DESIGNAÇÕES
Há quem afirme, e eu sou desses, que não importa assim tanto a designação que atribuímos às coisas. Pois, não é pelo hipotético facto de me chamarem carro-de-mão que eu deixo de ser automóvel, desculpem, ser humano. É ou não é? Então aqueles teimosões que veementizam a defesa de que tal é de madeira, quando toda a gente sabe que é pedra – puro calcário de Ançã -, põem em risco a natureza da coisa?... Claro que não. Logo, pois é!
É o quê?, o que é que é , no meio de toda esta embrulhada? É a essência, a substância, o ser não sofrerem qualquer alteração pelo facto de, inadvertidamente ou não, lhes ser mudada a designação. A minha - e dos outros – Barrinha não passou a mar quando, há tempos, muitos, um turista – sim, que também o era – proferiu (contemplando-a genuinamente maravilhado): “ Olha, o mar está tão calminho! “… Ela lá continua, doce como mel de urze (de urze, pois!), apesar de o verdadeiro, o salgadinho, se encontrar ali à beira, a escassos metros.
Mas toda esta lábia para quê? Simplesmente para vos dar conta daquilo que todos sabemos: não há verdades absolutas – excepto algumas, umas tantas… É que dei-me conta de que faz toda a diferença o Ministério da Educação ser assim designado, e não como a meu ver deveria ser: Ministério do Ensino. É, é uma questão de designação mas não só. Aquela traz, atrelada, uma série de posturas, de incumbências mais próprias de outras geografias sociais (como hodiernamente convém).
Educação?, é em casa. A Escola pode e deve participar nessa empresa, mas…é em casa.
Desempenhar a mui grande e imprescindível tarefa do ensino deve ser o objectivo primeiro da Escola. Depois… já que os professores não têm família, já que… são funcionários públicos, poder-se-á pensar noutras coisas – sim, não custa dar uma ajudinha na educação. Ajudinha!, que o mester é outro.
Depósito?!, vê-la como depósito?!, é pá, isso é que não!
Bem, já deu p`ra ver que a designação em questão constitui vigorosa excepção ao que supra defendi. Ah, e aquela do Ensino Secundário? Secundário?!, como assim?! Bem fundamental que ele é!
Eu sei que aqui eles queriam dizer outra coisa…, mas falharam!
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Comunicar
DIRECTO; AMBÍGUO; METAFÓRICO
Escrever frases taxativas é bom em comunicação.
Escrever frases que podem dizer tudo - até mesmo o que o autor quis não dizer – é muito bom, é medicamento de enorme abrangência!
Carlos Jesus Gil
Escrever frases taxativas é bom em comunicação.
Escrever frases que podem dizer tudo - até mesmo o que o autor quis não dizer – é muito bom, é medicamento de enorme abrangência!
Carlos Jesus Gil
cantinhux.blogspot.com
Tomei conhecimento deste cantinho quando, através do Google, acedia ao meu blog. É um blog generalista - o seu autor ou autora também escreve o que lhe vem à real gana.
Sinceramente - não é por ter lido referências simpáticas sobre algo do que escrevo -, é um blog a visitar regularmente.
Sinceramente - não é por ter lido referências simpáticas sobre algo do que escrevo -, é um blog a visitar regularmente.
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
Um defeito qualquer
EXISTEM SIM
Se o tiver, está bem escondido: farto-me de procurar, perscrutei-a todinha…e nada, nada mesmo!
Pedi que a radiografassem da cabeça aos pés, que a submetessem aos mais rigorosos e modernos exames, mas…nada, de todo. Dou voltas e mais voltas… nem aqui nem acolá…e nem debaixo pele!
Dou de barato todo este processo, metodologia inadequada. E os olhos, os meus olhos?...Isto é que vocês me saíram cá uns amigos!
Existe sim, ou melhor, existem sim! Então, se ninguém consegue conviver com a perfeição – e eu não sou diferente dos outros -, como é que não existem?!...
Dou-me tão bem com ela!...
Benditos sejam os meus olhos!
Carlos Jesus Gil
DEFEITO QUALQUER
Se reparo nela,
aturdido fico
com o todo dela,
portento bendito!
Há-de haver algo mais
naquela mulher,
ela esconde sinais,
só mostra o que quer.
Refrão
Eu sei que ela tem
um defeito qualquer,
aquele doce bem,
aquela mulher.
Tem rosto se Santa,
o que não condiz
com a atitude jactante,
vistosa, feliz.
Ai…como ela anda;
ai como se mexe…
mas quanta elegância!
Beleza que cresce.
Eu sei que ela tem,
ai tem concerteza
um defeito qualquer…
nem que seja a beleza!
Carlos Jesus Gil
Se o tiver, está bem escondido: farto-me de procurar, perscrutei-a todinha…e nada, nada mesmo!
Pedi que a radiografassem da cabeça aos pés, que a submetessem aos mais rigorosos e modernos exames, mas…nada, de todo. Dou voltas e mais voltas… nem aqui nem acolá…e nem debaixo pele!
Dou de barato todo este processo, metodologia inadequada. E os olhos, os meus olhos?...Isto é que vocês me saíram cá uns amigos!
Existe sim, ou melhor, existem sim! Então, se ninguém consegue conviver com a perfeição – e eu não sou diferente dos outros -, como é que não existem?!...
Dou-me tão bem com ela!...
Benditos sejam os meus olhos!
Carlos Jesus Gil
DEFEITO QUALQUER
Se reparo nela,
aturdido fico
com o todo dela,
portento bendito!
Há-de haver algo mais
naquela mulher,
ela esconde sinais,
só mostra o que quer.
Refrão
Eu sei que ela tem
um defeito qualquer,
aquele doce bem,
aquela mulher.
Tem rosto se Santa,
o que não condiz
com a atitude jactante,
vistosa, feliz.
Ai…como ela anda;
ai como se mexe…
mas quanta elegância!
Beleza que cresce.
Eu sei que ela tem,
ai tem concerteza
um defeito qualquer…
nem que seja a beleza!
Carlos Jesus Gil
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Pensar/Agir
O INEVITÁVEL NÃO NEGA A OPOSIÇÃO!
Rodeiam-nos disparidades em todos os sectores… Por vezes, abomináveis disparidades! Não devemos habituar-nos a elas, temos, no mínimo, de nos esforçar por isso!
Tolice seria, também, iludirmo-nos (bem sabemos o que foi e o que será…), mas a mitigação é o almejo racional, como tal é mister opormo-nos ao teatro instalado. Por si só, tal acto provocaria, certamente, mudanças – pequenas (os átomos também são pequenos e resultam, quando percorridas as devidas veredas, em magestáticas enormidades) mas boas – nos actos do mesmo.
Desprezível displicência! Anacrónica abulia.
Carlos Jesus Gil
Rodeiam-nos disparidades em todos os sectores… Por vezes, abomináveis disparidades! Não devemos habituar-nos a elas, temos, no mínimo, de nos esforçar por isso!
Tolice seria, também, iludirmo-nos (bem sabemos o que foi e o que será…), mas a mitigação é o almejo racional, como tal é mister opormo-nos ao teatro instalado. Por si só, tal acto provocaria, certamente, mudanças – pequenas (os átomos também são pequenos e resultam, quando percorridas as devidas veredas, em magestáticas enormidades) mas boas – nos actos do mesmo.
Desprezível displicência! Anacrónica abulia.
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Tolerância
TOLERÂNCIA/AMOR
CANÇÃO
Apesar da cor da pele,
não há diferença entre nós;
todos somos mel e fel,
não só eu, também vós.
Se rezas, fazes bem,
também o faço, a valer!...
se ao mesmo ou a Outro Alguém,
tanto faz, pois o que importa é crer!
Tolerar é um princípio,
nunca um fim;
amar é que o é!
