá não estava, a dita cuja. Sempre que a lá chego, de lá parto de imediato. Miragem…
Já nada me prende a lá, ao infinito dos lás!
Chego a imaginar trama, maquinação, sei lá!... Pois são tantos os lás, tantos, todos feitos uns com os outros numa conspiração atroz!
Como é fugaz a minha estada em cada lá!
Será mesmo que o que procuro está em lá? Começo a ter dúvidas, sérias.
Imponho-me outra Geografia, menos natural. Talvez a coisa esteja em lá sustenido, ou lá bemol…
Sou tentado a viajar para estes lás menos naturais, porém, quiçá, mais funcionais!




Faço de tudo p,ra chegar a lá.
Veemente busca, porque é lá que está.
Faço de tudo p,ra chegar a lá,
mas…de lá parto como fui de cá!

Frenética existência,
esta que da busca se alimenta,
que só logrará o que intenta
se plena for de ousadia e paciência
e, mais que tudo,
do muito querer fizer a sua essência!

…Sim, poderei chegar à um dia óbvia conclusão de que o lá é cá!




Carlos Jesus Gil

CIDADÃOS DO UNIVERSO

A partir de agora, é o que me vier à real gana...