ABSOLUTAMENTE DESLOCADO
Agarra coragem, agarra coragem, pá!
Fora necessário imenso tempo. Luas passaram. Apenas pausava o suficiente para se nutrir, lavrar necessidades e dormir. A grande, a enorme tranche fora dedicada ao treino… Lograra, enfim, alcançar. Não o abandonara a timidez, não!, que para além de inata, tivera aquela reforçado alimento décadas, três, a fio. Continuaria, sussurremos!, para que nos não ouça e, assim, nos não leve a mal, a ser timorato ad infinitum. Todavia, graças a trabalho árduo – já aqui levemente insinuado – de treinado e treinador, era agora um homem de coragem. Acanhado, mas corajoso! Pois, o que é que o cu tem a ver com as calças?!... Fica esta questão apenas para aqueles que virem na sociedade acanhado-corajoso paradoxo evidente.
Perneta ficaria a estória, com a qual se pretende relatar a História, se omitida fosse a informação de que o eterno-não-emancipado auto-submetido a ditadura patriarcal não cardinalícia, informação esta apenas para que se não cometa injustiça grossa contra a meritória e digníssima magistratura eclesiástica, era homem de enormes talentos literários e possuidor de cordilheiras de cultura. Não daquelas que albergam simples serranias, não! Daquelas outras do tipo alpino, que a himalaiano ainda não chegara, longe como está da sapiente velhice. Daí que, sabendo-se como era e consciente, que presunção não era, de que o que era e é, que para o Além ainda não viajara, constitui valia de monta grande a uma sociedade carente, não de “eras” e “ques”, que se o era, com o presente texto o deixou de ser, resolvera telefonar a pessoa gozante de grande prestígio no mundo da edição literária, com o fito de conseguir uns minutinhos de conversa – ele nem ousava designá-la, a reunião, de reunião!
Aquiescera, o senhor.
…
- Mande entrar, mande entrar!
- Com licença!
- Faça favor!... Então, o que pretende de facto, senhorrrr
- Abílio Pereira, Dr. Tomás.
- Sr. Abílio, ao certo o que deseja de mim?
- Gostaria, Dr. Tomás, de propor-lhe um ensaio, ou mesmo um tratado, sobre “ a idealização de Sócrates e o utopismo político de Platão”.
- Mas, caro Abílio, muita gente grande já escreveu sobre essa temática. Olhe, estou a lembrar-me, por exemplo, de uma excelente, mesmo exemplar, obra do Vasco de Magalhães Vilhena. Nem é da nossa editora, é da Gulbenkian, mas li e reconheço ali trabalho maior… Não vejo o que poderia vir a acrescentar ao tomo.
- Sabe, há sempre coisas…
- Não, meu caro, não vá por aí!
- Então e se me propusesse traduzir os inefáveis sonetos de Shakespeare?
- Meu amigo, isso é consigo. Aqui é que não. Não dá! Não sabe o douto senhor que um outro Vasco, o Graça Moura, já tal empresa criara?!... e com qualidade isenta, creia, de repreensão.
- …………… Podia ensaiar sobre a mente e o corpo, estou bem por dentro do assunto.
- Então já não o fez tão maravilhosamente bem António Damásio?... e Karl Popper?
Olhe, caro amigo, vejo que dotes e cultura pululam avonde por todo o seu universo atómico, palavra!, mas o que me propõe publicar, por maior qualidade que tenha ou viesse a ter, nada de substancial acrescentaria à firma proprietária destes cadeirões. E, como compreende, sou forçado a levar isso em conta. Gostaria, no entanto, de lhe oferecer uma oportunidade de trabalhar comigo. Se aceitar trabalhar sobre uma ideia que namoro há uns tempos, fazemos negócio.
- A necessidade é minha e o prazer será meu. Projecte a sua ideia, Dr.
- Ora então: trata-se de uma explorar literariamente a incontrolável contrafacção do loiro nos cabelos… de mulheres e homens.
- … Mas, se a genética nunca se queixou…!
Estas palavras já foram sussurradas no sentido da porta.
Carlos Jesus Gil
Suponho haver por parte dos editores singular contradição. Ao invés de quererem encontrar o que editar, querem é ser encontrados.
ResponderEliminarCadinho RoCo
Estou com o Cadinho Roco
ResponderEliminarUma santa Páscoa amigo.
ResponderEliminarBeijinhos!
Cada vez mais as editoras funcionam em função da resposta do mercado.
ResponderEliminarA literatura é uma arte! Esta não é nem poderá ser a produção de meia dúzia de nomes de sucesso, que sob encomenda escrevem no seu computador com a ajuda das mais diversas informações on-line. Nunca a "qualidade" poderá andar em função do mercado.
Infelizmente, compra-se cada vez mais livros em função do nome e do "sucesso" do autor. Vivemos uma "cultura de rebanho".
Bom fim-de-semana de Páscoa
Eh pá, Carlos,
ResponderEliminarAqui também sobra... criatividade. [e nunca me sinto deslocada]
Obrigada pela passagem no meu humilde palco...
Um beijo de boa Páscoa
Graça
[vamos ver se é desta :)]
Essa não é para mim que tenho cabelo preto. Não, branco...preto e branco...ou será azul?
ResponderEliminarBoa Páscoa e um abraço
Minha mensagem de Páscoa
ResponderEliminarQue o domingo de Páscoa seja muito bom, e, se possível, ao lado das pessoas a quem você quer bem.
A Páscoa comemora a ressurreição de Cristo, o seu renascimento.
Por isso nada melhor do que aproveitar este domingo para reflectir, fazer o levantamento da vida para saber se é necessário recomeçar.
Porque, Páscoa é isso, é o momento de renascer - seja para o novo modo de vida, para o amor, para amizade…
Que para nós seja o renovar de amizade, são os meus votos.
Beijinhos
Mariazita
O Homem - o eterno insatisfeito !
ResponderEliminarUm abraço
Putz, que melda, foi um fato veridico, ou uma obra tua menino?
ResponderEliminarE feliz páscoa para ti.
Fique com Deus, menino Carlos.
Um abraço.
Desejos de uma Boa Páscoa para o Carlos e restante família...!
ResponderEliminarBeijos,
AA
Já podem escolher uma namorada à maneira.
ResponderEliminarCarlos,
ResponderEliminarQuando as palavras são sussurradas no sentido da porta, até as dobradiças escutam. Uma pena tanto livro que é lido apenas pela capa.
Que sua páscoa seja abençoada.
Rebeca
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