Tenho p,ra mim.
Carlos Jesus Gil
CANÇÃO
Apesar da cor da pele,
não há diferença entre nós;
todos somos mel e fel,
não só eu, também vós.
Se rezas, fazes bem,
também o faço, a valer!...
se ao mesmo ou a Outro Alguém,
tanto faz, pois o que importa é crer!
Tolerar é um princípio,
nunca um fim;
amar é que o é!
Tenho p,ra mim.
Carlos Jesus Gil
sábado, 4 de agosto de 2007
Mulher proibida
MULHER PROIBIDA
Mulher proibida,
gosto de ti como se gosta da vida
- não desta que me coube em sorte,
que é menos vida que morte!
Se em ti penso,
logo dispenso
outro pensar;
meu alimento,
paliativo pensamento,
meu respirar.
Diz-me, mulher proibida,
porque continuas a alimentar esta ferida,
grande, lagunar – não, maior que o mar.
Diz-me se é por saberes
que quanto mais ela cresce, mais eu vivo,
diz-me!
A raposa, matreira,
vai à capoeira
não por proibido ser,
mas por fácil se mostrar
- que difícil é caçar.
Nós, eu, não, mulher proibida,
sem perigo seria amar quem me está a esperar.
Grande é o orbe,
muitos os cérebros que nele cabem e couberam;
e caberão;
nenhum consentindo, porém, como o do homem,
o temerário conceito de veleidade,
vital, porque mobilizador, inibidor de desalentos;
perigoso, porque fantástico,
propiciador de altos adejos
e, quiçá, de grandes quedas.
Mulher proibida
- outra, e sempre a mesma -,
imagem perfeita da perfeição
- que defeitos não tem,
e mesmo tendo-os não os tem
(que os não sinto:
invisíveis aos meus olhos,
inodoros ao meu olfacto,
alheios aos gosto, ouvidos e dedos meus).
Mulher proibida,
exasperadamente graciosa e pretendida,
assim, só por seres proibida…
Se a proibição for delida, mulher proibida,
delidos serão os desejos vivamente vividos!
Que a proibição não seja revogada!
Carlos Jesus Gil
Mulher proibida,
gosto de ti como se gosta da vida
- não desta que me coube em sorte,
que é menos vida que morte!
Se em ti penso,
logo dispenso
outro pensar;
meu alimento,
paliativo pensamento,
meu respirar.
Diz-me, mulher proibida,
porque continuas a alimentar esta ferida,
grande, lagunar – não, maior que o mar.
Diz-me se é por saberes
que quanto mais ela cresce, mais eu vivo,
diz-me!
A raposa, matreira,
vai à capoeira
não por proibido ser,
mas por fácil se mostrar
- que difícil é caçar.
Nós, eu, não, mulher proibida,
sem perigo seria amar quem me está a esperar.
Grande é o orbe,
muitos os cérebros que nele cabem e couberam;
e caberão;
nenhum consentindo, porém, como o do homem,
o temerário conceito de veleidade,
vital, porque mobilizador, inibidor de desalentos;
perigoso, porque fantástico,
propiciador de altos adejos
e, quiçá, de grandes quedas.
Mulher proibida
- outra, e sempre a mesma -,
imagem perfeita da perfeição
- que defeitos não tem,
e mesmo tendo-os não os tem
(que os não sinto:
invisíveis aos meus olhos,
inodoros ao meu olfacto,
alheios aos gosto, ouvidos e dedos meus).
Mulher proibida,
exasperadamente graciosa e pretendida,
assim, só por seres proibida…
Se a proibição for delida, mulher proibida,
delidos serão os desejos vivamente vividos!
Que a proibição não seja revogada!
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Trabalho
TRABALHO
O trabalho, por vezes é um obstáculo a ultrapassar; outras, é um espectáculo para deleitar.
Carlos Jesus Gil
TRABALHO II
Outro Paradoxo
Vezes há em que, depois de desempenhada a função profissional, sinto que, ao invés de receber, deveria pagar e sem direito a meter a despesa no IRS; outras, não raro, vejo-me um explorado, um escravo.
Curiosamente, é quando sinto que recebo em vez de pagar que o patrão mais lucra comigo!
Carlos Jesus Gil
O trabalho, por vezes é um obstáculo a ultrapassar; outras, é um espectáculo para deleitar.
Carlos Jesus Gil
TRABALHO II
Outro Paradoxo
Vezes há em que, depois de desempenhada a função profissional, sinto que, ao invés de receber, deveria pagar e sem direito a meter a despesa no IRS; outras, não raro, vejo-me um explorado, um escravo.
Curiosamente, é quando sinto que recebo em vez de pagar que o patrão mais lucra comigo!
Carlos Jesus Gil
Função Pública - reestruturação
...Tenho andado a pensar nisto: passar de 1473 carreiras para apenas 3!!! É tudo ou nada, rapaziada... Ó senso bom, deixa de jogar às escondidas!
Carlos Jesus Gil
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Era nenhuma vez...
ERA NENHUMA VEZ …
O Sol brilhava sempre, todos os santos dias; a temperatura era invariavelmente agradável; havia áreas reservadas à precipitação, incumbidas da recepção e armazenamento da indispensável água; havia áreas com neve, muita neve todo o santo ano, para turista ver e desfrutar .
Todos amavam, todos eram amados; todos os activos trabalhavam, ninguém era tramado; trabalhava-se por necessidade e prazer; o lazer variado era, e inquestionavelmente praticado.
Era nenhuma vez um país assim!
Devia ter terminado o texto com um simples ponto final.
Carlos Jesus Gil
O Sol brilhava sempre, todos os santos dias; a temperatura era invariavelmente agradável; havia áreas reservadas à precipitação, incumbidas da recepção e armazenamento da indispensável água; havia áreas com neve, muita neve todo o santo ano, para turista ver e desfrutar .
Todos amavam, todos eram amados; todos os activos trabalhavam, ninguém era tramado; trabalhava-se por necessidade e prazer; o lazer variado era, e inquestionavelmente praticado.
Era nenhuma vez um país assim!
Devia ter terminado o texto com um simples ponto final.
Carlos Jesus Gil
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Viagens
O PREÇO DAS VIAGENS
Lembrei-me hoje de que já não viajo, em lazer, há muito tempo. Cinco anos e alguns meses passaram sobre a última de algumas viagens que empreendi por esse mundo afora.
Instantes volvidos, tive a consciência epifanica de que não é bem assim. É que, paradoxalmente ou não, nunca deixei de viajar em lazer!... Aos sítios onde fui e que vivi regresso constantemente, sempre que necessito de me ausentar. Passo quase todos os dias largos minutos de deleite, sempre intenso, nesses pontos do orbe. Viajo à velocidade da luz de um ponto para o outro.
São pílulas de prazer de efeito perene, essas que não se encontram nas farmácias, mas nas agências de viagens!
A consciência leva-me a admitir que me enganava quando julgava altamente dispendiosos os meus devaneios viageiros. Caros?!...Não, do mais barato que há…,pois se só paguei uma vez e viajo sempre! Então, quando, pejado de prazer, falo delas aos meus amigos, o que é isto?... Se isto não é viajar em lazer!…
Menos de um cêntimo foi quanto me custou cada viagem; e, se viver muito, muito, muito – digo viver -, não temos moeda que se adapte ao preço.
Carlos Jesus Gil
Lembrei-me hoje de que já não viajo, em lazer, há muito tempo. Cinco anos e alguns meses passaram sobre a última de algumas viagens que empreendi por esse mundo afora.
Instantes volvidos, tive a consciência epifanica de que não é bem assim. É que, paradoxalmente ou não, nunca deixei de viajar em lazer!... Aos sítios onde fui e que vivi regresso constantemente, sempre que necessito de me ausentar. Passo quase todos os dias largos minutos de deleite, sempre intenso, nesses pontos do orbe. Viajo à velocidade da luz de um ponto para o outro.
