segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

E o Alberto e o Albino também...

Continuação:


E O ALBERTO E O ALBINO TAMBÉM…
X


PALANQUE


- Narrador, podes convocar o Albino ?
- Ó pá, assim como entraste sem a necessidade do meu consentimento – o que de resto não fora a primeira vez -, também o Albino o poderá fazer. Olha, já que cá estás, convoca-o tu.
- Ok… Albino, tens um tempinho livre?
-… Olá Alberto! É pá, tenho. Precisas de alguma coisa.
- Sabes, Albino?, ontem fui para casa com a nossa conversa teimosamente nos ouvidos. É que, realmente, a ânsia de poder tolda as consciências… assim como o seu exercício as transmuta. Vai daí, lembrei-me de um poema que, à guisa de ornamento, inseri num trabalho que realizei no âmbito da Sociologia das Promessas… Eleitorais. Gostaria que ouvisses!
- Força; vamos a isso!
- Aqui vai:




PALANQUE


É o reino do verbo;
da verborreia;
do diferente que é igual.
O palanque aguça o nervo,
leva mesmo à apneia,
assombroso festival!


Galos por um poleiro,
o mais alto, que é melhor;
galinhas por um qualquer.
Que ter poleiro é porreiro
e não o tem só o sabedor,
que o fútil o pode ter!


Que há-de ser dos pintainhos?!:
viver rasteiros no chão?;
dizer sim, mas nunca não?...
Tenho para mim que não!
Usemos nosso bastão!,
calemos esses mesquinhos!




- É pá, Alberto, tá fixe, meu!
- Gostaste?, sinceramente?
- Gostei, pá. Está demais…
- És mesmo amigão, pá. Porque isto não passa de merda…
- Claro que sou teu amigo! E tu, tenho a certeza, também és meu. A propósito, gostaria de te pedir desculpa por, naquele dia do reencontro no Algarve, não te ter respondido logo. É que, pá, nós já não nos víamos há cerca de quatro meses… e, ao contrário do que o narrador fez parecer, nós na altura nem éramos amigos. Apenas tínhamos convivido por duas vezes, porque temos amigos comuns; éramos conhecidos. Ao princípio nem me lembrei do teu nome, só depois me veio à tola. Desculpa, tá? Ah, mas a propósito da poesia gostei mesmo.
- Fico contente. Muito, até. Já agora, não precisas de pedir desculpa pelo episódio do Algarve. Olha, vamos tomar um copo, pode ser?
- Claro que sim. Isso é que é falar… Convidamos o narrador?
- É melhor não. O gajo às vezes é um chato do caraças! Bem, ultimamente não tem sido. Ainda assim, hoje vamos só os dois.
- Como queiras…
… Aquilo é que aqueles dois me saíram cá uns…!




Carlos Jesus Gil

20 comentários:

  1. Acho mal, marginalizarem assim o narrador. Sabes que muitas vezes é assim que as pessoas são levadas a consultarem psicólogos...

    Abraço!

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  2. Hum...
    Não estou acompanhando a história por completo....

    Bom dia!!

    Beijos

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Mariazita disse...
    Alguém não vai gostar do que vou escrever...mas, paciência!
    Acho que o Alberto e o Albino estão cobertos de razão. O narrador às vezes é muito chato, e não os deixa falar, coitados!
    Ainda bem que foram p'ros copos sozinhos.
    Assim podem falar à vontade!

    E o Rafeiro que se vá encher de pulgas, com essa conversa de psicólogos!!!

    Beijocas
    Mariazita

    PS - Desculpa, eliminei o comentário porque cliquei em "publicar" antes de o ter terminado. Faltava-me deixar beijocas rsrsrsss

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  5. Eu se fosse ao narrador mandava os dois às malvas e ia pela noite fora que ao fim de dois ou três copos, raios me partam se não arranjava companhia melhor que a daqueles dois!

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  6. Hum... coitado do narrador...

    Beijinhos verdinhos

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  7. O poema está bom. Não era o Tino de Rans que tem um livro sobre o palanque?

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  8. "Sociologia das Promessas... Eleitorais". Demais.

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  9. Eh pá, é mesmo o reino do verbo e da verborreia e do diferente que é igual.

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  10. Gosto deste poema que ilustra tão bem o que são tantos, não todos, os nossos políticos.

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  11. É verdade. O que há-de ser dos pintaínhos?

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  12. Aqui o rapaz gostou.
    Não me estou a referir à partida que o Alberto e o Albino pregaram ao narrador.

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  13. A maioria dos nossos políticos só querem mesmo é chegar ao "palanque"... Porque depois de lá estarem as ditas 'promessas eleitorais' não saem... Como diz o Albino "tá fixe" o poema...

    Aqui o "nosso" narrador já sofreu uma primeira 'desconsideração'... Afinal ele até já tinha mudado de atitude para com o Alberto e o Albino... por isso não merecia ser "deixado de lado"...
    Estes textos demonstram mesmo a nossa sociedade... Até nas 'pequenas' coisas do dia a dia, falta muitas vezes a simples consideração pelos outros...

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  14. É pá o narrador sou eu! Não digam mal de mim nem tenham pena de mim!
    Beijos e abraços

    Pensaram que era verdade?...

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  15. Carlos

    Bom Natal e melhor 2009, apesar da crise

    Abs

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  16. É mesmo, aa, são um bom retrato da Sociedade.

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  17. Tenha uma noite tranquila!
    Beijinhos iluminados!

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  18. Também não levava o narrador.

    Tem-nos dado uma seca, que nem te digo, nem te conto ... vamos matar a malvada ...

    Depois há os amendoins, que um homem não é de ferro e os tremoços estão muito cascudos.

    Como só há galos no poleiro, haverá galinhas no choco, vamos a elas e assaltemos-lhe os óvulos, digo, os ovos ...

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