São pílulas de prazer de efeito perene, essas que não se encontram nas farmácias, mas nas agências de viagens!
A consciência leva-me a admitir que me enganava quando julgava altamente dispendiosos os meus devaneios viageiros. Caros?!...Não, do mais barato que há…,pois se só paguei uma vez e viajo sempre! Então, quando, pejado de prazer, falo delas aos meus amigos, o que é isto?... Se isto não é viajar em lazer!…
Menos de um cêntimo foi quanto me custou cada viagem; e, se viver muito, muito, muito – digo viver -, não temos moeda que se adapte ao preço.
Carlos Jesus Gil
Criançar/adultar
CRIANÇAR/ADULTAR
Gosto tanto das pessoas que demoram em ser crianças...!; vejo nobreza ímpar naquelas que precocemente se tornam adultas. Gosto dessas ainda mais!
Carlos Jesus Gil
Gosto tanto das pessoas que demoram em ser crianças...!; vejo nobreza ímpar naquelas que precocemente se tornam adultas. Gosto dessas ainda mais!
Carlos Jesus Gil
terça-feira, 31 de julho de 2007
Espiritual
LUGARES XANAX
Que Paz me oferece Fátima, mais certo, a Cova da Iria e a contemplação, in situ, da maior Senhora! Não me refiro à imagem, embora ela ajude.
A grande Dama, mesmo que ali não tenha estado – e nada me diz que não esteve – é presença constante desde 13 de Maio do ano 17 do século XX.
Toldam-se os maus génios e o negro da alma, naquele lugar sagrado; as árvores e a pedra, mesmo a de Berlim, são um todo profusamente verde; a utopia materializa-se naquele lugar sagrado. E também em S. Tiago, e também em Lourdes, e também em Meca, em Jerusalém plural…
São tantos, e não demais, os lugares Xanax
Carlos Jesus Gil
Que Paz me oferece Fátima, mais certo, a Cova da Iria e a contemplação, in situ, da maior Senhora! Não me refiro à imagem, embora ela ajude.
A grande Dama, mesmo que ali não tenha estado – e nada me diz que não esteve – é presença constante desde 13 de Maio do ano 17 do século XX.
Toldam-se os maus génios e o negro da alma, naquele lugar sagrado; as árvores e a pedra, mesmo a de Berlim, são um todo profusamente verde; a utopia materializa-se naquele lugar sagrado. E também em S. Tiago, e também em Lourdes, e também em Meca, em Jerusalém plural…
São tantos, e não demais, os lugares Xanax
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Arroz de tomate
A TOMATADA
Certa vez, encontrando-me eu a actuar (também sou músico… de baile) num belo recanto deste nosso país tão fisicamente pequeno mas tão diverso e rico em costumes, eis que, por dizer algo que não devia – não recordo, creiam, a asneira -, eu que tenho a missão de comunicar e gerar empatia com o público, sou literalmente acertado por algumas dezenas de tomates bem madurinhos. Ora, eu, um sportinguista de alma e coração, ver-me ali da cabeça aos pés (cabeça e cara, soube-o através de um espelho zombador) um homem de vermelho!... foi humilhante, confesso.
Bem, tentei dar a volta à situação (imaginei-me, mesmo, benfiquista ferrenho, de modo a tornar menos penosa a pena), socorrendo-me do traquejo adquirido, perguntando se já lá estava o arroz. “… é pazes, arroz de tomate… com peixe frito… é um mimo!”. E vai daí, espanto completo: da multidão surge uma bela moçoila, com quem em tempos dera umas voltas, sobe intempestivamente ao palco, pega num microfone e proclama que “se fosse para fazer o dito cujo arroz não seria necessário gastar um cabaz de tomates, bastariam os dele!... e, saibam, dariam para um regimento…”.
Fiquei sem palavras.
Carlos Jesus Gil
Certa vez, encontrando-me eu a actuar (também sou músico… de baile) num belo recanto deste nosso país tão fisicamente pequeno mas tão diverso e rico em costumes, eis que, por dizer algo que não devia – não recordo, creiam, a asneira -, eu que tenho a missão de comunicar e gerar empatia com o público, sou literalmente acertado por algumas dezenas de tomates bem madurinhos. Ora, eu, um sportinguista de alma e coração, ver-me ali da cabeça aos pés (cabeça e cara, soube-o através de um espelho zombador) um homem de vermelho!... foi humilhante, confesso.
Bem, tentei dar a volta à situação (imaginei-me, mesmo, benfiquista ferrenho, de modo a tornar menos penosa a pena), socorrendo-me do traquejo adquirido, perguntando se já lá estava o arroz. “… é pazes, arroz de tomate… com peixe frito… é um mimo!”. E vai daí, espanto completo: da multidão surge uma bela moçoila, com quem em tempos dera umas voltas, sobe intempestivamente ao palco, pega num microfone e proclama que “se fosse para fazer o dito cujo arroz não seria necessário gastar um cabaz de tomates, bastariam os dele!... e, saibam, dariam para um regimento…”.
Fiquei sem palavras.
Carlos Jesus Gil
sábado, 28 de julho de 2007
Cheirinhos
ESTRANHO BAILADO
… E de repente apetece-me gritar: tragam-me um antibróóóómico!...
Não, não grito, limito-me a deslocar-me uns metros. Para a direita; para a esquerda, depende… À vezes resulta.
É de uma tão grande densidade, aquela atmosfera! Ele são as luzes, ele são os decibéis, ele é o fumo, ele são os constituintes normais; ele é o elemento estranho…
A gama, essa é variada; a intensidade também é díspar. Por vezes a qualidade é refinada, uns frasquinhos pomposos e era um ver se te avias… Inebriante!
Ambivalência de sentimentos: repugna, por um lado, hilaridade por outro.
Com o barulho das luzes, as cores dos sons, um “bailado” muito próprio e uns parcos metros de permeio ninguém nota nada, ninguém topa o drama, efémero, mas repetido. Ninguém, nem mesmo os quatro ou cinco rapazes que não poucas vezes viveram – será que sim? – a situação… Às vezes lá esboçam um sorriso.
Carlos Jesus Gil
… E de repente apetece-me gritar: tragam-me um antibróóóómico!...
Não, não grito, limito-me a deslocar-me uns metros. Para a direita; para a esquerda, depende… À vezes resulta.
É de uma tão grande densidade, aquela atmosfera! Ele são as luzes, ele são os decibéis, ele é o fumo, ele são os constituintes normais; ele é o elemento estranho…
A gama, essa é variada; a intensidade também é díspar. Por vezes a qualidade é refinada, uns frasquinhos pomposos e era um ver se te avias… Inebriante!
Ambivalência de sentimentos: repugna, por um lado, hilaridade por outro.
Com o barulho das luzes, as cores dos sons, um “bailado” muito próprio e uns parcos metros de permeio ninguém nota nada, ninguém topa o drama, efémero, mas repetido. Ninguém, nem mesmo os quatro ou cinco rapazes que não poucas vezes viveram – será que sim? – a situação… Às vezes lá esboçam um sorriso.
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Jazz
CONCERTO DE JAZZ
Assisti, ontem à noite, em Coimbra, a um concerto de jazz. Não é meu hábito, por motivos diversos que não vêm agora à baila, de maneira que fora necessária grande força espiritual para vencer a relutância que me eivava. O facto de ser ao vivo, ajudou; o facto de a vocalista do quinteto ser a minha amiga Fátima ramos, empurrou-me.
Bem, foi fantástico! Os TAKE FIVE (…concordo, o nome carece de alguma originalidade, ou talvez não. Pode muito bem ser uma singela homenagem ao tema e ao compositor. Pode ou não pode?) possuem a ferramenta toda para desbravarem caminho. Quanto à minha amiga Fátima…, a cachopa efectivamente tem queda para aquilo.
De modo que me ocorre instá-los: continuai malta, continuai!
JAZZ
Quando o jazz não é “só” um exímio desfilar de escalas embebidas num ambiente harmónico dissonante - mas lógico; quando o jazz não é “só” isto e a rítmica empatiza..., não se torna o ramo sonoro da Matemática e, então, é música Divinal!
Carlos Jesus Gil
Assisti, ontem à noite, em Coimbra, a um concerto de jazz. Não é meu hábito, por motivos diversos que não vêm agora à baila, de maneira que fora necessária grande força espiritual para vencer a relutância que me eivava. O facto de ser ao vivo, ajudou; o facto de a vocalista do quinteto ser a minha amiga Fátima ramos, empurrou-me.
Bem, foi fantástico! Os TAKE FIVE (…concordo, o nome carece de alguma originalidade, ou talvez não. Pode muito bem ser uma singela homenagem ao tema e ao compositor. Pode ou não pode?) possuem a ferramenta toda para desbravarem caminho. Quanto à minha amiga Fátima…, a cachopa efectivamente tem queda para aquilo.
De modo que me ocorre instá-los: continuai malta, continuai!
JAZZ
Quando o jazz não é “só” um exímio desfilar de escalas embebidas num ambiente harmónico dissonante - mas lógico; quando o jazz não é “só” isto e a rítmica empatiza..., não se torna o ramo sonoro da Matemática e, então, é música Divinal!
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Entrevista a Sócrates, SIC, 25/07/07
Belo exercício de mnemónica; Como todos os bons políticos, é um prodígio a tergiversar.
Carlos Jesus Gil
Carlos Jesus Gil
Sobre poesia
POESIA/FILOSOFIA
Um Poeta é um Filósofo Esteta.
Já repararam no quanto de Filosofia encerra a Poesia de Pessoa, Shakespear, Ruy Belo, Dante, Eugénio de Andrade, Camilo Pessanha, Sá Carneiro, António Aleixo – sim senhor! –,Yeats… e de tantos, tantos outros estetas do Pensamento comunicado?
Bem, convenhamos, todos os grandes escritores são prolíficos em Filosofia. Na Poesia, porém, subsiste uma Arquitectura de Pensamentos, uma Espiritualidade estética e peculiar criadora de tantas Religiões ( que, homem que a vive reza! ), tornando o Poeta ( via talento e tormento ) um emissário do Supremo.
Bela é a Filosofia proveniente das Ciências Físicas; bela, ou belíssima, é a Filosofia que nos chega do seio da própria Filosofia; nenhuma, porém, alcança a beleza estética da que brota da Poesia!
Carlos Jesus Gil
Um Poeta é um Filósofo Esteta.
Já repararam no quanto de Filosofia encerra a Poesia de Pessoa, Shakespear, Ruy Belo, Dante, Eugénio de Andrade, Camilo Pessanha, Sá Carneiro, António Aleixo – sim senhor! –,Yeats… e de tantos, tantos outros estetas do Pensamento comunicado?
Bem, convenhamos, todos os grandes escritores são prolíficos em Filosofia. Na Poesia, porém, subsiste uma Arquitectura de Pensamentos, uma Espiritualidade estética e peculiar criadora de tantas Religiões ( que, homem que a vive reza! ), tornando o Poeta ( via talento e tormento ) um emissário do Supremo.
Bela é a Filosofia proveniente das Ciências Físicas; bela, ou belíssima, é a Filosofia que nos chega do seio da própria Filosofia; nenhuma, porém, alcança a beleza estética da que brota da Poesia!
Carlos Jesus Gil
quarta-feira, 25 de julho de 2007
Por amor, por sexo
TUDO POR AMOR E SEXO
A maior parte dos humanos, acredito, enquanto a idade e o organismo o permitirem, move-se por amor e sexo.
O cidadão vulgar, ainda jovem, anseia por uma boa formação como via para um bom ordenado, porquê? Um bom funcionário almeja uma promoção; um director sonha com a administração, porquê? O artista visa o êxito; o político um cargo vistoso, porquê? Pelo dinheiro, pelo poder, sim. Mas será este o fim? Dinheiro, poder, só?! Sossego; acesso à cultura e ao lazer e aos prazeres da boca, só?!
Não, não me parece serem estes os fins finais!
Carlos Jesus Gil
A maior parte dos humanos, acredito, enquanto a idade e o organismo o permitirem, move-se por amor e sexo.
O cidadão vulgar, ainda jovem, anseia por uma boa formação como via para um bom ordenado, porquê? Um bom funcionário almeja uma promoção; um director sonha com a administração, porquê? O artista visa o êxito; o político um cargo vistoso, porquê? Pelo dinheiro, pelo poder, sim. Mas será este o fim? Dinheiro, poder, só?! Sossego; acesso à cultura e ao lazer e aos prazeres da boca, só?!
Não, não me parece serem estes os fins finais!
Carlos Jesus Gil
terça-feira, 24 de julho de 2007
Brincadeira
O JOGO
- Olá minha menina, como estás?
- Estou óptima, e tu?
- Estou também porreiro , obrigado.
- Devias era espetar esse cabelo com gel, ficarias com um visual bem mais jovem.
- O meu cabelo é fraquito, mesmo com muito gel, do ultra forte, só muito curtinho é que dá para espetar. E eu não gosto de me ver com o cabelo muito curto.
- Se fosses meu namorado cortava-lo, ai isso é que cortavas!
- Se fosse teu namorado, e se tu gostasses de me ver com pente zero, já eu não não gostava de me ver com o cabelo curto. Mas … mas tu, sempre que toco no assunto – e não são raras, as vezes – desvias para canto …
- O desviar para canto não é terminar o jogo. Pelo contrário, é dar-lhe seguimento com uma acção de ofensiva superior.
- Não tinha pensado nisso! Tenho que aproveitar melhor os cantos, pode ser que meta golo.
O JOGO, COMO ELE É
... Ó lindinha, lindinha!
Se fosses minha namorada, querias lá tu saber se meto gel ou bosta no cabelo; se é comprido ou curto; se é liso ou encaracolado!
Se fosses minha namorada … era porque sim, o sim que anula – ou tolda – os “defeitos” e amplia as “virtudes”.
Quando é porque sim o pouco ou o muito basta; o ao pouco se juntar ou ao muito se tirar, em nada altera o stock.
Nem de penalty sem guarda-redes na baliza… Contigo.
Carlos Jesus Gil
- Olá minha menina, como estás?
- Estou óptima, e tu?
- Estou também porreiro , obrigado.
- Devias era espetar esse cabelo com gel, ficarias com um visual bem mais jovem.
- O meu cabelo é fraquito, mesmo com muito gel, do ultra forte, só muito curtinho é que dá para espetar. E eu não gosto de me ver com o cabelo muito curto.
- Se fosses meu namorado cortava-lo, ai isso é que cortavas!
- Se fosse teu namorado, e se tu gostasses de me ver com pente zero, já eu não não gostava de me ver com o cabelo curto. Mas … mas tu, sempre que toco no assunto – e não são raras, as vezes – desvias para canto …
- O desviar para canto não é terminar o jogo. Pelo contrário, é dar-lhe seguimento com uma acção de ofensiva superior.
- Não tinha pensado nisso! Tenho que aproveitar melhor os cantos, pode ser que meta golo.
O JOGO, COMO ELE É
... Ó lindinha, lindinha!
Se fosses minha namorada, querias lá tu saber se meto gel ou bosta no cabelo; se é comprido ou curto; se é liso ou encaracolado!
Se fosses minha namorada … era porque sim, o sim que anula – ou tolda – os “defeitos” e amplia as “virtudes”.
Quando é porque sim o pouco ou o muito basta; o ao pouco se juntar ou ao muito se tirar, em nada altera o stock.
Nem de penalty sem guarda-redes na baliza… Contigo.
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Ás boias!
ZÉ-NINGUÉM
Somos tantos, cerca de seis mil milhões (não seis biliões, como dizem os norte-americanos).
Seis mil milhões de particularidades, de subjectividades, não obstante o muito de padrão que também se verifica.
Mas, então, porque emergem só alguns? Explicações diversas, por certo. Desde logo porque nem todos amam estar à tona; depois, bem, depois… é a ditadura da Economia a dominar toda uma série de sub-ditaduras, todas elas alimentadas, anafadamente, com o que falta aos outros, à montanha deles.
Paradoxalmente são os leves que afundam! Paradoxalmente?, não. Só quem nunca foi a uma piscina…
Escute-se o Zé-ninguém!
Às bóias!
Carlos Jesus Gil
Somos tantos, cerca de seis mil milhões (não seis biliões, como dizem os norte-americanos).
Seis mil milhões de particularidades, de subjectividades, não obstante o muito de padrão que também se verifica.
Mas, então, porque emergem só alguns? Explicações diversas, por certo. Desde logo porque nem todos amam estar à tona; depois, bem, depois… é a ditadura da Economia a dominar toda uma série de sub-ditaduras, todas elas alimentadas, anafadamente, com o que falta aos outros, à montanha deles.
Paradoxalmente são os leves que afundam! Paradoxalmente?, não. Só quem nunca foi a uma piscina…
Escute-se o Zé-ninguém!
Às bóias!
Carlos Jesus Gil
Brincadeira
GALINHA
CANÇÃO
As saudades que eu já tinha
de roubar uma galinha
à capoeira do vizinho;
p´ra fazer m´a patuscada
com tod´a rapaziada,
bem regada a tintinho.
E p´ra coisa se compor
e desvanecer rancor,
trazer o dono à pepineira;
e só no fim lhe contar,
que a carne do belo manjar
era da sua capoeira.
João Carlos Jesus Gil
Carlos Jesus Gil
CANÇÃO
As saudades que eu já tinha
de roubar uma galinha
à capoeira do vizinho;
p´ra fazer m´a patuscada
com tod´a rapaziada,
bem regada a tintinho.
E p´ra coisa se compor
e desvanecer rancor,
trazer o dono à pepineira;
e só no fim lhe contar,
que a carne do belo manjar
era da sua capoeira.
João Carlos Jesus Gil
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Ela é tão boa!
PROVOCAÇÃO
Provoquei-a, por acinte.
Nem cavaco ela me deu;
tudo por igual correu,
sem nobreza, sem requinte!
Provoquei-a, reiterando!
Que a ventura que produz
e a beleza que induz
são miragem ribombando.
Provoquei-a sempre, sempre…
Cuspi-lhe toda a verdade:
perdi minha mocidade!...
Ela riu, riu de contente.
É mister não sermos crentes:
há gentes, gentes e gentes!
Carlos Jesus Gil
Provoquei-a, por acinte.
Nem cavaco ela me deu;
tudo por igual correu,
sem nobreza, sem requinte!
Provoquei-a, reiterando!
Que a ventura que produz
e a beleza que induz
são miragem ribombando.
Provoquei-a sempre, sempre…
Cuspi-lhe toda a verdade:
perdi minha mocidade!...
Ela riu, riu de contente.
É mister não sermos crentes:
há gentes, gentes e gentes!
Carlos Jesus Gil
Política
POLÍTICA
A Política é um jogo de contrapartidas e chantagens!
Carlos Jesus Gil
POLÍTICA
No sistema iníquo em que vivemos, os políticos não podem prescindir de dois instrumentos fundamentais: as contrapartidas e as chantagens.
Por mais idóneo, mais íntegro que seja um político, existirão sempre situações em que terá que recorrer a estes instrumentos - isoladamente ou em conjunto -, sob pena, caso o não faça, de não conseguir alcançar as grandes causas a que se vai propondo.
Na Política, como, de resto, nas demais actividades da sociedade, a concorrência é uma constante, e cada vez mais global. È imprescindível concorrer em paridade, usando instrumentos que, no mínimo, não sejam inferiores aos da concorrência.
Carlos Jesus Gil
A Política é um jogo de contrapartidas e chantagens!
Carlos Jesus Gil
POLÍTICA
No sistema iníquo em que vivemos, os políticos não podem prescindir de dois instrumentos fundamentais: as contrapartidas e as chantagens.
Por mais idóneo, mais íntegro que seja um político, existirão sempre situações em que terá que recorrer a estes instrumentos - isoladamente ou em conjunto -, sob pena, caso o não faça, de não conseguir alcançar as grandes causas a que se vai propondo.
Na Política, como, de resto, nas demais actividades da sociedade, a concorrência é uma constante, e cada vez mais global. È imprescindível concorrer em paridade, usando instrumentos que, no mínimo, não sejam inferiores aos da concorrência.
Carlos Jesus Gil
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Vira Latas Puro
O PORTA-CARRAÇAS
Porta-carraças é um vira-latas puro, do mais genuíno que há.
À semelhança da generalidade dos puros derruba-caixotes, porta-carraças é possuidor não só de uma vasta colónia de carrapatos, mas também de uma mui nobre e forte personalidade.
Tais atributos não passaram despercebidos às cadelinhas da rua que passara a administrar desde que, com um pragmatismo invejável, abandonara a rua onde sempre vivera, objecto, agora, de um olhar muito cuidado do senhor presidente da câmara, pois lá comprara apartamento um parente qualquer. Pese embora o facto de em termos de estatura física o animal nem dever nada – entenda-se: devotos agradecimentos - aos vários pais que o conceberam e à mãe que o pariu, uma paixão pandémica impregnou o ar rasteiro daquela rua. Baixa estatura física, imperial porte moral!...
Fêmeas à moda antiga, sim!, das de antes, ainda, do cinema, da televisão e das revistas – daquelas que vendem muito -, sete cadelinhas polidas, penteadas, perfumadas e…mimadas, que, muito embora não concebam uma vida sem fachada, nos machos, porém, valorizam sobremaneira o que não se vê ( tá bem, e também algo que se veja! ), tendo, por conseguinte, caído perdidamente de amores pelo solitário canino. Culpa das saídelas à noitinha, para um simples passear (do dono) ou para uma mijinha…ou cagadinha!
Pronto, como o horário das saídas era coincidente - até porque era aí que a vizinhança punha a escrita em dia -, aquilo era um espectáculo!: sete cadelas a um osso, donas e donos arrastados, correntes desprendidas, uivaria, gritaria e, no meio de todo este pandemónio, claro está, o instinto animal a funcionar…com a que chegasse primeiro, que eram todas um mimo.
A coisa durou alguns dias, os suficientes para pôr a cabeça em água aos zelosos donos; para, em conjunto, decretarem a elaboração de um abaixo-assinado dirigido ao digníssimo edil - que aquela rua era de gente e cadelas de bem -; suficientes ainda para depositar a sementinha em algumas das sete fofinhas. Bem, pelo sim pelo não, as meninas não iriam sair à rua enquanto o cão não fosse para o exílio!
Tá bem, tá!, parece que não conhecem o nosso país!... Nem com o Simplex! Tudo leva o seu tempo – digo, para não ter que lavrar outro texto, muito tempo -, rapaziada.
Quinze, quinze foram as noites que a mais estóica das famílias aguentou. Já nem com o mais poderoso – também não é bem assim!... – dos indutores de sono conseguiam dormir, tal não eram as noitadas de ganição e ladração da sua bichinha! Queria filhos, mas não de um qualquer pai; queria-os fortes de carácter; queria os genes do porta-carraças.
Já as outras matilhavam a rua havia alguns dias – agora, por certo, já todas fecundadas – quando a cãozinha se lhes junta. O desvelo, vencido pela falta de descanso, deu lugar à resignação dos donos. E os técnicos do canil camarário que nunca mais vinham!...
Mas vieram, a seu muito tempo chegaram ao território do porta-carraças – o qual desconheciam, o que os levou a uma imediata indagação.
Depois de identificado o prevaricador, foi só sacar dos apetrechos e…zás, já está! Fácil, muito fácil; nunca passara por situação semelhante, de modo que carecia de treino específico… Na antiga morada a ordem de expulsão fora a falta de pão – que em rua limpa não se trinca.
Não acaba aqui a história do nosso herói – ainda vivente. Ao cabo de alguns dias num canil municipal, fugiu – não é cão de gaiola, o porta-carraças. Não me perguntem como!, que não sei. Sei por onde anda, mas não vo-lo digo.
Ah, as cadelinhas!... essas, depois de alguns dias na sua verdadeira sala, descobriram que as necessidades fisiológicas são para satisfazer quando é preciso, de modo que, ao voltar a casa das donas…
Carlos Jesus Gil
Porta-carraças é um vira-latas puro, do mais genuíno que há.
À semelhança da generalidade dos puros derruba-caixotes, porta-carraças é possuidor não só de uma vasta colónia de carrapatos, mas também de uma mui nobre e forte personalidade.
Tais atributos não passaram despercebidos às cadelinhas da rua que passara a administrar desde que, com um pragmatismo invejável, abandonara a rua onde sempre vivera, objecto, agora, de um olhar muito cuidado do senhor presidente da câmara, pois lá comprara apartamento um parente qualquer. Pese embora o facto de em termos de estatura física o animal nem dever nada – entenda-se: devotos agradecimentos - aos vários pais que o conceberam e à mãe que o pariu, uma paixão pandémica impregnou o ar rasteiro daquela rua. Baixa estatura física, imperial porte moral!...
Fêmeas à moda antiga, sim!, das de antes, ainda, do cinema, da televisão e das revistas – daquelas que vendem muito -, sete cadelinhas polidas, penteadas, perfumadas e…mimadas, que, muito embora não concebam uma vida sem fachada, nos machos, porém, valorizam sobremaneira o que não se vê ( tá bem, e também algo que se veja! ), tendo, por conseguinte, caído perdidamente de amores pelo solitário canino. Culpa das saídelas à noitinha, para um simples passear (do dono) ou para uma mijinha…ou cagadinha!
Pronto, como o horário das saídas era coincidente - até porque era aí que a vizinhança punha a escrita em dia -, aquilo era um espectáculo!: sete cadelas a um osso, donas e donos arrastados, correntes desprendidas, uivaria, gritaria e, no meio de todo este pandemónio, claro está, o instinto animal a funcionar…com a que chegasse primeiro, que eram todas um mimo.
A coisa durou alguns dias, os suficientes para pôr a cabeça em água aos zelosos donos; para, em conjunto, decretarem a elaboração de um abaixo-assinado dirigido ao digníssimo edil - que aquela rua era de gente e cadelas de bem -; suficientes ainda para depositar a sementinha em algumas das sete fofinhas. Bem, pelo sim pelo não, as meninas não iriam sair à rua enquanto o cão não fosse para o exílio!
Tá bem, tá!, parece que não conhecem o nosso país!... Nem com o Simplex! Tudo leva o seu tempo – digo, para não ter que lavrar outro texto, muito tempo -, rapaziada.
Quinze, quinze foram as noites que a mais estóica das famílias aguentou. Já nem com o mais poderoso – também não é bem assim!... – dos indutores de sono conseguiam dormir, tal não eram as noitadas de ganição e ladração da sua bichinha! Queria filhos, mas não de um qualquer pai; queria-os fortes de carácter; queria os genes do porta-carraças.
Já as outras matilhavam a rua havia alguns dias – agora, por certo, já todas fecundadas – quando a cãozinha se lhes junta. O desvelo, vencido pela falta de descanso, deu lugar à resignação dos donos. E os técnicos do canil camarário que nunca mais vinham!...
Mas vieram, a seu muito tempo chegaram ao território do porta-carraças – o qual desconheciam, o que os levou a uma imediata indagação.
Depois de identificado o prevaricador, foi só sacar dos apetrechos e…zás, já está! Fácil, muito fácil; nunca passara por situação semelhante, de modo que carecia de treino específico… Na antiga morada a ordem de expulsão fora a falta de pão – que em rua limpa não se trinca.
Não acaba aqui a história do nosso herói – ainda vivente. Ao cabo de alguns dias num canil municipal, fugiu – não é cão de gaiola, o porta-carraças. Não me perguntem como!, que não sei. Sei por onde anda, mas não vo-lo digo.
Ah, as cadelinhas!... essas, depois de alguns dias na sua verdadeira sala, descobriram que as necessidades fisiológicas são para satisfazer quando é preciso, de modo que, ao voltar a casa das donas…
Carlos Jesus Gil
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Sociedade da delação
ESTÁ NAS NOSSAS MÃOS…
Ficamos a saber, através da TV Cabo (na verdade mais satélite do que cabo), que adquirir, utilizar ou deter equipamentos ilegais de descodificação de sinal de televisão é acto punível por lei, com coimas entre os €500 e os €3740. Dizem eles, também, que está nas nossas mãos a luta contra a pirataria (inspectores sem concurso, hummm, muita bom!!!).
… Mesmo no fim do anúncio caiem-me os … É que a inspecção não é remunerada, pelo contrário, o inspector paga (já que a informação é dada através de número azul – chamada local); é que o inspector não o é, é delator… Delator, eu!?... O tanas!
É necessária demasiada lata!...
Carlos Jesus Gil
Ficamos a saber, através da TV Cabo (na verdade mais satélite do que cabo), que adquirir, utilizar ou deter equipamentos ilegais de descodificação de sinal de televisão é acto punível por lei, com coimas entre os €500 e os €3740. Dizem eles, também, que está nas nossas mãos a luta contra a pirataria (inspectores sem concurso, hummm, muita bom!!!).
… Mesmo no fim do anúncio caiem-me os … É que a inspecção não é remunerada, pelo contrário, o inspector paga (já que a informação é dada através de número azul – chamada local); é que o inspector não o é, é delator… Delator, eu!?... O tanas!
É necessária demasiada lata!...
Carlos Jesus Gil
Efeito Dominó
EFEITO DE DOMINÓ
…
Por exemplo: há uns anos atrás, já lá vão uns quantos!, um homem e uma mulher, em momentos de amor e erotismo, conceberam um outro homem… Foi mais uma peça que caiu. Antes, porém, outras peças caíram para que a união dos pais de W. Bush se concretizasse.
Sim, as peças que hoje caiem estão a ser empurradas por outras, que já o foram por muitas outras por aí ancestralmente fora.
Obviamente, também podemos evocar o caso daquele cantor famoso que só o é porque na hora XPTO o grande produtor resolveu, porque algo concorreu para tal, ir tomar um copo ao bar de Beltrano… Tantas peças que caíram para que o iluminado produtor pudesse encontrar o talentoso cantor!
É, de facto, uma questão de toques em cadeia… é claro que é possível desenhar e redesenhar o percurso, mas…há um limite para a inflexão. A peça de trás só tomba a da frente se lhe tocar até determinada secção.
A primeira foi empurrada – por quem? Deus, por certo!... Se algum dia uma não cair…, é o nada!
Não temo; haverão sempre peças… a cair!
Carlos Jesus Gil
…
Por exemplo: há uns anos atrás, já lá vão uns quantos!, um homem e uma mulher, em momentos de amor e erotismo, conceberam um outro homem… Foi mais uma peça que caiu. Antes, porém, outras peças caíram para que a união dos pais de W. Bush se concretizasse.
Sim, as peças que hoje caiem estão a ser empurradas por outras, que já o foram por muitas outras por aí ancestralmente fora.
Obviamente, também podemos evocar o caso daquele cantor famoso que só o é porque na hora XPTO o grande produtor resolveu, porque algo concorreu para tal, ir tomar um copo ao bar de Beltrano… Tantas peças que caíram para que o iluminado produtor pudesse encontrar o talentoso cantor!
É, de facto, uma questão de toques em cadeia… é claro que é possível desenhar e redesenhar o percurso, mas…há um limite para a inflexão. A peça de trás só tomba a da frente se lhe tocar até determinada secção.
A primeira foi empurrada – por quem? Deus, por certo!... Se algum dia uma não cair…, é o nada!
Não temo; haverão sempre peças… a cair!
Carlos Jesus Gil
terça-feira, 17 de julho de 2007
Para ela
INTERDIÇÃO
Olho para ti, e sei …
Sei que és-me tão possível,
tão possível, tão
quanto o lugar de Sultão.
Olho para ti,
quando durmo olho para ti;
converso contigo, e…
quase te convenço.
Chego a levar-te até…
ao corredor.
No quarto entro,
mas já sozinho.
Dormia de pernas encolhidas!...
\ Olho para ti,
intenso;
perpasso-te com o meu ver.
Olho tanto tanto,
de um, de outro canto
que tu também me olhas…
Mas não me vês!
Sou-te interdito?
És-me interdita?
Quem deliberou?
Carlos Jesus Gil
Olho para ti, e sei …
Sei que és-me tão possível,
tão possível, tão
quanto o lugar de Sultão.
Olho para ti,
quando durmo olho para ti;
converso contigo, e…
quase te convenço.
Chego a levar-te até…
ao corredor.
No quarto entro,
mas já sozinho.
Dormia de pernas encolhidas!...
\ Olho para ti,
intenso;
perpasso-te com o meu ver.
Olho tanto tanto,
de um, de outro canto
que tu também me olhas…
Mas não me vês!
Sou-te interdito?
És-me interdita?
Quem deliberou?
Carlos Jesus Gil
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Com barbatanas nadei.
Com barbatanas nadei,
não muito, que não gostei.
Não é p,ra mim isso, eu sei.
Deram-me asas,
e voei, voei, voei…
Sem pausas sempre voei.
Porquê, Mãe Natureza?
(ocorre-me perguntar),
se nem o pássaro, que adeja,
vive constante no ar!
Carlos Jesus Gil
não muito, que não gostei.
Não é p,ra mim isso, eu sei.
Deram-me asas,
e voei, voei, voei…
Sem pausas sempre voei.
Porquê, Mãe Natureza?
(ocorre-me perguntar),
se nem o pássaro, que adeja,
vive constante no ar!
Carlos Jesus Gil
Em terra de cegos...
Em terra de cegos…
INTENSIDADES DE DEMOCRACIA
Quanto mais inteligente, culto e informado for um Povo, menor será o espaço para a demagogia. A acção dos políticos será analisada em função das circunstâncias, mas também das promessas eleitorais; a penalização ao político prevaricador acontecerá com grande frequência (nos momentos eleitorais), o que conferirá à Democracia uma intensidade elevada.
Numa Democracia de elevada intensidade a opinião pública será mais respeitada pelas elites políticas (bem sei que ela já é o primeiro poder, só que o exerce de forma contrária aos seus próprios interesses, precisamente porque não é respeitada, porque é contrainformada).
Então?..., não valerá a pena trabalhar apenas para as estatísticas?; como dantes, não será melhor informar/formar medianamente (eufemismo) muitos, reservando para poucos o muito, a excelência… Claro, dantes os poucos eram escolhidos - agora não se vê, pelo menos em ecrã gigante, o filme “Discriminação”. Agora a Escola está democratizada!... Pois, tá bem, tá!...
Todos os que mandam na Economia sabem que os recursos dos recursos são os recursos humanos, que só qualificando estes pelo melhor se lá vai em termos de produtividade, qualidade, inovação… Todos sabem isto, mas… Ganhar as próximas, manter o poleiro (para si, familiares, amigos), segurar destaque numa sociedade do estatuto, isso sim, isso é que é verdadeiramente importante.
De maneira que…
Carlos Jesus Gil
INTENSIDADES DE DEMOCRACIA
Quanto mais inteligente, culto e informado for um Povo, menor será o espaço para a demagogia. A acção dos políticos será analisada em função das circunstâncias, mas também das promessas eleitorais; a penalização ao político prevaricador acontecerá com grande frequência (nos momentos eleitorais), o que conferirá à Democracia uma intensidade elevada.
Numa Democracia de elevada intensidade a opinião pública será mais respeitada pelas elites políticas (bem sei que ela já é o primeiro poder, só que o exerce de forma contrária aos seus próprios interesses, precisamente porque não é respeitada, porque é contrainformada).
Então?..., não valerá a pena trabalhar apenas para as estatísticas?; como dantes, não será melhor informar/formar medianamente (eufemismo) muitos, reservando para poucos o muito, a excelência… Claro, dantes os poucos eram escolhidos - agora não se vê, pelo menos em ecrã gigante, o filme “Discriminação”. Agora a Escola está democratizada!... Pois, tá bem, tá!...
Todos os que mandam na Economia sabem que os recursos dos recursos são os recursos humanos, que só qualificando estes pelo melhor se lá vai em termos de produtividade, qualidade, inovação… Todos sabem isto, mas… Ganhar as próximas, manter o poleiro (para si, familiares, amigos), segurar destaque numa sociedade do estatuto, isso sim, isso é que é verdadeiramente importante.
De maneira que…
Carlos Jesus Gil
Eleições intercalares em Lisboa
ABSTENÇÃO GANHA COM MAIORIA ABSOLUTA
Não creio que os 62,6%!!! se devam a uma excelente campanha do PA (Partido Abstencionista); não penso, sequer, que o estado atmosférico tenha ficado do seu lado (confirme, quem quiser, com os registos do Instituto de Meteorologia); as férias?, hummm, também não vamos por aí...
A força do cada vez maior PA advém do também cada vez mais suculento alimento que vai tendo à sua disposição. Quem lho fornece? Ora, tem-lhe sido fornecido prodigamente pelas contínuas gerações de políticos que negam a fundamental abrangência do olhar, condição sine qua non para o mister que escolheram.
Abrangência de olhar...---» Bem público. Ausência dela ---» egoísmo... se for inconsciente, bem, aí é pura incompetência.
Não sei se clame um: viva o PA!!!
Carlos Jesus Gil
Não creio que os 62,6%!!! se devam a uma excelente campanha do PA (Partido Abstencionista); não penso, sequer, que o estado atmosférico tenha ficado do seu lado (confirme, quem quiser, com os registos do Instituto de Meteorologia); as férias?, hummm, também não vamos por aí...
A força do cada vez maior PA advém do também cada vez mais suculento alimento que vai tendo à sua disposição. Quem lho fornece? Ora, tem-lhe sido fornecido prodigamente pelas contínuas gerações de políticos que negam a fundamental abrangência do olhar, condição sine qua non para o mister que escolheram.
Abrangência de olhar...---» Bem público. Ausência dela ---» egoísmo... se for inconsciente, bem, aí é pura incompetência.
Não sei se clame um: viva o PA!!!
Carlos Jesus Gil
sábado, 14 de julho de 2007
A ditadura do futuro
A DITADURA DO FUTURO
Mesmo quando tudo está bem – connosco, com os nossos -; mesmo quando o Sol brilha e o vento assume o heterónimo de brisa; mesmo quando a melodia que escutamos é deveras inefável e a harmonia que a envolve empatiza com a nossa; mesmo quando as camisas que admiramos e defendemos são as mais transpiradas e as que mais vezes são levantadas, à guisa de brinde; mesmo quando a química inexplicavelmente inexplicável nos torna parte dum óptimo produto de reacção; mesmo quando tudo isto acontece em simultâneo e até o metal aparece, mesmo assim, nunca realizamos o pleno…Há sempre algo que obsta: a consciência do efémero, a incerteza do Futuro!
Carlos Jesus Gil
Mesmo quando tudo está bem – connosco, com os nossos -; mesmo quando o Sol brilha e o vento assume o heterónimo de brisa; mesmo quando a melodia que escutamos é deveras inefável e a harmonia que a envolve empatiza com a nossa; mesmo quando as camisas que admiramos e defendemos são as mais transpiradas e as que mais vezes são levantadas, à guisa de brinde; mesmo quando a química inexplicavelmente inexplicável nos torna parte dum óptimo produto de reacção; mesmo quando tudo isto acontece em simultâneo e até o metal aparece, mesmo assim, nunca realizamos o pleno…Há sempre algo que obsta: a consciência do efémero, a incerteza do Futuro!
Carlos Jesus Gil
Questões de autoridade
“Temos que ser escravos das leis para podermos ser livres”
Penso ter sido Cícero o receptor do inspirado/estudado pensamento.
Sou a favor da autoridade, da verdadeira, da não histriónica; é fundamental, reconheço-o. Agora da prepotência, do abuso de… isso não, nunca!
Um destes dias falou assim um amigo meu: - é pá, então a autoridade não devia servir para nos fazer sentir seguros e tranquilos? Respondi: -julgo que sim, em substância devia ser esse o seu objectivo. Retorquiu: -Então por que é que andamos sempre cheios de medo deles!?
Bem, o meu amigo descobriu um paradoxo. Eu anui.
Carlos Jesus Gil
Penso ter sido Cícero o receptor do inspirado/estudado pensamento.
Sou a favor da autoridade, da verdadeira, da não histriónica; é fundamental, reconheço-o. Agora da prepotência, do abuso de… isso não, nunca!
Um destes dias falou assim um amigo meu: - é pá, então a autoridade não devia servir para nos fazer sentir seguros e tranquilos? Respondi: -julgo que sim, em substância devia ser esse o seu objectivo. Retorquiu: -Então por que é que andamos sempre cheios de medo deles!?
Bem, o meu amigo descobriu um paradoxo. Eu anui.
Carlos Jesus Gil
sexta-feira, 13 de julho de 2007
CONSTRUÇÕES
Construíram um mosteiro diante da minha janela!... E, lá mais à frente, a sudoeste, um castelo – que belas ameias!
À frente, atrás e dos lados das duas belas e díspares composições arquitectónicas também construíram… outras coisas, diversas todas elas.
De maneira que já não sei se habito a minha época, se a Idade Média, se outra, se – e é o mais certo, visto serem as misturas muito derivantes em bebedeiras – impura e complicadamente estou borracho. É muito provável que apanhe uma piela de cada vez que, depois e acordar, abro a persiana!
Carlos Jesus Gil
À frente, atrás e dos lados das duas belas e díspares composições arquitectónicas também construíram… outras coisas, diversas todas elas.
De maneira que já não sei se habito a minha época, se a Idade Média, se outra, se – e é o mais certo, visto serem as misturas muito derivantes em bebedeiras – impura e complicadamente estou borracho. É muito provável que apanhe uma piela de cada vez que, depois e acordar, abro a persiana!
Carlos Jesus Gil
NEÓFILO
NEÓFILO
Sou um neófilo, agrada-me a novidade, a inovação, o progresso… Em simultâneo assombro-me com o passado!
Alternadamente, extasio-me com uma ruína ou um texto da Antiguidade; com um “Mosteiro da Batalha”; com um moderno centro comercial; um artigo de uma qualquer “Visão”, um concerto hip-hop ou uma abençoada Sinfonia. Igual contemplação me merecem uma pitoresca paisagem natural e uma avenida ornada de edifícios de moderna arquitectura. O silêncio e o bulício também encontram em mim um freguês indefectível.
Não vivo sem o Sul e o Norte; não dispenso nenhum dos quadrantes!
Carlos Jesus Gil
Sou um neófilo, agrada-me a novidade, a inovação, o progresso… Em simultâneo assombro-me com o passado!
Alternadamente, extasio-me com uma ruína ou um texto da Antiguidade; com um “Mosteiro da Batalha”; com um moderno centro comercial; um artigo de uma qualquer “Visão”, um concerto hip-hop ou uma abençoada Sinfonia. Igual contemplação me merecem uma pitoresca paisagem natural e uma avenida ornada de edifícios de moderna arquitectura. O silêncio e o bulício também encontram em mim um freguês indefectível.
Não vivo sem o Sul e o Norte; não dispenso nenhum dos quadrantes!
Carlos Jesus Gil
LÁs
LÁs
O lá, é sempre o lá, a coisa está sempre no lá, mas quando a lá chego…
Já estive em tantos lás, e em sis, dós, rés, mis, fás, sóis!
…Já em lá não estava, a dita cuja. Sempre que a lá chego, de lá parto de imediato. Miragem…
Já nada me prende a lá, ao infinito dos lás!
Chego a imaginar trama, maquinação, sei lá!... Pois são tantos os lás, tantos, todos feitos uns com os outros numa conspiração atroz!
Como é fugaz a minha estada em cada lá!
Será mesmo que o que procuro está em lá? Começo a ter dúvidas, sérias.
Imponho-me outra Geografia, menos natural. Talvez a coisa esteja em lá sustenido, ou lá bemol…
Sou tentado a viajar para estes lás menos naturais, porém, quiçá, mais funcionais!
Faço de tudo p,ra chegar a lá.
Veemente busca, porque é lá que está.
Faço de tudo p,ra chegar a lá,
mas…de lá parto como fui de cá!
Frenética existência,
esta que da busca se alimenta,
que só logrará o que intenta
se plena for de ousadia e paciência
e, mais que tudo,
do muito querer fizer a sua essência!
…Sim, poderei chegar à um dia óbvia conclusão de que o lá é cá!
Carlos Jesus Gil
O lá, é sempre o lá, a coisa está sempre no lá, mas quando a lá chego…
Já estive em tantos lás, e em sis, dós, rés, mis, fás, sóis!
…Já em lá não estava, a dita cuja. Sempre que a lá chego, de lá parto de imediato. Miragem…
Já nada me prende a lá, ao infinito dos lás!
Chego a imaginar trama, maquinação, sei lá!... Pois são tantos os lás, tantos, todos feitos uns com os outros numa conspiração atroz!
Como é fugaz a minha estada em cada lá!
Será mesmo que o que procuro está em lá? Começo a ter dúvidas, sérias.
Imponho-me outra Geografia, menos natural. Talvez a coisa esteja em lá sustenido, ou lá bemol…
Sou tentado a viajar para estes lás menos naturais, porém, quiçá, mais funcionais!
Faço de tudo p,ra chegar a lá.
Veemente busca, porque é lá que está.
Faço de tudo p,ra chegar a lá,
mas…de lá parto como fui de cá!
Frenética existência,
esta que da busca se alimenta,
que só logrará o que intenta
se plena for de ousadia e paciência
e, mais que tudo,
do muito querer fizer a sua essência!
…Sim, poderei chegar à um dia óbvia conclusão de que o lá é cá!
Carlos Jesus Gil
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